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GENIVALDA CRAVO DOS SANTOS"A Ciência sem a Religião é manca. A Religião sem a ciência é cega." Albert Einstein POLÍTICAS DE PREVENÇÃO E DE ATENDIMENTO À SAÚDE DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO (I)CONAE 2010 - ETAPA ESTADUAL/MATO GROSSO Cuiabá, 03 a 07 de novembro de 2009
EIXO IV - COLÓQUIO 2. POLÍTICAS DE PREVENÇÃO E DE ATENDIMENTO À SAÚDE DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO.
GENIVALDA ARAUJO CRAVO DOS SANTOS Doutoranda e Mestre em Ciências da Religião – PUC/GO. Professora de História - Secretaria Estadual de Educação de Goiás (SEE/GO); e Secretaria Municipal de Educação de Goiânia (SME); Contatos: 62-91130193 / e-mail: genivaldacravo@gmail.com
“A OIT também defende o direito do trabalhador ao "trabalho decente". A entidade conceitua trabalho decente como ‘um trabalho produtivo e adequadamente remunerado, exercido em condições de liberdade, eqüidade, e segurança, sem quaisquer formas de discriminação, e capaz de garantir uma vida digna a todas as pessoas que vivem de seu trabalho’” (Fonte: http://www.parana-online.com.br/canal/direito-e-justica/news/372993/).
1. O IMPACTO DO TRABALHO NA SAÚDE DAS PESSOAS Pesquisas desenvolvidas no final da década de 1990 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), em parceria com o Laboratório de Psicologia e Trabalho da Universidade Federal de Brasília (LPT/UnB), sobre o impacto da profissão na saúde mental das trabalhadoras em educação diagnosticaram o alto índice da síndrome de burnout. Para Codo (1999), esse quadro indica um grave problema, o qual poderá levar à falência da educação. Esta doença, que afeta a saúde mental da trabalhadora em educação, forma um quadro de desalento, desmotivação, apatia, perda de energia, desistência e isolamento da sociedade, podendo culminar na depressão, exigindo tratamentos psiquiátricos, psicológicos e, até mesmo, licenças para tratamento de saúde. Levantamento realizado no Programa de Saúde no Serviço Público do Estado de Goiás constatou um aumento de licenças para tratamento de saúde por transtornos mentais no ano de 1999, com um total de 2.163 pessoas; no ano de 2000, um total de 2.496 pessoas; em 2001, 3.686 pessoas; no primeiro semestre de 2002, 3.001 pessoas. A maioria dessas licenças é concedida às trabalhadoras em educação. Na rede municipal de educação de Goiânia, o número de licenças médicas das trabalhadoras em educação para tratamento de saúde por transtornos mentais de setembro a dezembro de 2002 foi de 170 e de janeiro a abril de 2003, foi de 120. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que, em 1999, 330 milhões de pessoas no mundo sofreram de depressão, conforme PASQUALI e TRACCO (2003, p. 12-4): “de cada 20 pessoas, três vão ter pelo menos um surto depressivo na vida [...] só no Brasil serão mais de 10 milhões de vítimas do mal”. Na região centro-oeste 15,7% dos professores (as) sofrem com a síndrome de burnout, segundos dados da psicóloga Nádia Maria Beserra Leite (http://genivaldacravo.spaces.live.com/blog/cns!C9023A1317D4FA7!2486.entry).
1.2. O IMPACTO DO TRABALHO NA SAÚDE DAS PESSOAS: A REALIDADE NA EDUCAÇÃO PÚBLICA Nos nossos estudos desenvolvidos no mestrado (SANTOS, 2007) percebemos que o trabalho gerou impacto na saúde do trabalhador em educação, ocasionando adoecimento como a síndrome de burnout. Essa constatação foi corroborada tanto na literatura e como na pesquisa de campo. No primeiro capítulo da dissertação apresentamos um retrato pessoal, profissional e da saúde dos trabalhadores em educação[1]. No perfil pessoal a maioria são mulheres na faixa etária entre trinta e cinqüenta anos, convivendo no mesmo ambiente de trabalho, algumas casadas, umas solteiras e outras separadas e, em sua maioria, com um a três filhos(as), tendo de administrar trabalho, família e educação dos(as) filhos(as); autodenominam-se de diferentes cores, algumas, possivelmente, poderão não ter consciência de que são afro-descendentes, já que 32% se consideraram pardas. Essas trabalhadoras em educação desempenham múltiplas responsabilidades e competências no cotidiano da escola, como: planejamento escolar, elaboração do Projeto Político Pedagógico (PPP), cuidam do espaço físico, dos multimeios didáticos, da segurança dos estudantes, da alimentação, da infra-estrutura escolar, participam do Programa de Desenvolvimento Escolar (PDE), do Conselho Escolar, dos Programas de Formação Continuada e das avaliações escolares. Na atuação profissional, dessas pessoas, evidenciou-se sobrecarga de trabalho e de atividades. Um convívio permanente com pessoas de idades, personalidades, formação, experiências e vivências diferentes. Profissão que exige qualificação, atualização e formação continuada. O tempo de serviço variou entre (27%) com um tempo de trabalho entre dez anos, uns (35%), entre dez e vinte anos, e outros (38%), entre vinte e trinta anos. O público-alvo dos (as) trabalhadores (as) em educação são os seres humanos, em suas diversas fases e idades, seja num contato com os estudantes, com os colegas de trabalho e/ou com a sociedade em geral. Essa é uma das profissões que exigem paciência, tolerância, civilidade e afetividade. Conseqüentemente o impacto do trabalho na qualidade de vida dessas pessoas apresenta quadros alarmantes, apontando a necessidade de intervenção dos órgãos públicos no sentido de minimizar os efeitos perniciosos da desistência na educação básica (SANTOS, 2007). Entendemos qualidade de vida conforme a definição proposta pela Organização Mundial da Saúde – OMS: A percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto de sua cultura e no sistema de valores em que vive e em relação a suas expectativas, seus padrões e suas preocupações [...] conceito bastante amplo, que incorpora, de forma complexa, a saúde física, o estado psicológico, o nível de independência, as relações sociais, as crenças pessoais e a relação com aspectos significativos do meio ambiente (THE WHOQOL GROUP, 1995 apud FLECK, 2008, p. 25) A doença laboral que está acometendo os (as) trabalhadores (as) da educação básica, no Brasil, em 48,04% é a síndrome de burnout. Esses dados foram divulgados em 1999 por Wanderley Codo no livro “Educação: carinho e trabalho” onde denúncia a gravidade do problema que poderá levar a educação pública à falência, pois naquela época já representava uma epidemia instalada na educação brasileira. Essa doença pode manifestar-se em qualquer profissional e/ou trabalhador (a) que mantenha uma relação constante com os afetos, com outros seres humanos ou que se sinta injustiçada nas relações trabalhistas ou sofra assédio moral ou que esteja sobrecarregada, desempenhando diversas competências e habilidades ao mesmo tempo e em diferentes áreas. Apresentaremos, logo abaixo, uma descrição resumida dos sintomas e conseqüências da síndrome de burnout. 1.3. ANATOMIA DE UM TRABALHO PENOSO E AS SUAS CONSEQÜÊNCIAS NA SAÚDE DAS TRABALHADORAS EM EDUCAÇÃO Com base nas reflexões expostas anteriormente, vamos apresentar nos parágrafos subseqüentes as conseqüências desta profissão na saúde. Observemos o Quadro 1: Quadro 1: Anatomia de um Trabalho Penoso
Fonte: VIEIRA (2003, p. 26).
Verificamos que essa anatomia de um trabalho penoso apareceu nos resultados da pesquisa de campo da dissertação. As condições de trabalho docente, dado à sua precariedade, são vistas como verdadeiras fontes geradoras dos distúrbios vocais e do estresse, podendo-se estabelecer uma relação entre os mesmos e as condições efetivas de trabalho dessa categoria profissional. Das pessoas entrevistadas, 26% solicitou afastamento do trabalho e 66% faltou ao trabalho por diversos motivos. Verificamos que o número de trabalhadoras que solicitaram licenças médicas por causa de depressão não corresponde ao número das pessoas que responderam terem tido essa doença (59%). As faltas ao trabalho poderão estar camuflando estresse, burnout ou outras doenças conseqüência da profissão laboral. Segundo as pessoas entrevistadas, elas faltaram ao trabalho por diversos motivos, desde problemas familiares e pessoais, doenças na família e com a própria pessoa, a participação em eventos, entre outros motivos. Não temos como saber quantas faltas às pessoas tiveram num semestre ou num ano, pois não foi esse o objeto de nossa pesquisa, mas seria um dado interessante para cruzarmos com os dados sobre o nível de burnout e depressão. Foram evidenciados na pesquisa de campo, também, vários sintomas que representam sinais de estresse e intolerância que poderão levar uma pessoa a adoecer, trazendo como conseqüências problemas físicos, mentais ou emocionais (LIMONGI FRANÇA; RODRIGUES, 2002). Eu fiquei encabulada quando eu fui ao psicólogo e ao psiquiatra em janeiro [2004], eu falei para ele, que lá parecia uma subsecretária, parecia um órgão da secretaria municipal de educação, de tantos colegas que eu encontrei fazendo consulta e tratando de depressão. Na escola no dia a dia estou vendo isso por causa da sobrecarga de dois, três turnos de trabalho lidando diariamente com tanta gente sofrida (Antonia).
Esse quadro dos sintomas apresentados é preocupante, pois, como verificamos anteriormente, as funções, os papéis e as responsabilidades na educação são complexas, exigem atributos, habilidades, competências e conhecimentos que, na maioria das vezes, devem ser dosados com muita paciência, tolerância e afetividade. Estava muito estressada, esgotada e coincidiu de anunciar o Programa de Demissão Voluntária e, muito cansada, com filho pequeno, problemas domésticos, resolvi entrar na demissão. Fiz um balanço do que poderia perder e poderia ganhar e optei pelo filho e pela casa. Ficar em casa um período [no outro, trabalha na rede municipal], cuidando dos meus afazeres de mãe e de dona de casa (BARROS, 2002, p. 88).
Desse mesmo mal-estar, as funcionárias administrativas são também acometidas: Há os que têm um nível de escolaridade mais alto, reclamando, e com razão, de que seu trabalho é rotineiro, sem verem aproveitadas suas potencialidades; há os que se encontram com nível de escolaridade compatível com a função, mas sentem o tempo todo que precisam de mais, pois participam da educação e recebem condições de trabalho compatíveis apenas com lavar alfaces (CODO, 1999, p. 367).
Tanto professoras como funcionárias administrativas sofrem do mal-estar profissional, que sempre refletirá no desempenho do seu trabalho e nas relações sociais. Se formos considerar as diferenças das complexidades exigidas de cada função, afirmaríamos, precipitadamente, que a professora está mais suscetível ao adoecimento. Essa afirmação carece de um estudo científico para corroborar tal hipótese. Por exemplo, se a professora ficar doente e precisar faltar ao serviço ou pegar licença para tratamento de saúde será contratada uma substituta, ao passo que a funcionária, que trabalha em Goiás, não tem tal benefício, outra colega da escola ficará sobrecarregada. Essa realidade traz, provavelmente, conseqüências para a saúde das pessoas, para o seu trabalho profissional, para sua relação com os estudantes e com a sociedade. Analisemos com atenção o seguinte depoimento: Vários colegas eu já encontrei [adoecidos] [...]. Também aqui na escola, eu cheguei na sala dos professores, tinha uma professora deitada no chão na hora do intervalo, aquilo pra mim... Aquela cena não saiu da minha cabeça, um absurdo, fui conversando com ela e percebi a depressão que ela tava vivendo. Ela chegou a me pedir [diretora] me devolve pra secretaria faz qualquer coisa pelo amor de Deus, mas eu não consigo entrar mais na sala de aula. Então ela e os outros colegas eu indiquei que procurasse um médico, um tratamento [...] isso é constante na nossa profissão (Antonia). Verificamos, na pesquisa, que a maioria das pessoas entrevistadas (80%) não sabe o que é síndrome de burnout, somente 18% diz conhecer essa doença. Com relação à questão ‘você já teve essa doença’, ficou evidenciado o total desconhecimento por parte das pessoas entrevistadas, a maioria respondeu “não” e “não sei”, outras, num total de 87%, não a responderam. Foram poucas as pessoas que, no momento de responder, confirmavam com convicção – por conhecer a doença – que não tiveram tal acometimento. Apenas 13% afirmaram ter a doença. Com relação à depressão, 59% das pessoas entrevistadas consideraram que tiveram ou têm depressão e 39%, que não têm a doença, sendo que, das que tem depressão, 84% buscou ajuda em tratamento espírita; 78%, na religião, das quais 43%, no espiritismo; 8%, no catolicismo e espiritismo; 8%, na religião evangélica e espiritismo, e 3%, na Seicho-Noie; 70%, em livros de auto-ajuda; 54%, nos psicólogos e em remédios; 49%, sozinha e 41%, nos psiquiatras. Segundo as pessoas entrevistadas, 38% tiveram ou têm depressão há mais de um ano; 19%, há alguns dias; 16%, há mais de três meses; 8%, há duas semanas; 8%, há três ou cinco semanas; 5%, há dois meses e 3%, há uma semana. Valendo-nos dessas respostas, podemos verificar a confusão presente com relação ao que sejam os sintomas que evidenciam depressão, estresse, síndrome de burnout ou, possivelmente, outro tipo de doença. Estudiosos de diferentes culturas dão diferentes definições à saúde mental. Os conceitos de saúde mental abrangem, entre outras coisas, o bem-estar subjetivo, a auto-eficácia percebida, a autonomia, a competência, a dependência intergeracional e a auto-realização do potencial intelectual e emocional da pessoa. Por uma perspectiva transcultural, é quase impossível definir saúde mental de uma forma completa. De modo geral, porém, concorda-se quanto ao fato de que saúde mental é algo mais do que a ausência de transtornos mentais (OMS, 2001, p. 29).
Se saúde mental é “algo mais do que a ausência de transtornos mentais”, então, a anatomia de um trabalho penoso (Quadro 1) pode demonstrar que a educação está adoecida. Durante a coleta de dados nos órgãos responsáveis pelas licenças médicas, algumas pessoas demonstraram preconceito, deboche, casos como piadas e brincadeiras. Utilizaram expressões do tipo “é malandragem das pessoas; só querem ficar em casa; fulano já teve aqui não sei quantas vezes; os psiquiatras só dão licença, é um estressinho e querem licença”. Algumas depoentes relataram casos, tanto no plano de saúde do estado como no município de Goiânia, de serem desacatadas, desrespeitadas e tratadas como se fossem objetos e não seres humanos que estiveram ou estão doente. 1.4. O QUE É SÍNDROME DE BURNOUT, SINTOMAS E CONSEQÜÊNCIAS Não existe uma definição única na literatura internacional para a síndrome de burnout, há um consenso de que essa doença “seria uma resposta ao stress laboral crônico, não devendo, contudo ser confundido com stress” (CODO; VASQUES-MENEZES, 2002, p. 240), seria uma doença profissional, pesquisada pioneiramente desde 1970 por Cristina Maslach, psicóloga social, e Herbert J. Freudenberger, psicanalista. Para esses autores, burnout seria a resposta emocional a situações de stress crônico em função de relações intensas – em situações de trabalho – com outras pessoas ou de profissionais que apresentam grandes expectativas em relação a seus desenvolvimentos profissionais e dedicação à profissão; no entanto, em função de diferentes obstáculos, não alcançam o retorno esperado (LIMONGI FRANÇA; RODRIGUES, 2002, p. 50).
Há uma grande expectativa com relação à profissão que se está desempenhando, mas as frustrações, as decepções, os problemas, as desvalorizações, as condições de trabalho, a realidade, que não corresponde com o que é planejado, desejado, sonhado, e o contato constante com diferentes pessoas, possivelmente ocasionarão burnout. Essa doença é considerada uma síndrome porque tem três elementos básicos “que podem aparecer associados, mas que são independentes: despersonalização, exaustão emocional e baixo envolvimento pessoal no trabalho [ou redução da realização pessoal e profissional]” (CODO; VASQUES-MENEZES, 2002, p. 241). Para compreendermos esses três sintomas ou aspectos da síndrome, observemos o quadro abaixo: Quadro 3: Características, Sintomas e Conseqüências da Síndrome de Burnout
Fonte: LIMONGI FRANÇA; RODRIGUES (2002, p. 51-52).
Codo (1999) esclarece que a síndrome de burnout é um problema de saúde mental que pode levar a educação pública à falência, fazendo-se necessário o reconhecimento das autoridades sobre a epidemia que está se instalando e a necessidade de implantação de políticas públicas para sua prevenção, seu diagnóstico e tratamento. O público-alvo das trabalhadoras em educação são os seres humanos em suas diversas fases, seja num contato com estudantes, com colegas de trabalho e com a sociedade em geral. Assim, é relevante e urgente a apropriação do que seja essa doença, sua conseqüência para o trabalho, para a educação, para a vida pessoal e familiar, para a sociedade, bem como é necessário traçar políticas públicas para o seu tratamento e prevenção. Observemos o quadro das sintomatologias da síndrome de burnout:
Fonte: BENEVIDES-PEREIRA, 2002, p.44. In aput BARASUOL, 2005, p. 54. Essas sintomatologias camuflam a doença da desistência, as pessoas começam a acreditar que estão acometidas de males físicos, passam por diversas especialidades médicas até descobrirem que o que sentem é burnout, o mal que acomete os (as) cuidadores (as) (SANTOS, 2007; BARASUOL, 2005). É evidente e explicito o mal estar, a dor psíquica sentida e vivenciada pelas (os) trabalhadoras (es) em educação. Analisemos as citações mencionadas nesse artigo sobre burnout. A pessoa ao sentir algo que não sabe identificar ao certo o que tem, ao perceber e vivenciar sentimentos de dualidade, fragmentação, hostilidade, frieza, irritabilidade, intolerância, pessimismo, desmotivação, apatia, em síntese “tudo vai mal”. Como poderá ter qualidade de vida, na sua vida e conseqüentemente no trabalho? Fora que esse mal estar é contagioso. Segundo algumas pesquisas científicas, tradições espirituais, religiosas e nativas o pensamento é poder. O pensamento negativo forma energias densas que vai contaminando o meio ambiente, atrapalhando e neutralizando as boas ações ou o desejo e motivação de buscar ajuda (ARNTZ, 2007; SANTOS, 2007; SIQUEIRA, 2003). Já PASSOS (2004, p. 52-56) reflete essa doença como uma oportunidade simbólica de mudança do velho paradigma educacional para um novo, onde os seres humanos terão condições de ter prazer e sentido de vida no que fazem. 1ª) As doenças físicas são nossas irmãs! 2ª) A cura de nossas enfermidades não pode ser feita pela supressão dos sintomas físicos e pelo silenciamento de nossas dores... 3ª) Se houver uma ação em favor da vida – e contra Burnout -, não é a supressão do signo e de sua simbolização, mas sim, compreender e modificar o significante, que são as razões sócio-econômico-político-culturais de nossos conflitos... A cura de Burnout, em nós, é a cura da escola; é a cura das relações materiais e sociais de produção; é a cura da cultura pervertida; e a cura da exploração de nosso desejo; é a destruição da mentira institucional; é a recuperação de voz de protesto, ou seja, a remissão da condição de mercadoria a que estamos submetidos como classes e que usurpa nossa humanidade. Numa abordagem a partir das ciências da religião, a síndrome de burnout, conforme analisada por PASSOS (2004) deixa de ser simbolicamente uma representação do mal, uma culpa, impureza, estigma, pecado para ser salvação, redenção, justiça, ressignificação dos valores, concepções, princípios e estruturas educacionais. É uma denúncia de que algo não vai bem, não é só com os profissionais em educação e sim em toda estrutura e sistema, perpassando todos os níveis institucionais, as pessoas que trabalham na educação, as sociedades, as culturas. Ao mesmo tempo burnout, também, pode representar uma resistência silenciosa e inconscientemente contra o mal que acomete a educação. 1.5. O QUE É DEPRESSÃO, SINTOMAS E CONSEQÜÊNCIAS Doença que afeta a mente e o corpo, os sintomas são físicos e psicológicos, mas a natureza exata da doença varia de uma pessoa para outra, ou seja, uma determinada pessoa pode apresentar a predominância de alguns sintomas da doença que diferem dos sintomas predominantes em outra. Classificada como transtorno afetivo bipolar, episódio depressivo, transtorno depressivo recorrente, transtorno persistente do humor e outros transtornos do humor, segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID 10) da Organização Mundial da Saúde (OMS) em função do perfil sintomatológico, da gravidade, do padrão de recorrência e do curso (CORDAS; TAVEIRA, 2003, p. 15). Quadro 4: Sintomas e Conseqüências da Depressão
Fonte: CORDAS; TAVEIRA (2003, p. 14-5).
Na verdade, os médicos utilizam o termo depressão para descrever uma doença clínica considerada grave, cujos sintomas podem durar vários meses, ou até anos, ao contrário das reações que todas as pessoas têm, quotidianamente, caracterizadas por fases de baixo-astral e tristeza, mas que podem passar rapidamente, o que não é o caso do quadro depressivo. As pessoas neste estado, quando procuram ajuda, fazem-no em diversos segmentos, não só na medicina oficial, mas na terapia alternativa e em diversas religiões. [1] Consultar SANTOS, Genivalda Araujo Cravo dos. Burnout, depressão e tratamento espiritual no Espiritismo [versão eletrônica]. Palma de Mallorca: Fundació Càtedra Iberoamericana, 2007. Disponível em http://www.uib.es/catedra_iberoamericana/publicaciones/burnout/libro.doc. Acesso em 04 de jun. de 2008.
POLÍTICAS DE PREVENÇÃO E DE ATENDIMENTO À SAÚDE DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO (II)2. A BUSCA POR QUALIDADE DE VIDA NUMA VISÃO TRANSDISCIPLINAR Diversos estudos, no Brasil e internacional, já apontam para a melhora da saúde das pessoas acometidas com transtornos mentais ou outros tipos de adoecimentos através e pela fé e/ou crença, na participação em rituais ou práticas religiosas e espiritualistas (DALGALARRONDO, 2008; FLECK, 2008; VASCONCELOS, 2008). Dentre esses estudos estão as minhas pesquisas desenvolvidas no mestrado sobre terapêutica espírita e a relação entre religião e saúde. O resultado final dessa pesquisa apontou uma melhora acentuada na saúde mental das pessoas que procuraram essa terapêutica e algumas relataram até curas e como essas práticas terapêuticas ajudaram na profissão (SANTOS, 2007). A dissertação de mestrado de Cleide Martins Canhadas (1999), também, evidenciou nos seus estudos num centro espírita em São Paulo a cura através da terapêutica espiritual no tratamento das doenças físicas, emocionais, mental e espiritual. O antropólogo GREENFIELD (1999) desenvolveu os seus estudos sobre as curas espirituais de efeito físico e, também, demonstrou a eficácia da terapêutica religiosa espiritual em diversos tipos de adoecimentos. DALGALARRONDO (2008) no seu livro “Religião, psicopatologia & saúde mental”, apresenta uma revisão literária sobre os conceitos de religião, espiritualidade, fé e crença numa abordagem multidisciplinar. O autor buscou compreender como a crença, a religião interfere na saúde e no adoecimento das pessoas com problemas na saúde mental. Relata diversas pesquisas já realizadas em diferentes partes dos continentes sobre o restabelecimento da saúde através da crença, da fé, da religião e da espiritualidade. Já VASCONCELOS (2008) no livro “Espiritualidade no ambiente de trabalho: dimensões, reflexões e desafios”, analisa as mudanças advindas nas organizações a partir da espiritualidade nos ambientes de trabalho, distinguindo religião de espiritualidade. Apresenta uma revisão conceitual sobre espiritualidade, paradigma espiritual nas organizações e como essa prática pode evitar adoecimentos, melhorar os locais de trabalho e a saúde dos profissionais. FLECK & COLABORADORES (2008) no livro “A avaliação de qualidade de vida: guia para profissionais da saúde” conceitualiza qualidade de vida a partir das experiências no grupo de pesquisa Word Health Organization Quality of Life Instrument (WHOQOL) da Organização Mundial da Saúde (OMS). O módulo que foi criado, pela OMS, é um instrumento internacional de avaliação da intervenção ou não da espiritualidade, religiosidade e crenças pessoais na qualidade de vida, dentre outros itens que são avaliados. A partir da elaboração das versões do questionário de campo (WHOQOL – 100 e a versão abreviada WHOQOL – Bref) e analise dos seus resultados. Alguns pesquisadores e pesquisadoras perceberam que as questões referentes às dimensões espirituais, crença, fé e religiosidade eram incompletas. Uma das alternativas formuladas foi traduzir a versão RCOPE Scale, que no Brasil ficou conhecida como Escala de Coping Religioso Espiritual (Escala CRE): Os objetivos do coping religioso se coadunam com os cinco objetivos-chave da religião, que são: busca de significado, controle, conforto espiritual, intimidade com Deus e com outros membros da sociedade, transformação de vida [...] e bem-estar físico, psicológico e emocional [...] Estratégias religiosas de coping foram verificadas em estudos a partir de evidências quanto à importância da religião, em especial diante de situações de crise [...], principalmente frente a problemas relacionados à saúde e ao envelhecimento, como doenças, incapacidades e morte [...] à perda de entes queridos [...] e às guerras [...] Estudos demonstram que coping religioso espiritual pode estar associado tanto a estratégias orientadas para o problema, quanto a estratégias orientadas para a emoção [...] (PANZINI, 2004, p. 25-26).
O nosso interesse na pesquisa que estamos investigando é realizar um estudo na abordagem transdisciplinar. Estamos entendo nesse artigo, num construto preliminar, o conceito terapia espiritual religiosa como um método onde as pessoas buscam a sua autotransformação, autoconhecimento, auto-cura e uma conexão/ponte com o seu ser espiritual, emocional, mental e físico. Um equilíbrio no todo onde a sua inteligência espiritual está ancorada na sua dimensão ética espiritual. Aqui estamos entendendo dimensão espiritual conforme BONILLA (2008, p. 6) “aquele componente do ser humano, que transcende a suas dimensões material, mental e emocional, e se centra no significado da vida, em harmonia com as Energias Superiores”. BONILLA (2008) menciona, também, o conceito inteligência espiritual que em resumo: ‘a inteligência espiritual unifica, integra e reveste-se do potencial de transformar o material surgido dos outros dois processos: razão e emoção. Ela ‘fornece um centro de crescimento e transformação, dá ao Eu, um centro ativo, unificado, gerador de sentido’’ [...] ‘A inteligência espiritual’ não tem nenhuma conexão necessária com religião. Para algumas pessoas, aquela inteligência pode encontrar um modo de expressar-se através da religião tradicional. Mas, ser ‘religioso’ não garante alto QS (quociente espiritual) [...] ‘A religião convencional é um conjunto de regras e crenças (dogmas) ‘impostas de fora’; a ‘inteligência espiritual’, entretanto, é uma ‘capacidade’ interna’, inata, do cérebro e da psique humana, extraindo seus recursos mais profundos do âmago do próprio universo’ [...] ‘A inteligência espiritual’ é a ‘inteligência da alma’, com a qual nos curamos, e com a qual nos tornamos um ‘todo íntegro’ [...] (ZOHAR; MARSHALL apud BONILLA, 2008, p. 4-5).
Essa definição vem de encontro ao que acreditamos ser a conexão e a ponte motivadora para algumas pessoas buscarem a acupuntura, o shiatsu, o tai chi chuan, a meditação, o reike, a astrologia, a oração, o passe, a benzição, o culto no lar, a contemplação, a visualização dentre outras formas de terapias complementares, alternativas ou terapias espirituais religiosas, conforme preferimos chamá-las. A UNESCO recomenda que a ciência leve em consideração as tradições espirituais, outras culturas não ocidentais, a arte, a poesia, a literatura, a espiritualidade como alternativa de compreensão do mundo e de novas possibilidades de soluções dos problemas que assola a humanidade e que coloca em risco a vida no planeta terra. A crise que vivenciamos atualmente consiste num reflexo do extremo avanço científico e tecnológico logrado pela humanidade, sem que houvesse ‘o correlato desenvolvimento das dimensões psíquica, emocional, valorativa, ética, noética e o despertar da essência espiritual. Temos uma tecnociência incrível, sem alma, sem coração, sem espírito (CREMA apud CREMA 2008, p. 13).
Diante dessa crise o ser humano está buscando nomia e ao mesmo tempo vive uma angustiante duvida Ser ou Ter. As terapias espirituais religiosas oferecidas, desde as tradições espirituais até os dias de hoje podem oferecer a possibilidade de solução dessa crise pessoal e coletiva e conseqüentemente uma saída da fragmentação do ser. Necessitamos inventar, com urgência, um código de comunicação transdisciplinar. Tenho constatado que uma das maiores dificuldades para a transmissão da abordagem holística diz respeito à insuficiência dos nossos habituais discursos. Não é possível falar do novo com a linguagem velha [...] Como transmitir uma mensagem inclusiva que contenha, ou possa dar abrigo, à visão do cientista, à do filósofo, à do poeta e à do místico? Este é um dos maiores e mais tocantes desafios a nossa frente: romper com a clausura dos fragmentados discursos das disciplinas (CREMA, 1993, p. 159).
No livro de Erich Fromm “Ter ou Ser?” (1977) o autor descortina um dos véus da crise da humanidade, a semântica do sentido e do significado dos conceitos ou das palavras. Para ele isso pode denotar “o fim da ilusão” (FROMM, 1977, p. 23-32). Ao longo do livro o autor vai conceituando e exemplificando as diferenças entre Ser e Ter ou quem sabe o ter e o ser. Ao que tudo indica ‘ter’ é uma função normal de nossa vida: a fim de viver nós devemos ter coisas. Além do mais, devemos ter coisas a fim de desfrutá-las. Numa cultura em que a meta suprema é ter – e ter cada vez mais [...] Menciono apenas uma questão aguda: o conceito de ‘processo, atividade e movimento como um elemento no ser’. Como assinalou George Simmel, a idéia de que ser implica mudança, isto é, ser é ‘transformar-se’ [...] (FROMM, 1977, p. 35; 43).
FROMM (1977, p. 57-60) analisa a diferença entre fé no modo ter e fé no modo ser. Observemos logo a baixo as diferenças: A fé, no modo ter, é a posse de uma resposta àquilo para o que não se tem qualquer prova racional. Ela consiste de formulações criadas por outros, que se aceita porque se aceita sujeição a outros – em geral uma burocracia. Ela traz consigo o sentimento de certeza devido ao poder concreto (ou apenas imaginário) da burocracia. È o bilhete de ingresso para juntar-se a um grupo grande de pessoas. Ela alivia da árdua tarefa de pensar e tomar decisões próprias. A pessoa torna-se um dos beati possidentes, os felizes proprietários da verdadeira fé [...] No modo ser, a fé é um fenômeno totalmente diferente [...] A fé, no modo ser, não é, em primeiro lugar, uma crença em certas idéias (embora possa também ser isto), mas uma orientação íntima, uma ‘atitude’. Seria preferível dizer-se que se ‘está na fé, em vez de que se tem fé’ [...] Pode-se estar em fé consigo mesmo ou para com outros, e a pessoa religiosa pode estar em fé para com Deus [...] Nossa fé em nós mesmos, em outro, na humanidade, em nossa capacidade de tornarmo-nos plenamente humanos, também implica certeza, mas certeza baseada em nossa própria experiência, e não em nossa submissão a uma autoridade que dita certa crença [...] (FROMM, 1977, p. 57-59).
Sendo assim a terapia espiritual religiosa pode significar para a pessoa que freqüenta ou participa de terapêutica, como um modo ter ou como um modo ser ou quem sabe começar num tipo e ir emergindo para outro tipo. No trabalho de campo, que eu realizei com as trabalhadoras em educação que estavam adoecidas com a síndrome de burnout e/ou depressão, pudemos constatar nos relatos os dois movimentos: uma busca do ter e outra do ser. De acordo com as buscas ocorria uma mudança de atitude e de comportamento. As pessoas acabaram escolhendo o caminho do autoconhecimento, da autotransformação e da auto-cura, segundo o entendimento das entrevistadas (SANTOS, 2007). SIQUEIRA (2003, p. 25-64) analisa “A labiríntica busca religiosa na atualidade: crenças e práticas místico-esotérica na capital do Brasil”, a partir dos principais significados e visões de mundo dos grupos pesquisados, a saber: 1. Karma e reencarnação: a lei de causa e efeito ou lei de ação e reação; noção de evolução dos indivíduos e da própria humanidade; 2. Visibilidade do eu interior, eu superior, eu maior, eu crístico ou eu próprio: ‘conhece-te a ti mesmo’; a anulação do ego; 3. O mundo é uma ilusão: anular o ego e desapegar-se: o que nos afasta de Deus é o orgulho, o falso ego; Nós estamos no meio do oceano de ilusão; 4. A divinização do indivíduo: recuperação da magia e psicologização da religiosidade: nós somos Deuses, todo mundo é Deus; 5. Holismo e ecumenismo: ‘o ser como um todo numa perspectiva integral’ (SIQUEIRA, 2003, p. 32-40). Nessa dimensão, conforme a visão da autora, os desdobramentos seriam: a) As novas dimensões do mundo e a re-localização do eixo interior-exterior: a maldade não existe, nós criamos a maldade; b) Desinstitucionalização, destradicionalização e pluralismo religioso; c) Conteúdo identitários, emocionais e de mercantilização religiosa; d) Secularização, dessecularização (SIQUEIRA, 2003, p. 40-54). Essas visões, significados e desdobramentos das práticas terapêuticas espirituais religiosas dos adeptos e/ou participantes nas atividades evidenciam a inteligência espiritual de cada pessoa que se manifesta na sua procura, busca e/ou prática. Acreditamos que uma das possibilidades de compreensão dessa subjetividade humana é através da transdisciplinaridade. Ao negarmos a inteireza do Ser poderemos estar negando o seu direito de se cuidar. Ser terapeuta é cuidar do que não é doente em nós, do ser, facilitando a cura a partir do intrinsecamente saudável. Sempre cautelosos quanto à cilada da inflação do ego pessoal, tinham por sua tarefa cuidar ou facilitar, reconhecendo que é o vivente, na natureza, quem cura. É espantoso comprovar que os padres do deserto antecederam, em dois milênios, a psicologia humanística e transpessoal do Ocidente. Cuidar do corpo, cuidar do desejo, cuidar do imaginal e cuidar do outro, segundo Fílon, são quatro tarefas básicas dessa antiga tradição (CREMA, 1993, p. 162-163).
A partir das experiências vivenciadas pelas pessoas em retiros, seminários, holopráxis, terapias, leituras, participação em instituições religiosas ou outras atividades orientadas ou não por um terceiro. A pessoa poderá ou não ressignificar o seu mundo interno e externo. Para exemplificar tal afirmação, indicamos a pesquisa desenvolvida pela autora desse artigo. Onde constatamos que as entrevistadas da educação de Goiânia, Goiás alegaram que encontraram nomia e melhoras na sua saúde a partir da participação na terapia espiritual espírita. As mesmas alegaram que a religião ajudou na profissão permitindo uma ressignificação dos problemas vivenciados nos locais de trabalho através da teodicéia fornecida pela crença que participaram. Outro dado evidenciado a participação em crenças diferentes, simultaneamente ou não, com o objetivo de busca por cura ou melhoras na saúde (SANTOS, 2007).
CONCLUSÃO A profissão interfere na saúde das pessoas, trazendo como conseqüências doenças como distúrbios vocais, a síndrome de burnout e de depressão, advindas também do estresse laboral, e que refletem no local de trabalho. As trabalhadoras entrevistadas, em sua maioria, encontram-se estressadas, intolerantes e em burnout. Percebemos que as pessoas entrevistadas, para a sobrevivência, trabalham mais de oito horas por dia, o que ocasiona uma sobrecarga, isso sem considerar as exigências profissionais, como formação continuada, leituras, avaliações, atualizações, atividades extraclasse – correções de trabalhos, provas etc –, higiene, manutenção e segurança do espaço físico, bem como as atividades domésticas e o cuidar dos filhos. A maioria das trabalhadoras em educação não tem tempo para o lazer e o lúdico. Conseqüentemente, a profissão é um perigo, e, como uma panela de pressão, poderá estourar na saúde física e mental das profissionais e também no processo de ensino-aprendizagem. Infelizmente, a pesquisa demonstrou a falta de conhecimento, por parte das trabalhadoras em educação, do que seja a síndrome de burnout e, também, do que venha a ser, realmente, a depressão. Constatamos que as trabalhadoras em educação buscam a religião nos casos de problemas com a saúde porque ela proporciona conforto, respostas aos porquês das doenças e o restabelecimento da vida simbólica e da nomia. A busca pelo tratamento espiritual no espiritismo está vinculada à teodicéia explicativa da religião. Para 95% das entrevistadas, o tratamento realizado no espiritismo proporcionou melhoras na sua saúde e, para 84%, a religião ajudou profissionalmente. Isso denota, também, o vínculo entre educação, saúde e religião. As terapias espirituais religiosas são métodos, utilizados pelas pessoas, com o possível objetivo de desobstruir as energias paradas, onde o corpo fala e as dores aparecem; modificar a vida que se encontra em conflito, em angustia, fragmentada, adoecida; encontrar respostas para os seus problemas existenciais, materiais, seus problemas diversos; a fim de restabelecer a saúde, estar em paz ou gerenciar melhor os conflitos e as crises enfrentadas. Nessa dimensão a inteligência espiritual pode ser o grande impulsionador desse desejo e busca. Quando essa dimensão espiritual está obscurecida, em ilusão ou fragmentada pelo ter. As pessoas podem buscar na bebida, nas drogas, na criminalidade, no consumismo a forma de preencher essa dimensão espiritual, mesmo que seja de forma distorcida. 5. Referências ARNTZ, William. Quem somos nós? A descoberta das infinitas possibilidades de alterar a realidade diária. Tradução de Doralice Lima. Rio de Janeiro: Prestígio, 2007. BARASUOL, Evandir Bueno. 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Síndrome de burnout, Assédio Moral: OIT e UEAssédio Moral Coletivo na OIT e na UE Sônia Mascaro Nascimento Inicialmente, cumpre mencionar que a Convenção n.º 155, de 1981, elaborada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre segurança, saúde dos trabalhadores e meio ambiente, ratificada pelo Congresso Nacional em 1992 e promulgada pelo Decreto federal n.º 1.254/94, estabelece em seu artigo 3.º que o termo "saúde", com relação ao trabalho, "abrange não só a ausência de afecção ou de doenças, mas também os elementos físicos e mentais que afetam a saúde e estão diretamente relacionados com a segurança e a higiene no trabalho". Fonte: http://www.parana-online.com.br/canal/direito-e-justica/news/372993/ Consulta 04/11/2009. Um Minuto Pela Cultura de Paz (VI)Um minuto pela cultura de paz (VI)
Estava lendo um comentário on-line, no Diário da Manhã, referente a um primeiro artigo publicado, onde eu buscava sensibilizar e refletir sobre a possibilidade de exercermos um minuto pela cultura de paz e um minuto de paz em todas as dimensões da nossa vida. No comentaria, escrito, a leitora fazia menção aos índices de violência e como as pessoas que sofrem ou sofreram violência poderiam estar se sentindo diante dessa proposta.
Hoje pretendo comentar, um pouco, essa reflexão, pois me veio à inspiração e ao mesmo tempo a possibilidade de relacionar essa temática com as ações afirmativas. De fato só quem passou por algum ato de violência sabe descrever as feridas simbólicas e as feridas físicas que aparecem no corpo, emoção, mente e espírito. Para mim é algo real. Nesse sentido eu lembrei-me dos africanos, de diferentes etnias, que foram seqüestrados para trabalhar forçado aqui no Brasil. Fico a me perguntar quais as feridas que ficaram nessas pessoas, nessas ancestralidades e nos descendentes? Como essas pessoas conseguiram sobreviver, até hoje, com tanta violência e ainda permanecer com o sorriso no rosto, a fé e a esperança no coração? Isso sem mencionar o genocídio aos povos indígenas e mesmo assim esses povos lutam para manter as suas culturas, a sua dignidade, a sua sabedoria, arte e alegria.
A violência praticada a esses povos pode representar a banalização do mal. Basta ter um pouco de curiosidade e abrir mentes e corações, deixando de lado qualquer forma de preconceitos, que perceberemos que ao longo da história do Brasil os africanos, afrodescendentes, afro-ameríndios, indígenas tiveram que ter uma força de vontade sobre-humana para exercer o direito do perdão, da reconciliação, da solidariedade, da fraternidade, da cultura de paz. Isso para mim é exemplo de como praticar um minuto de cultura de paz. Cada minuto pode transformar e transmutar a cultura de violência incrustada de forma consciente e inconsciente em nós.
Palestrando em Itapaci (23/09/2009), a convite da CACUNE no projeto que estão desenvolvendo no Estado de Goiás sobre Ações Afirmativas fui questionada sobre a política de cotas e algumas pessoas manifestaram a sua opinião e o absurdo que elas consideravam ter cotas para pessoas negras nas universidades. Afirmavam que deveria ter cotas era para pobres, pois diziam: “Como os pobres brancos não tem direito a cota eles, também, não vão ter acesso a universidade? O problema é social e não racial.”
Durante as reflexões e o debate elogiei as perguntas, a coragem das pessoas em se posicionarem contra as cotas, as dúvidas e as defesas de alguns pelo direito das cotas e das ações afirmativas. Aproveitei as perguntas e as provocações para refletir com o público, professores e professoras da rede municipal de Itapaci sobre a história da vinda dos negros e negras para o Brasil. Contextualizei sobre o primeiro ato político de institucionalização das cotas no Brasil, que diga de passagem não foi para negros e negras, indígenas, deficientes, estudantes da educação básica pública ou mulheres. O primeiro ato do governo brasileiro na década de 30 foi para que as empresas estrangeiras contratassem o brasileiro, pois havia uma discriminação por parte dessas empresas em empregar 100% dos afrodescendentes, afro-ameríndios, os brasileiros na sua maioria.
Outro fato marcante na história é que na década de 40 na Índia, outro país que implantou as cotas, para minimizar a injustiça social, econômica e política daquele país, concedendo o direito as castas discriminadas, menos favorecidas de exercerem o direito político em pé de igualdade com as castas privilegiadas no parlamento.
Já na década de 60 nos Estados Unidos da América, as ações afirmativas implantadas nesse país revolucionaram o modelo político, social, econômico, cultural, educacional, religioso. Mexeram nas estruturas, nas representações e imaginário simbólico daquela nação. Atualmente nos podemos ver até um presidente e uma primeira dama negra governando esse país que é considerado referencia econômica e bélica para o mundo. A presença da população negra é visível e afirmativamente positiva em todos os setores. Claro que lá ainda tem manifestações gravíssimas de cultura de violência e nem tudo são flores. Mas é inegável o avanço nas políticas públicas, nos direitos civis e na visibilidade positiva da população negra.
No Brasil as ações afirmativas voltadas para negros, negras, afrodescendentes, afro-ameríndios, povos indígenas é uma conquista coletiva das organizações que os representam, da sociedade civil organizada, da mudança e sensibilização de muitos nos seus padrões de pensamentos, de atitudes, comportamentos e simbólicos. Uma ressignificação do imaginário e das representações referentes a esses povos e descendentes. Fora as pressões sociais, econômicas e políticas por parte de outros países e através das convenções e resoluções internacionais.
Durante a minha fala, nesse debate, teatralizei algumas cenas do cotidiano para que nós pudéssemos refletir sobre o que está por detrás do racismo, da discriminação, do silêncio dos sem direitos humanos, por detrás da cor, daquilo que não é falado e que é só gesticulado, olhado, intimidade, dissimulado e hipocritamente negado, aquilo que não é refletido e não é interpretado criticamente nas suas entrelinhas. O racismo, a xenofobia, a homofobia, o preconceito, a discriminação possui identidade e nome, atinge sentimentos, emoções, destrói a razão, acumula e reforça a cultura de violência.
As ações afirmativas são formas de minimizar um problema histórico através da reescrita, da releitura, do comportamento, das ações, das cotas positivas, da legislação que podem possibilitar o direito da igualdade econômica, social, cultural, política em cursar uma universidade, uma pós-graduação em todas as universidades desse país e fora do Brasil em qualquer curso que ele ou ela queiram. A possibilidade de sonhar! Essa é uma forma distributiva de dividir o pão do conhecimento e possibilitar a revolução silenciosa da justiça, da dignidade, da solidariedade, da cultura de paz.
Genivalda Araujo Cravo dos Santos Signatária da URI Goiás; Doutoranda e Mestre em Ciências da Religião pela PUC Goiás.
Publicado no Jornal Diário da Manhã 08/09/2009, p. 08. ISSN 0103-7838 http://www.dm.com.br/materias/show/t/um_minuto_pela_cultura_de_paz_vi
Um Minuto pela Cultura de Paz (I)Um minuto pela cultura de paz! (I)
Já tem algum tempo que essa ideia “um minuto de/pela paz” persiste como possibilidade de sensibilização, mobilização e engajamento na cultura de paz. Quando Batista Custódio convidou-me a escrever, com o coração, no Diário da Manhã, pensei: “Eis uma possibilidade de materializar esse projeto. Eis a chance de expor a minha opinião sobre esse assunto.” Fonte: Genivalda Araujo Cravo dos Santos Fonte: http://www.dm.com.br/materias/show/t/um_minuto_pela_cultura_de_paz_i_ 22/08/2009 Consultado 24/08/2009 Mais Notícias deste(a) Articulista: Genivalda Araujo Cravo dos Santos
Um Minuto pela Cultura de paz (II)Um minuto pela cultura de paz! (II) “Inspirar-se Inspiração Cultura de paz Que bicho é esse que tantos querem e poucos alcançam Que bicho é esse que todos falam, mas poucos praticam Que bicho é esse que é tão necessário e faz falta pra gente Cultura de Paz Um caminho trilhado sozinho Emanado com o relacional Mas caminhado sozinho sem estar só Cultura de Paz Que tanto pede a sua atenção no trânsito, no lazer, na família, nas relações entre países, entre inimigos Cultura de Paz que ressoa em seus ouvidos Paz, Paz, Paz Eu Sou a Paz (autoria: Genivalda & Convidad@s)
Esse é um assunto delicado, a cultura de paz. Ao mesmo tempo tão desejada e tão cobiçada, mas pouco praticada. Será que essas frases contêm a verdade sobre a cultura de paz ou estamos diante de padrões de crenças introjetados de forma subliminar em nossas mentes e pensamentos? Será que as entrelinhas das frases sobre cultura de paz querem dizer algo utópico e sonhador, algo inalcançável? A cultura de paz é algo impossível nos tempos de hoje? Nesse momento reverencio alguns ícones da cultura de paz, como por exemplo, Jesus Cristo, Nelson Mandela, Chico Xavier, Martin Luther King, Madre Tereza de Calcutá, São Francisco de Assis, Buda, Betinho, Anônimos, Pierre Weil, Chico Mendes, as pessoas premiadas no Prêmio Nobel da Paz e tantos outros e outras. Participei de entrevista representando a URI Goiás, junto com a Jacqueline representando a Associação Sol, no Programa Encontro Fraterna: o Espiritismo na sua TV sobre cultura de paz. Chamou-me atenção as perguntas do apresentador Gabriel Duarte e as provocações referentes ao tema. As provocações do apresentador giraram em torno de como a gente pode conseguir paz numa cultura de violência, quais as dicas ou pistas para driblar as conseqüências da cultura de violência em nossa vida. Para isso ele perguntou sobre a paciência, a passividade, a família, a educação. Bom, aqui não vou comentar todo o conteúdo da entrevista, pois vocês poderão assistir no domingo, 30/08, às 19h no canal 12 da NET Goiânia ou TV CEI – www.tvcei.com. Destacarei, entre os diversos pontos comentados na entrevista, a educação. Tema que considero delicado, polêmico, complexo e ao mesmo tempo pode ser mágico, simples e até poético, como o poema em epigrafe. Quero nesse instante refletir com vocês, leitoras e leitores, sobre a cultura de violência na educação, afinal é consenso que a educação é à base de uma nação. Sendo isso um consenso entre gregos e troianos, o que está acontecendo com a educação pública no Mundo, no Brasil e no seu município? Você já parou para observar o quanto os trabalhadores e trabalhadoras em educação estão adoecidos e adoecidas ou você nunca parou para pensar nisso? Algo paira no ar e não é de agora e a situação é grave. Estamos mexendo numa colméia, a educação, dependendo da habilidade poderemos apreciar o mel e a própolis e não matar as abelhas, mas isso é poético será que a realidade também é poética? Porque o nível de adoecimento entre os profissionais que trabalham na educação está elevado? O que está acontecendo na educação? Os índices sobre síndrome de burnout na educação é alarmante, um estresse laboral dos mais agressivos. O desconforto é físico, mental, emocional, espiritual, com desdobramentos gravíssimos em todas as dimensões do ser humano. Uma doença silenciosa que corroí o sentido e o significado de vida no trabalho e no ser. Segundo pesquisas desenvolvidas por Wanderley Codo, em 1999, evidenciadas no livro “Educação Carinho e Trabalho” o caso no Brasil já virou epidemia. Em 2004 eu defendi dissertação de mestrado sobre as pessoas que trabalham na educação, adoecidas com o estresse, burnout e depressão e a busca por tratamento espiritual no Espiritismo. Algum dos resultados da pesquisa evidenciado foi o quanto a educação é uma profissão perigosa e que a maioria das pessoas entrevistadas desconhecia essa doença. Mas o que isso tem haver com cultura de paz? Tem tudo haver, pois a síndrome de burnout evidencia que o desdobramento do modelo de cultura de violência ainda impera no sistema educacional. Acredito que uma das possibilidades de cura da síndrome de burnout no mundo do trabalho está na mudança de paradigma da cultura de violência para o paradigma de cultura de paz. Aqui nesse momento não poderei aprofundar tal afirmação. Quem sabe o Programa da UNESCO para a Década da Cultura de Paz possa apontar algumas saídas para educação e para a cura da síndrome de burnout. Destaco esse parágrafo do documento: “Tolerância, democracia e direitos humanos - em outras palavras, a observância desses direitos e o respeito pelo próximo - são os valores "sagrados" que a UNESCO tem promovido e sustentado, e dos quais pretende, agora, reafirmar as características
Os Direitos Humanos Universais ainda não são praticados e implantados, em todos os seus artigos, para todas as pessoas no planeta terra. O respeito à vida, esteja ela em qualquer forma, ainda necessita de atenção especial. O respeito ao próximo é um aprendizado constante. A cultura de paz é uma possibilidade que dependerá de mim, de você e de nós. A cultura de paz é um convite individual e coletivo que dependerá das escolhas que fizermos.
Cultura de paz que bicho é esse que tanto pede a nossa atenção, carinho, reflexão, mudança e transformação. Seja nas relações e relacionamentos conosco mesmo, com o outro, no trânsito, no futebol, na rua, no trabalho, na família, na igreja, no lazer, na política, na economia, na ecologia, nos meios de comunicação de massa, na vida, na realidade cotidiana. Um desafio constante, uma proposta de reflexão, um convite para cada um de nós estarmos exercitando essa possibilidade chamada um minuto de cultura de paz, um minuto pela cultura de paz!
Genivalda Araujo Cravo dos Santos Signatária da URI Goiás; Doutoranda e Mestre em Ciências da Religião pela UCG/GO.
Publicado no Jornal Diário da Manhã 29/08/2009, p. 8. Mais Notícias deste(a) Articulista: Genivalda Araujo Cravo dos Santos
Um Minuto pela Cultura de Paz (III)Um minuto pela cultura de paz! (III)
“A Cultura de Paz está intrinsecamente relacionada à prevenção e à resolução não violenta dos conflitos; é uma cultura baseada num conjunto de valores e compromissos. Além disso, a Cultura de Paz procura resolver os problemas por meio do diálogo, da negociação e da mediação, de forma a tornar a guerra e a violência inviáveis e deve ser entendida como um processo, uma prática cotidiana que exige o envolvimento de todos: cidadãos, famílias, comunidades, sociedades e países” (Fonte: UNESCO). A semana da pátria coincide com a semana de cultura de paz, aqui em Goiânia. Só para mencionar algumas das atividades: 01 a 02/09 a peça teatral “Gandhi, o líder servidor com João Signorelli, promoção da A.SOL; 03/09 Oração e Meditação a Meia Noite pela Paz no Bosque dos Buritis com a celebração do fogo sagrado por Kaká Werá promoção Comitê Espiritualidade e Paz/Rede Unipaz; 04/09 Caminhada Mundial da Paz promoção II Festival Mundial da Paz, URI Goiás, Comunidade Bahaí, Banda Sentido Contrário, Unipaz Goiás, Goiânia Fashion Wee pela Paz, A.SOL, GT da Paz da prefeitura de Goiânia, com patrocínio do SESC, FIEG e KELPS e apoio de Governo do Estado de Goiás, Prefeitura de Goiânia e ACIEG; 04 a 07/09 II Festival Mundial da Paz e XI Congresso Holístico Internacional da Rede Unipaz no Centro de Convenções, promoção da Rede Unipaz, Governo do Estado de Goiás e Prefeitura de Goiânia.
São energias de paz, são sinergias de amor, pensamentos positivos, para que a paz prevaleça no mundo, começando primeiramente por mim, por você, por ele, ela, nós. São oportunidades de revermos conceitos, padrões de crença, atitudes, valores, pensamentos e uma possibilidade de convite para estarmos praticando nem que seja uma das formas de manifestação da cultura de paz em nosso cotidiano. A saber:
Esse movimento já vem ocorrendo desde o ano 2000, Ano Internacional da Cultura de Paz promovido pela ONU e UNESCO, aqui nesse texto não faremos memória aos eventos e fatos históricos referentes aos séculos passados. Fiquemos somente com o apagar das luzes do século XX e a primeira década do século XXI.
Assim vamos perceber que muito temos ainda a fazer. Muito temos ainda a rever, a propor, a realizar, seja comigo mesmo, nas instituições, organizações, nas famílias, nas religiões, na sociedade, na cultura, na educação, nos meios de comunicação, na política, na economia, nas políticas publicas e gestão publica. Temos muito ainda a realizar. A responsabilidade cabe a cada um de nós. Se cada um de nós fizer a sua parte, acredito que o todo tem possibilidade de mudar e transformar. As pessoas que estão na função de autoridades no poder público sejam no executivo, legislativo, judiciário e as pessoas que são lideranças nas diversas instâncias sociais, culturais, econômicas, religiosas e educacionais tem um papel fundamental para implantação, manifestação e materialização da cultura de paz no nosso município, estado, país e planeta. Mas você e eu, também, somos responsáveis por essas mudanças.
O planeta terra, nossa casa, é abençoado, agraciado por uma diversidade de Seres Vivos. Cuidemos uns dos outros, respeitemos as diferenças e exercitemos o amor, a paz, a solidariedade, elementos fundamentais da cultura de paz. O despertar da consciência para essa possibilidade de mudança faz parte desse convite de um minuto pela cultura de paz, um minuto de cultura de paz. Sei que existem muitas contradições, conflitos, crises de todas as ordens sejam elas pessoal, política, econômica, cultural, ética, valores humanos, religiosa, educacional.
Mas quem disse que cultura de paz é ausência de conflito? Quem disse que nas contradições e crises não podemos cultivar a cultura de paz e praticá-la? Quem disse que a cultura de paz só depende dos outros e que eu não sou protagonista nesse processo? Quem disse que eu não tenho nenhuma responsabilidade, compromisso e engajamento nesse ativismo de cultura de paz? Quem disse que eu, você, nós não podemos promover mudanças no cotidiano? Quem disse que o controle social, que os movimentos organizados, que as famílias, os estudantes, a pessoa humana não pode transformar o meio e a realidade particular e geral?
Repensemos nossos valores e crenças. Aprendamos a pensar, a refletir, a duvidar, a investigar e exercitar a metodologia científica em nossas vidas e instituições. Nós temos a possibilidade de sermos protagonistas e proativos em cultura de paz.
O modelo de cultura de violência e os seus desdobramentos não suportam ver tantas e tantas pessoas reunidas e unidas para um mesmo propósito à cultura de paz, a não violência, o amor incondicional, a solidariedade e a cooperação. Mesmo com as nossas diferenças podemos nos unir e manifestar a cultura de paz. Mesmo que eu pense e aja diferente de você, acredito que a intenção, o desejo, o propósito da cultura de paz nos unem. Quem não quer paz em sua vida, nas suas relações e nos seus relacionamentos?
O pensamento é poder! Acredite que está em nossas mãos a mudança. Acredite, confie e tenha fé que as coisas vão mudar. Sejamos protagonistas da nossa história e façamos tudo que esteja ao nosso alcance para que a paz prevaleça no mundo. Todos nós temos uma inteligência espiritual que independe da religião que você professe ou não professe ela se manifesta.
A transformação começa no seu interior e isso não é piada. Faça uma experiência e pratique um minuto de cultura de paz e um minuto pela cultura de paz no seu cotidiano e depois me conte se você continuou do mesmo jeito, com os mesmos sentimentos e emoções. Genivalda Araujo Cravo dos Santos Signatária da URI/GO; Doutoranda e Mestre em Ciências da Religião pela UCG/GO; genivaldacravo@gmail.com. Publicado no Jornal Diário da Manhã, 08/09/2009. http://www.dm.com.br/materias/show/t/um_minuto_pela_cultura_de_paz_iii
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Um Minuto pela Cultura de Paz (IV)Um minuto pela cultura de paz (IV)
A temática, Justiça social, educação e trabalho: inclusão, diversidade e igualdade, é transversal e transdisciplinar a todos os eixos do documento base da Conferência Nacional de Educação que foi refletido na Conferência Intermunicipal em Colinas/TO no dia 11/09/2009. Nesse artigo apresento as contribuições realizadas como debatedora nessa mesa temática.
A reflexão que queremos propor como debate é sobre a aceitação da diferença, do diferente, da diversidade na educação, na sociedade, no cotidiano dos nossos municípios e de outras realidades, sejam elas conhecidas ou desconhecidas.
Nós respeitamos a outra pessoa como ela é ou julgamos as pessoas pela sua aparência, condição social e econômica, orientação sexual, opção religiosa, partidária, idade, étnia-raça, deficiência? Será que nós já percebemos que há níveis de realidade e níveis de percepções diferentes do nosso? O que estamos fazendo para que a justiça, a inclusão e a cultura de paz estabeleçam-se no nosso trabalho, família, religião, sociedade, economia, política, cultura, meio ambiente? Como poderemos exercitar a atitude transdisciplinar? O que estamos fazendo para contribuir para a mudança da realidade que diagnosticamos em nossas escolas ou instituições de ensino superior?
Essa temática nos convida a refletir a nossa pratica e atitude diante da vida e, também, estimula o movimento da ação, do fazer, do realizar programas, projetos que possibilitem a mudança de realidades que ainda é extremamente discriminatórias ou injustas.
Para mudar precisamos tomar consciência e para tomar consciência precisamos ver e para ver precisamos estar abertos a outras possibilidades. Questionar modelos, projetos e paradigmas prontos e acabados. O ato da dúvida e a abertura do coração possibilitam a criatividade da inclusão, da justiça, da coragem em fazer diferente e ser diferente. Sair da normose, da normalidade que todo mundo faz assim e eu faço igual.
Vamos agora verticalizar essa temática a partir do olhar da escola, das políticas educacionais. Ao longo da história da educação nós conquistamos o direito das pessoas silenciadas terem voz e vez, de serem reconhecidas e valorizadas. Será que já conquistamos esses direitos?
A escola pública traz como um de seus princípios o direito de todos terem acesso a educação. Será que já conquistamos esse direito de fato? Há condições de infra-estrutura nas escolas, no trabalho, na valorização profissional, na formação continuada, no acesso, permanência e conclusão dos estudos? Qual a realidade da educação pública, privada, básica e superior? Nós já conquistamos justiça educacional? A cultura de paz já é uma realidade nas escolas, na educação básica e superior?
A partir de agora vamos refletir sobre a paz pessoal, a paz social e a paz ambiental. Se uma pessoa tem paz consigo mesmo ela não vai ficar com preconceito ou com discriminação seja com quem for. Ao contrario ela estará aberta ao novo, ao diferente, será uma pessoa amorosa, plena e que criativamente buscará agir a fim de mudar a realidade de exclusão ou injustiça.
Quando uma pessoa está em paz ela terá a possibilidade de mediar conflitos, de estabelecer uma comunicação não violenta e exercitar o diálogo com os semelhantes e os diferentes. Sendo assim o olhar dessa pessoa para o meio ambiente não será o do ter e sim o de ser. A percepção será voltada para a vida e para a preservação da dignidade de qualquer ser.
Se nós praticamos a metodologia da cultura de paz nas escolas, na educação básica e na educação superior nós poderemos ter a possibilidade de mudar a realidade do Brasil, dos Estados e dos Municípios. Poderemos implantar a justiça na educação, no trabalho e na sociedade; estabelecer a inclusão e o respeito à diversidade e possibilitar a igualdade de gênero, de étnia-raça, de classe e social, da unidade na diversidade. Logo abaixo destaco um trecho da Declaração sobre uma cultura de paz que nos possibilita continuarmos a rever pensamentos, atitudes, comportamentos e escolhas.
“Uma Cultura de Paz é um conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida baseados: a) No respeito à vida, no fim da violência e na promoção e prática da não-violência por meio da educação, do diálogo e da cooperação; b) No pleno respeito aos princípios de soberania, integridade territorial e independência política dos Estados e de não ingerência nos assuntos; c) que são, essencialmente, jurisdição interna dos Estados, em conformidade com a Carta das Nações Unidas e o direito internacional; d) No pleno respeito e na promoção de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais; e) No compromisso com a solução pacífica dos conflitos; Nos esforços para satisfazer as necessidades de desenvolvimento e proteção do meio ambiente para as gerações presentes e futuras; g) No respeito e promoção do direito ao desenvolvimentos; h) No respeito e fomento à igualdade de direitos e oportunidades de mulheres e homens; i) No respeito e fomento ao direito de todas as pessoas à liberdade de expressão, opinião e informação; j) Na adesão aos princípios de liberdade, justiça, democracia, tolerância, solidariedade, cooperação, pluralismo, diversidade cultural, diálogo e entendimento em todos os níveis da sociedade e entre as nações” (Fonte: Weil, Pierre, A arte de viver em paz. 2002, p. 145-146).
Espero que essas reflexões nos possibilitem praticar um minuto pela cultura de paz e um minuto de paz e provoque em cada um de nós a intenção de promovermos a cultura de paz em todas as dimensões e realidades.
Genivalda Araujo Cravo dos Santos Signatária da URI-Goiás; Doutoranda e Mestre em Ciências da Religião pela UCG/GO. Publicado no dia 19/09/2009 no Diário da Manhã, página 24. Um Minuto pela Cultura de Paz (V)
Um minuto pela cultura de paz (V)
Batista Custódio peço licença para poetizar, pois acredito que o poeta e a poetiza expressam com a alma, com o coração, a partir do simbólico e de forma transdisciplinar. Como o seu convite, olho no olho, foi para escrever com o coração, acredito que um poema seja polissêmico e expresse o imanente, o transcendente, o imaginável e o real.
O poeta e a poetiza que pulsa em nós pode proporcionar a possibilidade do retorno do belo e trazer de volta o mágico, o mito, o encanto, a vida, o sentido e o significado, a cura da alma entristecida pela cultura de violência e pelos seus desdobramentos. Vamos cultivar o jardim das virtudes e valores universais em cada um de nós? Esse é um grande desafio e a conquista é individual no relacional.
No dia 21 de setembro comemoramos o Dia Internacional da Paz, declarado no dia 30 de novembro de 1981 pela ONU. Ainda temos muito que realizar, executar, agir, propor, sensibilizar, começando por cada um de nós.
“Em 21 de Setembro de 2006, por ocasião do Dia Internacional da Paz, Kofi Annan afirmou: Há vinte e cinco anos, a Assembleia Geral [da ONU] proclamou o Dia Internacional da Paz como um dia de cessar-fogo e de não violência em todo o mundo. Desde então a ONU tem celebrado este dia, cuja finalidade não é apenas que as pessoas pensem na paz, mas sim que façam também algo a favor da paz” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Internacional_da_Paz).
Já pensou nesse dia sendo memória das conquistas individuais e coletivas da cultura de paz estabelecida em todas as dimensões das nossas vidas. A comemoração da nossa libertação da cultura de violência e dos seus desdobramentos. A comemoração da felicidade no meio da humanidade, no meio ambiente, no planeta terra. A paz entre as nações, as religiões, as ideologias, as etnias, as famílias... A paz em nossa mente, coração, espírito e corpo.
Eu acredito que nós vamos conseguir. Nós já conseguimos promover a cultura de paz em diferentes momentos históricos. Nós já temos vários exemplos para lembrar a paz. Essas lembranças agradáveis podem nos curar da apatia, da melancolia, da tristeza, da violência simbólica, física, psicológica e espiritual e das injustiças.
Alimentemos o nosso imaginário com lembranças das realizações de cultura de paz. Vamos exercitar um minuto para lembrarmos-nos de algum momento que a paz estabeleceu-se em nosso meio e manifestou-se. O pensamento é poder, o pensamento é energia e ele se materializa, a ciência já comprovou essa premissa.
O poema que transcrevo é de minha autoria e foi criado em um momento de inspiração, após a Caminhada Mundial da Paz, atividade ocorrida em Goiânia no dia 04 de setembro de 2009, no período matutino. Estava no mesmo dia no período noturno participando da abertura oficial do XI Congresso Holístico Internacional e do II Festival Mundial da Paz, no Centro de Convenções no auditório Rio Vermelho. Enquanto aguardava veio-me o desejo de escrever e permiti que as palavras se revelassem e a poetiza renascesse através da sintonia do coração.
Com esse poema homenageio o dia Internacional da paz, o titulo do poema é Caminhada Mundial da Paz:
“Sinergia da paz Momento de sintonizar.
Sinergia da paz Que não é ausência de conflito É saber media-lo É saber modificá-lo.
Sinergia da paz Uma congratulação do diverso, da alegria, da felicidade. Uma congratulação da Paz Envolta pelos diversos, pelos diferentes que querem a Paz e Manifestam a Paz.
Sinergia da paz Um momento de Ser Um caminhante da Paz.
Caminhada mundial da paz Caminhada de diversos jeitos Em diversas redes Em diversas práticas O diferente, A unidade da Paz.
Sinergia da paz Estejamos aonde estejamos Em pensamento Em ação Em espírito Em coração Em energia.
Sinergia da paz A energia que traz a paz A energia que faz a paz A energia que manifesta a paz A sinergia da paz” (Genivalda A. C. dos Santos & Convidad@s).
Que possamos continuar o nosso desafio de um minuto pela cultura da paz, um minuto de cultura de paz. Obrigado por você existir e por ter tido a oportunidade de expressar e escutar com a voz do silêncio e a voz do coração.
Genivalda Araujo Cravo dos Santos Signatária da URI Goiás; Doutoranda e Mestre em Ciências da Religião pela PUC Goiás. Publicado no Jornal Diário da Manhã, 01/10/2009, p. 11. http://www.dm.com.br/materias/show/t/um_minuto_pela_cultura_de_paz_v Fonte: http://www.dm.com.br/materias/show/t/um_minuto_pela_cultura_de_paz_v
Síndrome de Burnout a doença do esgotamento físico, emocional, mental e espiritual
Fonte: http://saude.terra.com.br/interna/0,,OI3954942-EI1497,00-Conheca+a+doenca+do+esgotamento+profissional.html Consultado 08/09/2009.
A LENDA DA MULHER BÚFULO - ENSINAMENTOS XAMÂNICOS PARA CULTURA DE PAZLENDA DA MULHER BÚFALO BRANCO
Um dia, dois jovens guerreiros Sioux estavam caçando nas pradarias do Minesota. Ao subirem uma colina em busca de caça, eles foram surpreendidos ao verem uma jovem mulher, muito bonita surgir diante deles numa nuvem. Retendo o fôlego, eles a observavam. Ela trajava vestes feitas de corça branca. Levava a tiracolo uma sacola de pele e uma pele de búfalo em uma das mãos. Uma pena de águia, trançada nos seus longos cabelos negros, reluzia à luz do sol. Não tema, " disse a mulher, " eu trago paz e felicidade para vocês. Agora me falem, por que vocês estão longe de sua aldeia?"
A graça a beleza dela, incendiou o guerreiro mais velho com pensamentos lascivos, que calou-se. O mais jovem, então respondeu:
-" Nossa aldeia está com falta de comida. " Nós estamos caçando ".
-" Aqui, " ela disse, " leve de volta este pacote aos seus. Diga para os Chefes das sete fogueiras da sua tribo, para reunirem-se na fogueira do conselho e esperarem por mim."
Ao escutar essas palavras, o mais velho deu voz ao seu desejo de acasalar-se com ela, ali mesmo na pradaria, debaixo do sol. No momento em que o guerreiro mais velho tentou agarrá-la, a mulher envolveu-o na pele de búfalo. Uma nuvem envolveu o corpo dele, e quando o pó assentou, no lugar do guerreiro havia um esqueleto recoberto de vermes.
Foi então que Mulher Búfalo Branco, falou ao jovem guerreiro:
-"O homem que olha primeiro a beleza exterior de uma mulher, nunca conhecerá sua beleza divina, pois ele é um cego. Mas o homem que primeiro vê a beleza de seu espírito e sua verdade, esse homem conhecerá o Grande Espírito nessa mulher; se ela quiser deitar-se com ele, ele compartilhará com ela um prazer mais pleno do que poderia imaginar."
-"Você, quando me olhou, não ficou cego com a minha beleza, mas seu primeiro pensamento foi: 'Quem é essa mulher?' 'De onde ela vem?' 'Será ela uma mulher sagrada?'
-"Meu jovem, você também terá o que deseja".
-"Você e seu amigo simbolizam dois caminhos que os homens podem seguir. Se procurar primeiro a sagrada visão do Grande Espírito, estará vendo da mesma maneira que o Criador, e por isso você saberá que aquilo que necessitar da terra chegará às suas mãos. Mas se preferir seguir primeiro, esquecer o Grande Espírito, satisfazer os seus desejos terrenos, você morrerá por dentro".
Foi então que o jovem guerreiro resolveu perguntar quem era ela.
Ela olhou profundamente nos olhos dele e respondeu:
-"Eu sou o Espírito da Verdade. Seu povo me conhece como a Mãe dos Mais Velhos; mas como você pode ver, não sou tão velha assim. Sou a Grande Mãe, que vive dentro de cada Mãe, a moça que brinca em cada criança. Sou a face do Grande Espírito, que seu povo esqueceu. Vim para falar para as nações da planície. Vá para sua aldeia e prepare a minha chegada. Tenho algumas coisas a ensinar, coisas sagradas que sua tribo esqueceu."
O jovem então correu ao seu povo, para transmitir a mensagem de Mulher Búfalo Branco aos Chefes das Sete Fogueiras de sua tribo. Após ouvirem o jovem, toda tribo começou a trabalhar numa enorme cabana, coberta de muitas peles, na qual toda tribo pudesse se reunir.
Quando viram Mulher Búfalo Branco se aproximando pela pradaria, ficaram atônitos. Esperavam por alguém de mais idade. E ela parecia uma donzela, graciosa como a relva que se movia em torno dela no crepúsculo. Seu rosto brilhava como uma luz que falava das flores e das mais finas ervas.
Descalça, como sempre andava nas sua viagens pela terra, ela entrou na grande cabana. Seu vestido de pele de Búfalo Branco irradiava a presença de seu espírito. Sem dizer um palavra, andou em círculo em torno do fogo que ardia no centro da cabana. Cada vez que seus delicados pés tocavam a areia ao redor do fogo, os que a observavam sentiam que cada gesto seu era uma prece de profunda reverência à terra.
Devagar, em silêncio, ela contornou o fogo sete vezes.
Quando por fim ela falou, sua voz era como a canção dos pássaros das pradarias.
-"Sete vezes, andei em sete círculos em torno deste fogo, em reverência e silêncio. O fogo simboliza o amor que arde para sempre no coração do Grande Espírito. É o fogo que aquece cada criatura no mundo. Vocês são como um ser único. Esta cabana, feita de muitas peles, é o corpo de vocês. O fogo que arde no centro dela é o amor de vocês." Parou um momento e, devagar, curvou-se para tirar um graveto incandescente das chamas. "Este fogo é mais forte que qualquer um de vocês. Seu povo esqueceu, o que é mais precioso que a água. Vocês esqueceram suas ligações com o Grande Espírito. Eu vim", disse ela erguendo o graveto, "como um fogo do céu para reavivar a memória daquilo que foi, e fortalecê-los para os tempos que virão."
Pousou novamente o graveto no fogo e pegou uma sacola de pele que trazia.
-"Nesta sacola, trago um cachimbo para ajudá-los a recordarem os ensinamentos que eu trago. Tratem-no sempre com respeito. Levem-no sempre em sacolas das mais finas peles, enfeitadas pela mãos mais reverentes. Ponham neste cachimbo um tabaco sagrado plantado especialmente para esse fim. Fumem-no com um sentimento de gratidão ao Grande Espírito, de cujo sopro vocês receberam a vida. Usem o fumo para representar seus pensamentos, suas orações e aspirações ao Grande Espírito."
Até então ela ainda não tinha aberto a sacola na qual estava o cachimbo. Desatou as tiras de couro que a amarrava, e retirou o cachimbo com tal reverência que todos que estavam na cabana, sentiram o coração transbordando e os olhos cheios de lágrimas.
-"Este cachimbo sagrado, e cada tragada de fumo sagrado que vocês inalam pelo seu tubo, ajudará vocês a recordarem que cada sopro de vocês é sagrado. O fornilho do cachimbo é feito de pedra vermelha. Tem o formato de círculo. Simboliza a Roda Sagrada, o sagrado círculo da vida, o dar e receber, da inalação e da exalação, pelo qual todas as coisas vivas ingressam na vida pelo poder do Grande Espírito."
Pedindo um pouco de tabaco, Mulher Búfalo Branco colocou-o no fornilho do cachimbo dizendo: "Este tabaco, simboliza o mundo das plantas, o musgo das pedras, as flores, as ervas, as folhas das relvas que cobre a colina para que sua mãe não repouse nua ao sol. Vocês estão aqui para cuidar da terra. Suas vidas são acesas pelo mesmo fogo que arde no coração do Grande Espírito." Assim falando, ela colocou um pequeno graveto no fogo para que ardesse como chama viva. "Da mesma forma que acendo esse graveto no grande fogo, assim todo ser humano é uma chama que faz parte do fogo eterno do amor do Grande Espírito."
Devagar, ela tirou o graveto em chamas do fogo, e ergueu-o para que todos o pudessem ver. "Quando vocês viverem em harmonia com o Grande Espírito, sua chama de amor será vivida sempre por aqueles ventos espirituais. Vocês serão tomados de amor pela própria razão da vida! Acenderão o fogo do amor em todos os que encontrarem. Conhecerão o propósito de sua travessia por esse mundo e saberão que o Grande Ser deu uma chama da vida a todos: não para guardarem sua pequenina chama somente para si, amando apenas aquilo que é necessário às suas vidas, mas sim para que pudessem dar o seu amor, e com o fogo desse amor trazer consciência para a terra."
Dizendo isto, ela segurou o graveto bem em cima do fornilho vermelho do cachimbo. Encostou a chama bem no centro do cachimbo, aspirando suavemente pelo tubo até o tabaco incandescer. O cheiro do fumo invadiu o ambiente. "Assim como o tabaco queima neste cachimbo de terra que representa as plantas," continuou Mulher Búfalo Branco, "assim também esse búfalo que vocês vêem entalhados no fornilho de pedra do cachimbo representa as criaturas quadrúpedes que compartilham com vocês esse mundo sagrado. As doze penas que pendem o tubo do cachimbo representam os seres alados com os quais vocês compartilham o grande círculo do céu." Em seguida ela passou o cachimbo ao chefe do conselho dizendo:
-"Tomem este cachimbo. Agradeçam ao Grande Espírito, e passem o cachimbo aos outros do nosso círculo. Que seus pensamentos sejam elevados ao Grande Espírito que vem agora mexer com suas memórias, abrindo os olhos de seus narradores. Cada amanhecer que nasce vermelho no céu do leste, como o fornilho vermelho deste cachimbo, é o nascimento de um novo dia, de um dia sagrado. Lembrem-se sempre de tratar cada criatura como um ser sagrado: as pessoas que vivem além das montanhas, os pássaros, os peixes e os outros animais, todos eles são irmãs e irmãos de vocês. Todos constituem parte sagradas do corpo do Grande Espírito. Tudo é Sagrado."
Neste momento, o cachimbo começa a ser passado de mão em mão. Depois que todos que estavam na cabana deram uma baforada, Mulher Búfalo Branco levantou com reverência o cachimbo para que todos vissem. -"Levem sempre o cachimbo com vocês. Trate-o como um objeto sagrado. Honrem todas as criaturas e vivam suas vidas em harmonia com o Caminho Sagrado do Equilíbrio de que fala cada árvore, cada flor e cada novo dia. Haverá muitas estações nas quais o coração de vocês se sentirá claro e puro como uma nascente nas montanhas, e vocês conhecerão a paz e a alegria do Grande Espírito. Mas, se vocês sentirem que se afastaram da trilha do Caminho Sagrado, se seus corações passarem a pesar dentro de vocês, não percam tempo em arrependimento. Ensinar-lhe-eis uma cerimônia," disse ela acendendo o cachimbo mais uma vez no fogo sagrado, "uma cerimônia que cada um de vocês pode fazer em companhia de outros, a sós em suas tendas, ou lá fora, na pradaria."
Ela deu uma pequena baforada no cachimbo e disse:
-"Parem suas atividades. Procurem uma pedra sobre a qual sentar. Rogando orientação do Grande Espírito. Acendam o cachimbo e deixem que o fornilho vermelho lhes lembre a sagrada escritura, o caminho da vida, o trilho vermelho do sol. Depois de ter aspirado seu fumo em honra do Grande Espírito, em honra da Mãe Terra, em honra dos animais e das pessoas que são fiéis à realidade, depois de ter dado graças as quatro direções, então aspirem uma vez mais para pedirem orientação aos grandes seres alados do mundo dos espíritos. Peça-os para ajudá-los a ver o melhor procedimento a seguir. Peçam para que eles ajudem a vocês fazerem a escolha mais sábia e a reconhecer os passos que devem tomar na trilha que seu EU mais profundo escolher para vocês. Isso permitirá que o fogo que arde dentro de vocês fale em termos claros, sem interrupções. Peça que os seres espirituais que os cercam, entrem em sua vida. Diga-lhes que desejam ajudá-los e ao Grande Espírito no seu trabalho, e perguntem-lhes como fazer isto. Ao ajudarem o Grande Espírito, vocês se ajudarão. Os seres humanos não são inteiramente felizes nem saudáveis senão quando servem aos propósitos para os quais o Grande Espírito os criou."
Novamente ela entregou o cachimbo, para que fosse passado de mão em mão. Durante muito tempo, Mulher Búfalo Branco permaneceu em silêncio, mesmo após ser completado o círculo de baforada no cachimbo. Quando falou novamente, comparou seus ensinamentos a uma árvore; uma árvore que iria florescer à medida que tomavam a si essas coisas, plantando-as no coração de cada um e aplicando-as no dia a dia.
-"Durante longo tempo," ela continuo-o, "vocês viverão sob a sombra sagrada da Árvore da Compreensão que estou plantando nas suas consciências. E, nas gerações vindouras, seu povo estará unido novamente no Sagrado Círculo da Vida. Infelizmente, essa árvore será derrubada depois de algumas gerações. A árvore parecerá morrer. A Roda Sagrada murchará até ser esquecida. Alguns poucos manterão a luz da verdade ardendo nos seus corações, mas a luz será fraca e, mesmo neles, passará a ser uma brasa pequena e imperceptível."
Guardando o cachimbo na sacola, ela continuou: -"Mas a brasinha permanecerá. Em silêncio, continuará. Mesmo quando vocês tiverem sua terras invadidas, vendidas e roubadas. Essa brasa ainda manterá sua luz acesa, e saibam, meu povo: um grande fogo pode sair de uma única brasa!"
"Quando a tempestade passar, essa brasa acenderá um alvorecer mais forte do que qualquer outra alvorada. Uma nova árvore crescerá, mais gloriosa do que esta que agora deixo com vocês. Com o novo alvorecer, eu voltarei e viverei com vocês. Debaixo da sombra dessa árvore, estarão reunidos não somente as tribos vermelhas, mas as tribos brancas, as tribos negras e as tribos amarelas, vindo de todas as direções. Em harmonia, as quatro raças viverão sob os ramos da nova árvore. Tudo que foi quebrado será refeito por inteiro. A Roda Sagrada será consertada. A comida será farta e os espíritos de todas as criaturas alegrar-se-ão na harmonia de uma nova ordem, perfeita. O Grande Espírito, estará atuando dentro das raças, vivendo, respirando, criando através dos povos da terra. A paz virá as nações."
Despediu-se dizendo que voltaria um dia, então transformou-se num Búfalo Branco, e sumiu envolta nas nuvens e nunca mais foi vista.
"Grandes mudanças estão a caminho com o nascimento do Búfalo Branco." Com o nascimento de um Búfalo Branco, em 1994, em Janesville, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos. Torna-se mais próximo o cumprimento da profecia sagrada de que irá surgir uma nova idade de unificação e espiritualidade global, enchendo-nos de uma esperança maior para o novo milênio. MoçãoMOÇÃO DE REPÚDIO AO GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL E AOS QUE COMUNGAM DAS AÇÕES E ATITUDES CONTRA EDUCAÇÃO E A LIVRE EXPRESSÃO E MANIFESTAÇÃO
MOÇÃO DE APOIO AOS EDUCADORES E EDUCADORAS, AO SINDICATO, AOS ESTUDANTES E TODOS QUE DEFENDEM A VIDA COM DIGNIDADE Precisamos de Paz! Precisamos edificar a democracia, o direito humano de manifestar com liberdade, denunciar para conquistar de forma pacifica o que é de direito e repudiar os governantes que não priorizam a educação Básica. Eu Genivalda Araujo Cravo dos Santos, brasileira, cidadã, pesquisadora, educadora e um Ser Humano que defende a Vida, repudio a ação do governo do Distrito Federal, de coibir a liberdade de expressão, de organização e manifestação dos trabalhadores em educação. Assim como qualquer governo que não cumprem o dever de priorizar a educação conforme as declarações internacionais que o Brasil e signatário, a legislação nacional e a declaração universal dos direitos humanos. Acredito que o diálogo é um dos principios fundamentais para que a Paz Prevaleça no Mundo. Mas para isso ocorrer as diretrizes não podem estar traçadas no "eu mando e você obedece", na dualidade e na fragmentação. Acredito que a atitude manifestada pela categoria em Assembleia tenha sido tomada diante do fechamento do governo em negociar e abrir as contas públicas, a receita e os gastos de forma transparente e estabelecer a mesa permanente de negociação para juntos encontrarem alternativas que priorize a Educação. É sagrado em qualquer país democratico que prima pela Justiça, Igualdade, Direitos Humanos e Amor Incondicional garantir a livre manifestação sem utilização de mecanismos violentos, de assédio moral e de intimidação. Como se declarar Cristão e realizar atitudes tão incoerentes e contraditorias com os exemplos deixados pelo Mestre Jesus Cristo. Os estudantes só poderão ser honrados nos seus direitos de terem aulas, de aprenderem e de dividirem os conhecimentos se tiverem juntos a eles/elas profissionais valorizados, qualificados, bem remunerados, respeitados nos seus direitos e deveres. Se os profissionais sentem-se desrespeitados, desmoralizados, esgotados, inseguros, em burnout, coagidos e sem a prerrogativa da livre manifestação, como poderão ensinar os estudantes a serem agentes de mudança, gente que edifica a paz, a justiça, o amor, a vida, os valores humanos? 11 de abril de 2009 11:56 De: silvano pereira neto <silvano13613@gmail.com>
assuntoTODO O MEU APOIO À GREVE DOS PROFESSORES. A greve da categoria ainda nem começou e o Governo do Distrito Federal já está fazendo terrorismo com os professores. Essa é uma velha tática usada com o intuito de desmobilizar os educadores e educadoras que se unem em torno do movimento grevista. Nesse sentido, tentarão ameaçar os professores por meio dos diretores, incentivando a delação, e com o uso da força policial. O Sinpro foi informado de que o Secretário de Educação, José Valente, desesperado com a decretação da greve, mandou uma carta aos diretores pedindo que fizessem uma lista com o nome dos grevistas. Essa lista deveria estar pronta antes da segunda-feira, primeiro dia de paralisação. A intenção com isso seria convocar professores temporários para cobrir as vagas e pressionar os educadores a furarem a greve. O Sinpro repudia essa prática absurda e covarde. E esclarece que os professores, caso sejam contactados, não são obrigados a informar se vão participar do movimento grevista. É importante que cada educador e educadora tenha consciência de seu papel na luta. Os diretores não devem ser submissos às circulares que vão surgir aos montes durante o movimento. Como professores que são, precisam respeitar o direito à greve. O descumprimento a circulares e ordens desse tipo está garantido ainda pela lei 8.102, que rege os vínculos trabalhistas com o GDF. Ou seja, sua função como gestor escolar não está ameaçada por essa espécie de coação. Polícia para quem precisa ? Outra informação que chegou até o sindicato é de que o governador Arruda pediu reforço policial durante os piquetes dos professores nas escolas. Esta é outra prática autoritária, mas que não irá coibir quem está participando do movimento. Os professores sempre apelaram pela paz e pelo diálogo e farão uma greve pacífica, sem aceitar provocações. Afinal, a Lei está do lado da categoria. Quem não a cumpriu foi o GDF. Tranquilize-se - O Sindicato já mobilizou o jurídico da entidade para que, num ou noutro caso, advogados sejam acionados para resolver qualquer pendência. Mas, nesse momento de tensão, a melhor saída ainda é a tranqüilidade. O Sinpro está atento para defender o professor, que deve denunciar diretores que queiram delatar seus companheiros ou qualquer qualquer ação policial violenta. Coragem, coragem , coragemA força invisível e insuperável de quem acredita e luta! A ÁGUIA É VOCÊ A Águia
Fiquemos Alertas! Nem tudo é publicado, revelado ou divulgado pela Ciência e CientistasMudança Magnética na Terra Saiu na imprensa:
A inversão dos pólos começa a dar sinais que está próxima
"LONDRES - O Pólo Norte está de mudança. Cientistas encontraram grandes buracos no campo magnético da Terra, sugerindo que os Pólos Norte e Sul estão se preparando para trocar de posição, numa guinada magnética. Um período de caos poderia ser iminente, no qual as bússolas não mais apontariam para o Norte, animais migratórios tomariam o rumo errado e satélites seriam queimados pela radiação solar. Os buracos estão sobre o sul do Atlântico e do Ártico. As mudanças foram divulgadas depois da análise de dados detalhados do satélite dinamarquês Orsted, cujos resultados foram comparados com dados coletados antes por outros satélites. A velocidade da mudança surpreendeu os cientistas. Nils Olsen, do Centro para a Ciência Planetária da Dinamarca, um dos vários institutos que analisam os dados, afirmou que o núcleo da Terra parece estar passando por mudanças dramáticas. "Esta poderia ser a situação na qual o geodínamo da Terra opera antes de se reverter", diz o pesquisador. O geodínamo é o processo pelo qual o campo magnético é produzido: por correntes de ferro derretido fluindo em torno de um núcleo sólido. Às vezes, turbilhões gigantes formam-se no metal líquido, com o poder de mudar ou mesmo reverter os campos magnéticos acima deles. A equipe de Olson acredita que turbilhões se formaram sob o Pólo Norte e o sul do Atlântico. Se eles se tornarem fortes o bastante, poderão reverter todas as outras correntes, levando os pólos Norte e Sul a trocar seus lugares. Andy Jackson, especialista em geomagnetismo da Universidade de Leeds, Inglaterra, disse que a mudança está atrasada: "Tais guinadas normalmente acontecem a cada 500 mil anos, mas já se passaram 750 mil desde a última". Impacto - A mudança poderia afetar tanto os seres humanos quanto a vida selvagem. A magnetosfera fornece proteção vital contra a radiação solar abrasadora, que de outro modo esterilizaria a Terra. A magnetosfera é a extensão do campo magnético do planeta no espaço. Ela forma uma espécie de bolha magnética protetora, que protege a Terra das partículas e radiação trazidas pelo "vento solar". O campo magnético provavelmente não desapareceria de uma vez, mas ele poderia enfraquecer enquanto os pólos trocam de posições. A onda de radiação resultante poderia causar câncer, reduzir as colheitas e confundir animais migratórios, das baleias aos pingüins. Muitas aves e animais marinhos se guiam pelo campo magnético da Terra para viajar de um lugar para outro. A navegação por bússola se tornaria muito difícil. E os satélites - ferramentas alternativas de navegação e vitais para as redes de comunicação - seriam rapidamente danificados pela radiação solar".
...que está vinculado a esta outra notícia do Jornal de Notícias, de Portugal:
Austrália: Cerca de 200 baleias-piloto encalhadas na ilha de King2009-03-02Sydney, Austrália, 02 Mar (Lusa) - Cerca de 200 baleias-piloto e vários golfinhos ficaram encalhados na ilha de King, no sul das Austrália, informou hoje a rádio ABC. Peritos da Tasmânia viajam rumo àquela ilha, situada entre a Tasmânia e o continente australiano, com esperança de salvar alguns dos cerca de 50 cetáceos que ainda sobrevivem. As baleias e golfinhos começaram a chegar de noite à praia da ilha, perante os olhares de alguns residentes, que avisaram as autoridades. Em finais de Janeiro, 53 cachalotes morreram encalhados e outras 80 baleias-piloto morreram na mesma ilha em Novembro passado. Também em Novembro, outras 65 baleias da mesma espécie encalharam noutra praia do sul da Austrália e só 11 conseguiram voltar para o mau, ajudadas pelas autoridades, ecologistas e voluntários. Os cientistas desconhecem a razão pela qual algumas espécies de baleias perdem a vida nas praias, admitindo que possam ser confundidas pelos sonares potentes de navios ou por seguirem um líder doente e desorientado. Comentário associado: Como podemos notar, os sinais de mudanças estão ficando mais evidentes. Na última notícia acima, os cientistas dão a desculpa que "sonares potentes" teriam matado mais de 150 baleias num intervalo de 4 meses, como se na Ilha de King (sul da Austrália, perto da Tasmânia) tivesse permanentemente navios com sonares tão potentes para causar tamanho estrago. Na hipótese do "lider desorientado ou doente", significaria que ele estaria com alguma dificuldade para se orientar através do campo magnético. O trecho em negrito do primeiro artigo acima mostra que esses animais se movem pela Terra com a ajuda do campo magnético e com ele enfraquecido ou com mudança de posição pode acabar acontecendo isso. Como não querem falar a verdade, fazem uma maquiagem dos fatos, dando desculpas como essas. Portanto, fiquemos atentos aos próximos sinais que a Natureza nos der. Pesquisa de campo - Doutorado em Ciências da ReligiãoNesse linke você pode baixar o QUESTIONÁRIO DE PESQUISA DE CAMPO, solicito a você que está lendo esse material que envie para o meu email a sua contribuição na coleta dos dados e incentive as pessoas da sua mala direta para estarem respondendo, também, e enviando para o meu email. Preciso de muitas mãos para tecer o Holograma da Terapias espiritual religiosa e Qualidade de Vida. Conto com você!
O ENSINO RELIGIOSO NO SISTEMA PÚBLICO DE ENSINOMANIFESTO DA INICIATIVA DAS RELIGIÕES UNIDAS – URI – CC BRASÍLIA SOBRE O ENSINO RELIGIOSO NO SISTEMA PÚBLICO DE ENSINO Brasília, 09 de março de 2009. Circular 27/09 Caros irmãos e Irmãs, A URI – Iniciativa das Religiões Unidas é uma organização fundada em valores humanos universais e dedicada a promover o diálogo e a ação inter-religiosa. A URI está presente em cerca de 70 países desenvolvendo ações comunitárias com a participação de mais de 100 tradições espirituais. A agenda da URI compreende direitos humanos, ecologia, economia justa, Cultura da Paz e a prática do diálogo inter-religioso. O propósito da Iniciativa das Religiões Unidas é promover a cooperação inter-religiosa permanente e cotidiana, para erradicar a violência por motivação religiosa e criar culturas de paz, justiça e cura para a Terra e para todos os seres vivos. Com base em seus princípios e propósitos, a URI Brasília, vem a público se manifestar acerca do processo de implementação do Ensino Religioso no Sistema Público de Ensino do Distrito Federal, o qual vem acompanhando desde a criação da Comissão Conjunta Permanente para o Ensino Religioso – CCPER, entre as Secretarias de Educação e de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal, conforme DIÁRIO OFICIAL do Distrito Federal , n.131, quarta-feira, 9 de julho de 2008, p.11,12 e 19. Recordamos que a URI esteve presente no dia 08 de julho de 2008, na prestigiada solenidade na “Casa da Árvore” na sede do GDF, o “Buritinga”, para a assinatura da portaria que constituiu a CCPER cuja atribuição é de elaborar estudos para subsidiar a implementação do Ensino Religioso - ER , no sistema de Ensino do Distrito Federal, considerando para tanto, o art. 33, da Lei 9.394/96, alterado pela Lei 9.475/97 ( LDBEN), e devendo também considerar o Sistema de Medidas Sócio-Educativas e Sistema Penitenciário do DF. Os estudos da Comissão abrangerão as seguintes áreas temáticas: 1- material didático-pedagógico; 2-orientação metodológica, 3- habilitação de professores e instrutores; 4- estratégia operacional de matrícula. Lembramos ainda que se destaca que a referida Comissão buscará junto a entidades civis, constituídas pelas diferentes denominações religiosas, cooperação técnica e a sua ampla participação nos trabalhos da mesma. Reflitamos um pouco a razão de a URI conclamar a participação de todos o segmentos religiosos, quanto a causa do Ensino Religioso para a cultura de paz entre as diferentes formas de crer no espaço privilegiado da escola. 1- A Lei n. 9.475 foi sancionada em 22 de julho de 1997, ou seja, seis meses após a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de n. 9.394/96, que incluiu o Ensino Religioso no art.33, porém “ sem ônus para os cofres públicos” e com abertura para a sua operacionalização nas modalidades confessional e interconfessional. A primeira Lei citada, teve por objetivo alterar tais dispositivos, uma vez que trouxe implícitas dificuldades de natureza administrativa, política, econômica e pedagógica. 2- A nova redação do art.33 da LDB, com a sanção da Lei 9.475/97, delega maior responsabilidade aos Sistemas de Ensino quanto à definição de conteúdos para o Ensino Religioso, abrindo espaço para a sociedade, representada pelas denominações religiosas, uma vez constituídas em entidade civil, ou seja, com personalidade jurídica. Convém destacar que a constituição desta entidade civil “pelas denominações religiosas” não tem o mesmo significado de uma entidade civil constituída “ de denominações religiosas”, como passou a ser interpretado, em muitos casos, ao ser implantada a citada lei. 3- Na íntegra, os dois parágrafos contidos no art. 1º da Lei 9.475/97 que trazem a definição das responsabilidades, em se tratando dos conteúdos do ensino religioso: “ § 1º - Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos de ensino religioso e estabelecerão as normas para habilitação e admissão dos professores. § 2º- Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso”. (grifo nosso) 4- A referida Lei não esclarece o que se pode entender por “ denominação religiosa”. Porém, não exclui nenhuma delas, sejam cultos, movimentos, grupos, filosofias de vida e outras que integrem uma sociedade pluralista, com as mais diversificadas tradições e manifestações culturais presentes no Brasil. Conseqüentemente, os órgãos legislativos não emitem nenhum parecer sobre a matéria. Considera-se, pelo senso comum, a atenção necessária às diversificadas tendências religiosas, filosóficas e culturais em um país que se considera democrático, republicano, aberto a todos. A atual LDB, por sua natureza, deixa para traz o princípio da soberania, para dar lugar ao da autonomia, incluindo o incentivo a participação da sociedade, especialmente da comunidade educativa, de forma mais abrangente, em todo projeto político-pedagógico que envolva a escola como lugar privilegiado de educação. 5- A Constituição Brasileira de 05 de outubro de 1998 garante o Ensino Religioso com disciplina do currículo escolar, através do art. 210, § 1º com o seguinte dispositivo: “O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”. (grifo nosso) 6- As Diretrizes Nacionais para o Ensino Fundamental no Brasil, após a sansão da LDB, ou seja, da Lei n.9.394/96, são instituídas através da Resolução n. 02, de 7 de abril de 1998, pela Câmara de Educação Básica (CEB) do Conselho Nacional de Educação (CNE). Essas Diretrizes incluem o Ensino Religioso no conjunto das dez áreas de conhecimento que integram o currículo escolar do ensino fundamental, cf. art. 3º, item IV, alínea “a”. As áreas de conhecimento, segundo a Resolução 02/98, estão agrupadas em: Língua Portuguesa, Língua Materna para população indígenas e migrantes, Matemática, Ciências, Geografia, História, Língua Estrangeira, Educação Artística, Educação Física, Educação Religiosa, na forma do art. 33 da Lei 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996, alterado pela Lei n. 9.475 de 22 de julho de 1997. A disciplina Ensino religioso não perdeu a sua configuração primeira como tal, mas foi absorvida e ampliada, em sua natureza e em toda extensão, pela Educação Religiosa enquanto área de conhecimento, nos termos da citada resolução, após o pronunciamento do Parecer 04/98 sobre a matéria em pauta. A religião, como expressão da religiosidade humana, presente em todos os povos e culturas, sempre ocupou um lugar de destaque na vida dos indivíduos e das sociedades humanas, constituindo-se em um segmento da cultura produzida pela humanidade. Portanto, uma educação que vise o desenvolvimento pleno do educando, não pode omitir a educação da religiosidade e o estudo do fenômeno religioso, objeto da disciplina Ensino Religioso. Caríssimos, uma vez conhecedores da legislação do Ensino Religioso e sabedores da importância do mesmo no ambiente escolar, se faz mister uma cobrança ao Governo do Distrito Federal quanto sua efetivação no contexto das escolas públicas, pois, ainda voltando no tempo, foi noticiado em vários jornais de grande circulação à época, que em 2009 haveria o oferecimento do Ensino Religioso enquanto área de conhecimento nas escolas públicas do DF. Até agora pelo que se sabe a promessa não se realizou. Já é público que o atual currículo da rede de ensino do DF não contemplou o Ensino Religioso. Ficaria valendo o antigo currículo de 2002 carregado de confessionalismo, privilegiando somente a fé cristã católica? Em 28 de novembro de 2008, no auditório da escola de Aperfeiçoamento do Profissionais da Educação-EAPE foi realizada a 1ª reunião das Organizações Religiosas com a Comissão Conjunta Permanente para o Ensino Religioso. Foi um primeiro contato para que as Organizações inscritas junto aos trabalhos da Comissão tivessem alguns esclarecimentos acerca da legislação referente ao ER e a maneira como a referida Comissão conduziria o processo de implementação do ER, e desde essa data não houve mais nenhum contato da CCPER com as Organizações inscritas, as quais destacam-se: Associação Vida Inteira (Candomblé), representada pelo Revmº Sr. Francisco Aires Afonso Filho; Associação Brasileira de Arte e Filosofia da Religião Wicca-Abrawicca, representada pela Revmª Srª Márcia Maria Bianchi Prates; Igreja Católica Apostólica Romana – Arquidiocese de Brasília, representada pelo Exmº Revmº Sr. Dom João Braz de Aviz; Federação Espírita do Distrito Federal, representada pela Sra. Terezinha Santana; Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’is, representada pela Srª Neda Monadjem Fatheazan e pela Srª Mary Caetana; Sociedade Teosófica do Brasil, representada pelo Exmº Revmº Sr. Dom Ricardo Lindemann; Centro Budista Tibetano Kagyu Pende Gyamtso, representado pelo Venerável Lama Trinle e pela Drª Miriam Fatiam R.S. da Rosa; Federação Brasiliense e Entorno de Umbanda e Candomblé, representada pelo Sr. Michael Laiso Felix; Movimento dos Focolares, representado pela Srª Telma Aparecida; Associação Cultural Israelita de Brasília, representada pelo Sr.Abrahan Melul e pela Srª Vivienne F.Landwehr; Associação das Famílias para Unificação e Paz Mundial, representada pelo Revmº Sr. João Maria Abreu Breyer Jr; Instituição Religiosa Perfect Liberty, representada pela Srª Lucimar Tavares e pelo Sr. Wagner Amorim; Igreja Batista Central de Brasília, representada pela Srª Kátia Umebara Machado Lopes; Centro Espírita União do Vegetal, representado pelo Sr. Flávio Mesquita da Silva; Legião da Boa Vontade-LBV, representada pela Srª Marina Krieger, Conselho de Pastores do Distrito Federal –COPEV-DF, representado pelo Revmº Pr. Guilherme de Sá Pontes. Obviamente que a URI, enquanto movimento, sempre esteve muito envolvida com a questão do Ensino Religioso aqui no Distrito Federal e em busca de alguma informação por parte da Comissão do Ensino Religioso, fomos até sua Secretaria Geral sediada na EAPE a procura de notícias, e para nossa surpresa vimos que a sala 01 destinada as reuniões fora retomada pela EAPE ficando a Secretaria Geral funcionando agora numa sala menor, sem telefone, o que lamentamos profundamente o fato, pois vemos inviabilizado a continuidade dos contatos e atendimento a toda a sociedade e organizações envolvidas com o processo. Diante de todos os problemas que vimos acompanhando ao longo destes meses, desde sua criação enquanto COPER, problemas estes representados por questões como dificuldades internas relativas à comunicação e real participação e comprometimento dos órgãos envolvidos no GDF na organização dos processos, entre outros, nos faz indagar se não estaria esta Comissão, sendo vítima de uma desestruturação por parte do sistema? Neste sentido, vimos solicitar que cada instituição de fato interessada no Ensino Religioso possa cobrar ao Governo do Distrito Federal, que faça valer o seu compromisso com as Organizações Religiosas presentes na assinatura das Portarias Conjuntas n. 1 e 2 no dia 8 de julho de 2008, no “ Buritinga”. É de suma importância que nosso apoio seja de fato constante para que a Comissão Conjunta Permanente para o Ensino Religioso - CCPER, possa continuar a sua existência e luta, juntamente com todos aqueles que acreditam que a educação sobre o fenômeno religioso, possa contribuir para a construção de culturas da paz. Sendo assim, seguem os endereços onde poderemos enviar nossos ofícios solicitando esclarecimentos sobre o processo de implementação do Ensino Religioso na rede pública de ensino do DF: José Roberto Arruda Governador do Distrito Federal Centro Administrativo do GDF – QNG 18 – área especial – Tag. Norte CEP: 72.130-180 Brasília – DF - Chefe de Gabinete/Dr. Marinaldo Guimarães (Representante do Governador na Comissão) Tel: 3961.4449 E-Mail: estelita.ribeiro@buriti.df.gov.br (Aos cuidados do Chefe de Gabinete Marinaldo Guimarães) Paulo Octávio Alves Pereira Vice-Governador do Distrito Federal - Chefe de Gabinete: Dr. Augusto José Honório de Almeida SHIS QI 05, conj.18, casa 05 – Lago Sul CEP: 70.615-180 Brasília-DF Tel: 3248.1344 E-Mail: vice.governadoria@buriti.df.gov.br Dr.Alírio Neto Secretário de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania Centro Administrativo – QNG 18 – área especial 01 – lote 22 bl 3 sala 2- Tag.norte CEP:72.118-900 Brasília-DF - Gabinete/Subsecretário Adjunto- Dr. Mario Gil Tel: 3355.8296 E-Mail: sula.sejusgdf@gmail.com) José Luiz Valente Secretário de Estado de Educação Anexo do Palácio do Buriti, 9º andar, sala 913 CEP: 70.075-900 Brasília-DF Gabinete: 3355.8630/8693 ( tratar com José Andrade) E-Mail: jl.valente@uol.com.br Promotoria de Defesa da Educação: Tel: 3348-9000 Atenciosamente, Elianildo Nascimento URI BRASÍLIA - Tel: 55 61 3340.4095 - 9633.8420 – E-Mail: elianildonascimento@yahoo.com.br www.uri.org – www.uri.org/americalatina Despertar da Consciência: mensagem MetratronEu, Genivalda, endosso essas instruções, ensinamentos e canalização.
Queridos irmãos na luz!!! "Isto é especialmente verdadeiro para aqueles que nasceram nos anos chamados anos de "Baby Boomer", os anos 50 e 60, pois estão entrando no seu 6º a 9º ciclo biológico de sete anos." Bjs de luz!!! Táta METATRON - Metatron é a manifestação visível da Divindade como o "manto" do Pai. É o Senhor Todo Poderoso e Eterno, e a Voz Divina do Pai. É o Criador dos mundos exteriores. É o instrutor e guia de Enoch e o Criador das Chaves de Enoch. É o Arcanjo mais elevado que governa todos os seres vivos, os seres vivos abaixo e os seres vivos acima, todos estão escondidos dentro dele e emanam dele. AS CHAVES METATRÔNICAS DE 2009 Uma mensagem de Metatron canalizada por Tyberonn em 5 de janeiro de 2009 Saudações! Eu Sou Metatron, Senhor da Luz, e saúdo c | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||