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    Síndrome de Burnout - Divulgação da pesquisa no mestrado


    Goiânia, 20.02.2009

    Na sala de aula, o abismo emocional

    Cerca de 6 mil professores em Goiás sofrem com efeitos e desinformação sobre a ‘Síndrome de burnout’

    Carla Borges (*)

             A ‘Síndrome de burnout’, doença ocupacional grave que se caracteriza pelo esgotamento do profissional, atinge 15,7% dos professores da Região Centro-Oeste. É o que mostra uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), feita com 8 mil professores de educação básica da rede pública. Em Goiás, aplicando o porcentual apurado no estudo, conclui-se que a doença atinge quase 6 mil docentes, considerando os 30.968 professores efetivos da rede estadual e cerca de 8 mil contratos temporários. Na rede municipal de Goiânia, o número chega a 1,1 mil profissionais.

             Também chamada por estudiosos de “Síndrome da desistência”, a ‘Síndrome de burnout’ manifesta-se como intenso sofrimento causado por estresse laboral crônico. Ela atinge diversas categorias profissionais, especialmente os que dependem de constante contato interpessoal. Embora seja pesquisada no mundo todo desde a década de 1970, a doença ainda é desconhecida e frequentemente confundida com outros problemas, como estresse e depressão. Os professores estão entre os que concentram a maior quantidade de estudos.

             “A sensação é de que as baterias arriaram, é de ficar completamente sem energia”, compara a professora Genivalda Araujo Cravo dos Santos, de 42 anos, 17 deles como professora de História das redes estadual e municipal. Ela conhece a doença de perto tanto como profissional quanto como pesquisadora. Depois de concluir, em 2004, o mestrado em Ciência da Religião pela Universidade Católica de Goiás (UCG), defendeu dissertação intitulada “Educação, profissão perigo: Burnout, depressão e o tratamento espiritual no espiritismo”, ela voltou para a sala de aula.

             “Percebi que estava exausta, chegando ao meu limite. Atribuí o problema à escola onde eu estava. Pensava que quando mudasse de escola conseguiria ter de volta o antigo pique”, conta.

     

    Peregrinação

    Começava a peregrinação da professora, mas, ao contrário do que ela imaginava, o problema estava em seu íntimo. “Percebi que a questão não era de mudar de ares. O problema estava presente em todas as escolas pelas quais passei”, diz. Foi então que Genivalda aceitou o desafio de conhecer mais de perto o mal que levou tanto sofrimento para sua vida e também para as das várias pessoas que ela entrevistou em sua pesquisa de mestrado. Além do desconhecimento e do preconceito em relação à síndrome, ela percebia, durante as entrevistas e em palestras que realizava, o lado visível para olhares sensíveis do burnout. “Olhava para meus colegas e enxergava a morte no olhar deles.”

             Hoje, Genivalda conta que gerencia a ‘Síndrome de burnout’. “Tenho consciência do que estou passando, por isso busco alternativas para minimizar os sintomas”, conta. Além de cuidar dos cinco cachorros de estimação, Genivalda há dois anos faz shiatsu – um tipo oriental de massagem terapêutica – e encontrou alívio também na meditação, na visualização e em caminhadas, de preferência em contato com a natureza.

     

    Estrutura

    Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Goiás (Sintego), Iêda Leal afirmou ao jornal “O Popular” que a falta de estrutura das escolas da rede pública tem relação direta com os problemas ocupacionais de uma maneira geral. “Não há material adequado e é grande o número de alunos por docente. Essas são questões que vêm enfraquecendo a saúde do trabalhador”, pondera.

             Iêda destaca que os trabalhadores em educação estão adoecendo no exercício da função e não por outras causas. “É muito grande o número de licenças médicas e isso tem de ser melhor estudado”, alerta. Embora tenha sido oficialmente reconhecida como doença ocupacional pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) há cerca de um ano, a ‘Síndrome de burnout’ ainda é frequentemente confundida com outras doenças nas juntas médicas. “Muita gente acha que o professor não quer trabalhar, mas não é isso”, diz a sindicalista.

             A Presidente do Sintego enfatiza que é preciso que os gestores criem equipes para dar o atendimento necessário para os trabalhadores atingidos por essas doenças. “Não são propositais. O esgotamento físico e emocional é visível.”

             Uma prova do preconceito que cerca a “Síndrome de burnout” é o medo que os pacientes têm de serem reconhecidos e discriminados. O jornal “O Popular” abordou cinco profissionais com a síndrome, mas todos se esquivaram de contar seus dramas, mesmo na condição do anonimato.

                   

    Esforço excessivo pode levar à síndrome

             A ‘Síndrome de burnout’ é um estado de exaustão total decorrente de esforço excessivo e contínuo. Os três sintomas que a caracterizam são exaustão emocional, baixa realização profissional e despersonalização. A psicóloga Nádia Maria Beserra Leite, autora da pesquisa que apontou a prevalência da ‘Síndrome de burnout’ em 15,7% dos professores da Região Centro-Oeste, explica que a exaustão emocional é o primeiro sintoma.

             “O docente percebe o esgotamento da energia e dos recursos emocionais; não consegue mais se doar”, explica Nádia. Diante do incômodo e da incapacidade em lidar com a sensação, a pessoa desenvolve mecanismos de defesa, dos quais o principal é o distanciamento de sua atividade. Mesmo que continue presente fisicamente em sala de aula, por exemplo, é como se não estivesse lá.

     

    Companheirismo

    Para Nádia, a despersonalização é o lado mais problemático da síndrome, pois recai diretamente no aluno. Ela tem particular preocupação pela presença da doença em professores analisados de educação básica. “Esse período escolar acompanha uma fase essencial da formação do indivíduo. É quando a relação aluno-professor é mais necessária para a aprendizagem e o desenvolvimento integral do aluno”, observa.

             A pesquisa também apontou como medidas para reduzir os efeitos da síndrome o companheirismo e a cooperação no ambiente de trabalho. Nádia Leite analisa que o grande mérito do trabalho é mostrar, de forma científica, que é mais difícil enfrentar sozinho o problema.

     

    Entenda a ‘Síndrome de burnout

    O que é

    Uma das consequências mais marcantes do estresse profissional, a ‘Síndrome de burnout’ se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional). O termo ‘burnout’ é uma composição de ‘burn’ (queima) e ‘out’ (exterior), indicando que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço. A representação gráfica internacional é de um palito de fósforo todo queimado. A síndrome é frequente em profissionais que mantém uma relação constante e direta com outras pessoas.

     

    Sintomas

    Físicos

    ·        Fadiga constante e progressiva

    ·        Distúrbios do sono

    ·        Dores musculares ou osteomusculares

    ·        Dores de cabeça, enxaquecas

    ·        Perturbações gastrointestinais

    ·        Imunodeficiência

    ·        Transtornos cardiovasculares

    ·        Distúrbios do sistema respiratório

    ·        Disfunções sexuais

    ·        Alterações menstruais nas mulheres

    Psíquicos

    ·        Falta de atenção e concentração

    ·        Alterações de memória

    ·        Lentificação do pensamento

    ·        Sentimento de alienação

    ·        Sentimento de solidão

    ·        Impaciência

    ·        Sentimento de insuficiência

    ·        Baixa autoestima

    Comportamentais

    ·        Negligência ou excesso de escrúpulos

    ·        Irritabilidade

    ·        Incapacidade para relaxar

    ·        Dificuldade de aceitação de mudanças

    ·        Perda da iniciativa

    ·        Comportamento de alto risco

    ·        Aumento de consumo de substâncias

    ·        Suicídio

    Defensivos

    ·        Tendência ao isolamento

    ·        Sentimento de onipotência

    ·        Perda do interesse pelo trabalho e até pelo lazer

    ·        Absentismo

    ·        Ironia, cinismo

     

    Fonte: Genivalda Araújo Cravo dos Santos

     

    Gestores sugerem ações em grupo e terapia

             A secretária estadual de Educação, Milca Severino Pereira, reconhece a grande incidência da ‘Síndrome de burnout’ entre professores e aponta a relação estreita desse quadro com as condições adversas da educação, não só em Goiás, mas no Brasil e na América Latina. “São condições sociais adversas”, diz. A síndrome, pondera Milca, atinge profissionais que lidam diretamente com as mazelas sociais, por isso sua incidência tão grande em professores, médicos e policiais. Outros profissionais também estão sujeitos, como os promotores públicos. É o caso de uma profissional de 37 anos, que teve de ser readaptada de função por um ano porque simplesmente não conseguia mais desempenhar com tranquilidade e eficiência a sua função.

     

             “A imagem de forte é inerente ao promotor público. Mas a doença me ajudou a perceber que não deixo de ser forte por ser sensível aos dramas com os quais lido no trabalho. Meu caso é o primeiro com diagnóstico no MP. Vários colegas se identificam e se manifestam. É preciso trabalhar a prevenção.”

    Promotora de justiça, 37 anos, readaptada de função por um ano em cargo administrativo por causa da doença

     

             “Um operador da bolsa de valores tem um alto nível de estresse, mas não vai apresentar essa síndrome e sim outros transtornos, porque não lida com mazelas sociais”, compara a secretária. “O professor atua em uma área em que busca, com criatividade, alimentar sonhos. Todo professor sonha em melhorar a qualidade de vida das pessoas por meio da educação”, afirma.

             A Secretaria Estadual da Educação (SEE) não tem um programa específico para prevenção ou tratamento de doenças como a ‘Síndrome de burnout’, embora reconheça o aumento de sua incidência. Milca diz que tem buscado estabelecer possibilidades para criar um clima de socialização nas escolas, com ênfase para programas especiais de interação com a comunidade e trabalho em grupo. “As ações preventivas na escola, que estimulam o trabalho coletivo, são um antídoto eficiente”, acredita a secretária.

             A Secretaria Municipal de Educação de Goiânia indicou a Secretaria de Administração e Recursos Humanos, que é onde são concedidas as licenças médicas, para falar sobre o assunto.

             A diretora de Assistência ao Servidor da Secretaria de Administração, Rejane Mesquita Carvalho, conta que o departamento oferece tanto ações de prevenção como de tratamento não só para ‘burnout’ como para outras doenças ocupacionais. O centro oferece acompanhamento psicológico, de terapia, fisioterapia e fonoaudiologia. “Muitas vezes é essencial o apoio de um psicólogo e aqui o servidor encontra.”

     

    NA HISTÓRIA

    Questionário polêmico

     

             No final de 2004, a aplicação de questionários para o ‘Diagnóstico Integrado do Trabalho (DIT)’ de servidores da Secretaria Estadual da Educação (SEE) provocou tanta polêmica que a pesquisa acabou não tendo resultado. Entre as doenças ocupacionais que se procurava quantificar, segundo a SEE, estava a ‘Síndrome de burnout’.

             Questões como “vejo sérios problemas com minha sexualidade”, “gostaria de nunca sentir necessidade de sexo”, “sinto vergonha de meus desejos sexuais” e “frequentemente, quando estou fazendo amor, me pergunto o que estou fazendo ali” figuravam no rol das que deveriam ser respondidas. Professores chegaram a ingressar com ações judiciais contra o questionário, que consideraram uma invasão de privacidade.

             O Ministério Público (MP) estadual também questionou o levantamento da SEE. Além das questões, consideradas invasivas, também pesou o fato de os professores terem de se identificar, dando o número do CPF.

             O DIT também foi elaborado pelo Laboratório de Psicologia do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB), sob coordenação do psicólogo e pesquisador Wanderley Codo.

     

    Fonte: Jornal “O Popular”, de Goiânia, edição de 09.02.2009, Pág. 3 /Cidades Texto da jornalista Carla Borges

    De: JALES RODRIGUES NAVES
    Enviada: sex 20/02/2009 09:56
    Assunto: Matéria discute mal que atinge professores (Síndrome de burnout) e cita trabalho de Mestrado da UCG

    UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS
    PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO
    (MESTRADO E DOUTORADO)
    Av. Universitária, n.° 1069, St. Universitário
    74.605-010 Goiânia/GO - Brasil
    (62) 3946-1673 - E-mail: pcr@ucg.br

    Começa o FSM da Saúde em Belém

    25/1/2009 15:48

    Começa o FSM da Saúde em Belém

    Da Redação
    Agência Pará

    Pessoas de diversos países lotaram o Ginásio de Esportes do Campus II, da Universidade do Estado do Pará, durante a abertura do III Fórum Social Mundial da Saúde. O encontro iniciou neste domingo 25, com as discussões para a construção de sistemas universais de saúde e seguridade social. A cerimônia contou com a presença de representantes de comitês e movimentos de saúde do Fórum e dos governos federal, estadual e municipal. O evento constitui-se em um espaço temático vinculado ao Fórum Social Mundial, que começa na próxima terça-feira 27, em Belém.

    Cerca de duas mil pessoas foram inscritas no evento. Entre os países credenciados estão México, Guatemala, Nicaraguá, Colômbia, Argentina, Paraguai, Estados Unidos, Índia e Nigéria. São representantes de movimentos sociais, ONGs e outras entidades militantes da saúde que estarão discutindo até 27 de janeiro as propostas para uma agenda política de ações que garantam o direito à saúde e à seguridade social. "Esse terceiro fórum vem confirmar o desejo de que a saúde não deve ser pensada como mercadoria, numa relação de compra e venda, mas como um direito universal dos povos. Que possamos sair daqui com uma agenda importante para a saúde mundial", disse o secretário executivo do FSMS, Valdemir Both.

    O FSMS é organizado pelo Comitê Internacional, com o apoio da Uepa, que cedeu os espaços para a realização do encontro. A reitora Marília Brasil Xavier, deu as boas vindas aos participantes e agradeceu o apoio dos mais de cem voluntários que estarão trabalhando durante esses três dias. "É uma honra pra nós participarmos deste momento, no qual haverá intercâmbio de conhecimentos sobre os sistemas de saúde e seguridade universais. Pra nós que somos da Uepa, enquanto instituição formadora, é uma oportunidade ímpar estarmos participando da construção de uma nova consciência, de uma nova era, neste espaço de discussão que tem que ser valorizado", enfatizou.

    A programação seguiu com a apresentação de painéis e a discussão dos grupos de trabalho. O primeiro painel destacou a crise mundial e os reflexos na saúde e na seguridade social do atual modelo de desenvolvimento econômico. A psicóloga Sônia Fleury, presidente do Centro de Estudos Brasileiros da Saúde, fez uma abordagem sobre as influências do modelo econômico adotado pelo governo passado. "O modelo neoliberal deixou marcas e hoje não podemos ser ingênuos em achar que vamos resolver de imediato os problemas da saúde", argumentou. Ela destacou ainda que os interesses e sujeitos políticos estão fragmentados e isso dificulta a construção de políticas de seguridade social universais.

    Na segunda-feira 26, a programação do III FSMS continua com a realização de um ato político para o lançamento da campanha pelo reconhecimento do SUS como Patrimônio da Humanidade e lançamento da I Conferência Mundial para o Desenvolvimento de Sistemas Universais de Saúde e Seguridade Social. Estarão presentes no lançamento o ministro da Saúde, José Gomes Temporão; o secretário Geral da Presidência do Brasil, Luiz Dulci; a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, e representante da OPAS, do Comitê Executivo Internacional do FSMS e de lideranças de movimentos sociais nacionais e internacionais.

    Programação - Dia 26/01

    08h30 - Ato político para o lançamento da campanha pelo reconhecimento do SUS como Patrimônio da Humanidade e lançamento da I Conferência Mundial para o Desenvolvimento de Sistemas Universais de Saúde e Seguridade Social.

    Participantes:

    Governadora do Pará - Ana Júlia Carepa

    Ministro da Saúde - José Gomes Temporão

    Secretário Geral da Presidência do Brasil - Luiz Dulci

    Representante da OPAS, do Comitê Executivo Internacional do FSMS e de lideranças de movimentos sociais nacionais e internacionais.

    Texto: Ascom Uepa

    Fonte: http://www.agenciapara.com.br/exibe_noticias_new.asp?id_ver=38578

    Consulta: 26/01/2009 Ás 10h07’

    Cata Magna, Objetivos, Príncipios Éticos da Unipaz e Transdisciplinaridade





    1. CARTA MAGNA DA UNIPAZ

    1 - A Universidade Holística Internacional UnHI, antes de qualquer definição particular, deseja formar uma grande corrente de amizade e cooperação entre os diferentes centros e universidades do mundo, inspirados pela perspectiva holística.

    2 - Esta corrente se concretizará por uma rede espontânea, organismo mais que organização, procurando favorecer abertura e desenvolvimento de outras realidades do ser, de vida e de consciência.

    3 - Na origem deste movimento, reconhecemos como fundamental o paradigma holístico. Este paradigma considera cada elemento de um campo como um evento refletindo e contendo todas as dimensões do campo (cf. a metáfora do holograma). É uma visão na qual o todo e cada uma das suas sinergias estão estreitamente ligadas em interações constantes e paradoxais.

    4 - A Universidade Holística Internacional pretende explorar a sincronicidade entre:
    - A emergência deste novo paradigma nas ciências físicas, biológicas e humanas
    - A visão de sabedoria do Oriente e do Ocidente.
    - A receptividade e o despertar crescente de um grande número de contemporâneos.

    5 - A abordagem holística se manifesta pelas seguintes características:
    - Ao mesmo tempo que reconhece o seu nível relativo, ela integra e ultrapassa as diversas formas de dualidade e dialética.
    - Ela estimula essa integração e transcendência não somente pelo seu apoio à pesquisa racional e experimental, mas também pela abordagem das vias tradicionais, intuitivas e experienciais de acesso direto a um nível transpessoal da realidade, evitando extrapolações prematuras.
    - Sempre respeitando a liberdade de escolha e facilitando o acesso, por um contato preliminar, com cada uma das vias, ela estimula e encoraja a pesquisa de novos caminhos adaptados à realidade do Homem do Terceiro Milênio.
    - Ela reconhece que a alegria e a felicidade que visa todo ser se encontra na descoberta de sua verdadeira natureza e na expressão constante da sabedoria, do amor, do respeito de si mesmo e de todos os seres.

    6 - A UnHI reconhece e apoia toda tentativa planetária, toda associação ou organização internacional, transnacional ou local, que vise reestabelecer pontes sobre todas as formas de fronteiras artificialmente criadas e mantidas pelo espírito humano, pontes sobre tudo o que divide os homens atomiza o coração e a vida.

    7 - Reconhecendo todos os aspectos da abordagem holística, a UnHI orienta a inspiração que lhe é dada através de certo número de pontos específicos:
    I) Colaborar com as diferentes redes já existentes no planeta para:
    a) Reconhecimento mútuo das ligações que as unem.
    b) Propostas de modos de ação para libertar essas organizações de seus próprios isolamentos.
    c) Formação dinâmica de uma rede internacional ou transnacional de redes nacionais.
    d) Organização de simpósios, colóquios internacionais e debates.

    II) Unir esforços das redes sobre os planos regionais, nacionais e internacionais tendo em vista a concepção e realização de nível universitário de uma equipe itinerante constituída por pessoas suficientemente compenetradas na perspectiva holística, para poder catalisar ou dirigir esta abordagem em Medicina, Educação, Psicologia, Arte, Antropologia, Paz Internacional, Desenvolvimento Organizacional.

    III) Estimular e financiar projetos de pesquisas sob a perspectiva holística e sobre os novos métodos de abordagem holística (Arte, Filosofia, Ciências, etc...).
    IV) Estimular e financiar novos meios de realização (Informática, Áudio Visual, etc.).
    V) Encorajar e financiar projetos educativos destinados a crianças.

    8 - A UNHI ocupará um espaço de relações não localizadas em ligação com os diferentes centros preservando a autonomia, identidade e própria organização destes. Em função de seus estatutos a UnHI poderá delegar o título “Universidade Holística” às organizações que o requererem.

    9 - O universal e o particular não estando na perspectiva holística de maneira antinômica leva a UnHI a respeitar a identidade cultural de cada povo e nação como patrimônio da comunidade humana em seu conjunto.

    10 - Consciente dos perigos do englobamento e da fragmentação (Totalitarismo e Reducionismo) a UnHI pretende combinar o rigor necessário à análise do particular e a abertura necessária à intuição da interligação inerente a todas as coisas (Holos).

    11 - A UnHI consciente dos perigos do sectarismo e da ideologia deseja permanecer livre de todas as formas de dependência quer sejam elas, de ordem política, doutrinária ou religiosa.

    12 - Os membros da UnHI se comprometem a respeitar os diferentes artigos desta carta magna.

    2. OBJETIVOS DA UNIPAZ

    Atuar na área do desenvolvimento pleno do ser humano, no seu relacionamento consigo mesmo e com o meio ambiente natural e social é um dos objetivos básicos da UNIPAZ. Isso visando à busca de novas percepções para a prevenção, preservação e recuperação de sua saúde física, emocional, mental e espiritual. Esses objetivos se concretizam através do estabelecimento de canais de comunicação com a população, de atividades de conscientização e educasção e da promoção de pesquisas e trabalhos de campo, que façam com que a população evolua na sua consciência individual e coletiva.
       A base desses objetivos está alicerçada em três documentos aprovados em foruns internacionais: "Declaração de Veneza" da UNESCO (1986), a "Declaração de Brasília" (1987) e a "Declaração de Canela" (1992). Esses documentos alertam para a necessidade de uma nova conscientização planetária, visando a uma educação para a Paz, dentro de uma visão holística que inclua o ser humano, a natureza e o encontro da ciência, arte, filosofia e tradições espirituais.
    Dentro desse espírito, a UNIPAZ se propõe a formar uma nova geração de jovens e adultos com mentalidade e novos valores adequados às necessidades do Terceiro Milênio, consagrada a buscar o bem supremo da Paz. Assim como no século XV a Escola de Sagres, na Europa, preparava os navegadores para a descoberta do Novo Mundo, a UNIPAZ pretende contribuir na preparação dos navegadores da Nova Era, dentro do espírito de um antigo termo latino "Pontifex", que significa "construtor de pontes".

    3. PRINCÍPIOS ÉTICOS DA UNIPAZ:

    OS PRINCÍPIOS ÉTICOS DA UNIVERSIDADE HOLÍSTICA INTERNACIONAL - UNIPAZ

    Inspirando-se, sobretudo, nos valores de preservação da vida, alegria, cooperação, amor, criatividade, sabedoria e transcendência, traduzidos por ações efetivas, agrupadas abaixo nas categorias de inteireza, inclusividade e plenitude, a Universidade Holística Internacional postula os seguintes princípios éticos:

    I - INTEIREZA

    Princípio 1
    Estar atento à utilização da terminologia holística (do grego Holos: inteiro), levando em conta que o novo paradigma considera cada evento como sendo uma parte e um reflexo do todo, conforme a metáfora do holograma. É uma visão na qual o todo-e-as-partes estão sinergicamente em inter-relações dinâmicas, constantes e paradoxais.

    Princípio 2
    Cultivar discernimento, tolerância, respeito, alegria, simplicidade e clareza nos encontros entre representantes das Ciências, Filosofias, Artes e Tradições Espirituais, necessários para a abordagem transdisciplinar em equipe.

    Princípio 3
    Focalizar com abertura e exame crítico a complementaridade e a contradição na consideração do relativo e do absoluto, da vida quantitativa e da qualitativa, a serviço da vida, do homem e da evolução.

    II - INCLUSIVIDADE

    Princípio 4
    Respeitar a fonte das Ciências, Filosofias, Artes e Tradições Espirituais, ao mesmo tempo que a singularidade destas.

    Princípio 5
    Reconhecer e respeitar cada ser e cada cultura como manifestações da realidade plena.

    Princípio 6
    Levar em consideração o fato de que o produto de toda criatividade não tem, em última instância, nenhum proprietário, respeitando, contudo, os autores individuais e coletivos.

    III - PLENITUDE

    Princípio 7
    Ser solidário com o outro na satisfação de suas necessidades de sobrevivência e de transcendência.

    Princípio 8
    Colaborar com o outro na preservação do bem comum e na convivência harmoniosa com a natureza.

    Princípio 9
    Buscar um ideal de sabedoria indissociado da dimensão do amor e do serviço.




      Cientistas, médicos, antropólogos, educadores, filósofos e escritores de 16 países reuniram-se em Veneza (Itália) de 03 a 07 de março de 1986 no 1º Fórum da UNESCO sobre Ciência e Cultura para responder a uma das mais importantes indagações deste final de século: que caminhos a humanidade deveria trilhar para evitar sua autodestruição e salvar o Planeta? Desse simpósio surgiu a "Declaração de Veneza", um dos mais importantes documentos da nossa história contemporânea que resume os desafios do nosso tempo. Entre os seis tópicos da "Declaração", os 19 signatários alertam para o abismo existente "entre uma nova visão do mundo que emerge do estudo de sistemas naturais e os valores que continuam a prevalecer em filosofia, nas ciências sociais e humanas e na vida da sociedade moderna, baseados num determinismo mecanicista".       Segundo os signatários, "a maneira convencional de ensinar ciência não permite que se perceba a separação entre a ciência moderna e as visões do mundo hoje superadas". Por isso, reforçam a complementariedade entre Ciência e Tradição, a necessidade da pesquisa autenticamente transdisciplinar e a busca de harmonia com as grandes tradições culturais. Foram signatários os representantes do Brasil, Guana, Suíça, Itália, França, Índia, México, Israel, Japão, Suécia, Paquistão, Nigéria, Canadá, Srilanca e Estados Unidos.

    4. I FÓRUM DA UNESCO SOBRE CIÊNCIA E CULTURA E AS FRONTEIRAS DO CONHECIMENTO: PRÓLOGO DO NOSSO PASSADO CULTURAL

    Veneza, Itália, 3 a 7 de março de 1986

    Em cooperação com a Fondazione Giorgi Cini, a UNESCO promoveu em Veneza Itália, de 3 a 7 de março de 1986, um Simpósio sobre "Ciência e as fronteiras do conhecimento: prólogo do nosso passado cultural". O Simpósio, que reuniu 19 participantes de todas as partes do mundo e de distintas especialidades, culminou com um documento que sintetiza as discussões havidas e que passou a ser conhecido como a

    DECLARAÇÃO DE VENEZA

    1. Estamos testemunhando uma importante evolução no campo das ciências, resultante das reflexões sobre ciência básica ( em particular pelos desenvolvimentos recentes em física e em briologia), pelas mudanças rápidas que elas ocasionaram na lógica, na epistemologia e na vida diária mediante suas aplicações tecnológicas. Contudo, notamos ao mesmo tempo um grande abismo entre uma nova visão do mundo que emerge do estudo de sistemas naturais e os valores que continuam a prevalecer em filosofia, nas ciências sociais e humanas e na vida da sociedade moderna, valores amplamente baseados num determinismo mecanicista, positivismo ou hilismo. Acreditamos que essa discrepância é danosa e, na verdade, perigosa para a sobrevivência de nossa espécie.

    2. O conhecimento científico, no seu próprio ímpeto, atingiu o ponto em que ele pode começar um diálogo com outras formas de conhecimento. Nesse sentido, e mesmo admitindo as diferenças fundamentais entre Ciência e Tradição, reconhecemos ambas em complementaridade e não, em contradição. Esse novo e enriquecedor intercâmbio entre ciência e as diferentes tradições do mundo abre as portas para uma nova visão da humanidade e, até, para um novo racionalismo, o que poderia induzir a uma nova perspectiva metafísica.

    3. Mesmo não desejando tentar um enfoque global, nem estabelecer um sistema fechado de pensamento, nem inventar uma nova utopia, reconhecemos a necessidade premente de pesquisa autenticamente transdisciplinar mediante uma dinâmica de intercâmbio entre as ciências naturais, sociais, arte e tradição. Poderia ser dito que esse modo transdisciplinar é inerente ao nosso cérebro pela dinâmica de interação entre os seus dois hemisférios. Pesquisas conjuntas da natureza e da imaginação, do universo e do homem, poderiam conduzir-nos mais próximo à realidade e permitir-nos um melhor enfrentamento dos desafios do nosso tempo.

    4. A maneira convencional de ensinar ciência mediante uma apresentação linear do conhecimento não permite que se perceba o divórcio entre a ciência moderna e visões do mundo que são hoje superadas. Enfatizamos a necessidade de novos métodos educacionais que tomem em consideração o progresso científico atual, que agora entra em harmonia com as grandes tradições culturais, cuja preservação e estudo profundo são essenciais.

    A UNESCO deve ser a organização apropriada para procurar essa idéias.

    5. Os desafios de nosso tempo o risco de destruição de nossa espécie, o impacto do processamento de dados, as implicações da genética, etc. jogam uma nova luz nas responsabilidades sociais da comunidade científica, tanto na iniciação quanto na aplicação de pesquisa. Embora os cientistas possam não ter controle sobre as aplicações das suas próprias descobertas, eles não poderão permanecer passivos quando se confrontando com os usos impensados daquilo que eles descobriram. É nosso ponto de vista que a magnitude dos desafios de hoje exige, por um lado, um fluxo de informações para o público que seja confiável e contínuo e, por outro lado, o estabelecimento de mecanismos multitransdisciplinares para conduzirem e mesmo executarem os processos decisórios.

    6. Esperamos que a UNESCO considere este encontro como um ponto de partida e encoraje mais reflexões do gênero num clima de transdisciplinaridade e universidade.

    Signatários: A.D. Akeampong (Ghana; físico-matemático); Ubiratan D’Ambrósio (Brasil; educador matemático); René Berger (Suíça, crítico de arte); Nicoló Dallaporta (Itália; físico); Jean Dausset (França; Prêmio Nobel de Medicina); Maitraye Devi (Índia;poetisa); Gilbert Durand (França; filósofo); Santiago Genovês (México; antropólogo); Akshai Margalit (Israel; filósofo); Yujiro Nakamura (Japão; filósofo); David Ottoson (Suécia;Presidente do Comitê Nobel de Filosofia); Abdus Salam (Paquistão; Prêmio Nobel de Física); L.K. Shayo (Nigéria; matemático); Ruppert Sheldrake (Inglaterra; bioquímica); Henry Stapp (USA; físico); David Suzuki (Canadá; geneticista); Susantha Goonatilake (Sri Lanka; antropologia cultural); Besarab Nicolescu (França; físico); Michel Random (França; escritor); Jacques Richardson (USA; escritor); Eiji Hattori (UNESCO; Chefe do Setor de Informações); V.T. Zharov (UNESCO; Diretor da Divisão de Ciências).

    Fonte:

    http://www.unipaz.org.br/noticias/carta.htm

    http://www.unipaz.org.br/noticias/pricipios.htm

    http://www.unipaz.org.br/noticias/forum.htm

    Consulta: 19/01/2009 às 17h

     

     

    Médicos e hospitais começam a adotar a espiritualidade e a esperança como recursos para o combate de doenças

    Escrito por Revista Isto É   

    Qua, 20 de Agosto de 2008 10:24

    Médicos e hospitais começam a adotar a espiritualidade e a esperança como recursos para o combate de doenças

    ADRIANA PRADO E GREICE RODRIGUES Colaborou Cilene Pereira 

    Há uma revolução em curso na medicina que mudará para sempre a forma de tratar o paciente. Médicos e instituições hospitalares do mundo todo começam a incluir nas suas rotinas de maneira sistemática e definitiva a prática de estimular nos pacientes o fortalecimento da esperança, do otimismo, do bom humor e da espiritualidade. O objetivo é simples: despertar ou fortificar nos indivíduos condições emocionais positivas, já abalizadas pela ciência como recursos eficazes no combate a doenças. Esses elementos funcionariam, na verdade, como remédios para a alma – mas com repercussões benéficas para o corpo.

    No Brasil, a nova postura faz parte do cotidiano de instituições do porte do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo, da Rede Sarah Kubitschek e do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio de Janeiro, três referências nacionais na área de reabilitação física. Nos Estados Unidos, o conceito integra a filosofia de trabalho, entre outros centros, do Instituto Nacional do Câncer, um dos mais importantes pólos de pesquisa sobre a enfermidade do planeta, e da renomada Clínica Mayo, conhecida por estudos de grande repercussão e tratamentos de primeira linha.

    A adoção desta postura teve origem primeiro na constatação empírica de que atitudes mais positivas traziam benefício aos pacientes. Isso começou a ser observado principalmente em centros de tratamento de doenças graves como câncer e males que exigem do indivíduo uma força monumental. No dia-a-dia, os médicos percebiam que os doentes apoiados em algum tipo de fé e que mantinham a esperança na recuperação de fato apresentavam melhores prognósticos. A partir daí, pesquisadores ligados principalmente a essas instituições iniciaram estudos sobre o tema.

     

    Cadeia Positiva

     

    Hoje há dezenas deles. Um exemplo é um trabalho publicado na edição deste mês da revista científica BMC Câncer sugerindo que o otimismo é um fator de proteção contra o câncer de mama. “Verificamos que mulheres expostas a eventos negativos têm mais risco de contrair a doença do que aquelas que apresentam maiores sentimentos de felicidade e positivismo”, explicou Ronit Peled, da Universidade de Neguev, de Israel, autor da pesquisa. Na última edição do Annals of Family Medicine – publicação de várias sociedades científicas voltadas ao estudo de medicina da família – há outra mostra do que vem sendo obtido. Uma pesquisa divulgada na revista revelou que homens otimistas em relação à própria saúde de alguma forma ficaram mais protegidos de doenças cardiovasculares. Os cientistas acompanharam 2,8 mil voluntários durante 15 anos. Eles constataram que a incidência de morte por infarto ou acidente vascular cerebral foi três vezes menor entre aqueles que no início estavam mais confiantes em manter uma boa condição física. Provas dos efeitos da adoção da espiritualidade na melhora da saúde também começaram a surgir. Nos estudos sobre o tema, a prática aparece associada à redução da ansiedade, da depressão e à diminuição da dor, entre outras repercussões.

    DIVERSÃO Pacientes da Rede Sarah praticam remo para melhorar a disposição

    A partir de informações como essas, os cientistas resolveram identificar o que levava a esse impacto. Chegaram basicamente a duas razões. Uma é de natureza comportamental. Em geral, quem é otimista, tem esperança e cultiva alguma fé costuma ter hábitos mais saudáveis. Além disso, essas pessoas seguem melhor o tratamento. “Uma postura positiva leva a gestos positivos. Os pacientes se cuidam mais, alimentam-se bem, fazem direito a fisioterapia, mesmo que ela seja dolorosa”, explica a clínica geral carioca Cláudia Coutinho.

    A outra explicação tem fundamento biológico. Está provado que a manutenção de um estado de espírito mais seguro e esperançoso desencadeia no organismo uma cadeia de reações que só trazem o bem. “Se o paciente é otimista, encara um problema de saúde como um desafio a ser vencido. Nesse caso, as alterações ocorridas no corpo poderão ser usadas a seu favor”, explica o pesquisador Ricardo Monezi, do Instituto de Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo. O bom humor, por exemplo, é capaz de promover o aumento da produção de hormônios que fortalecem o sistema de defesa, fundamental quando o corpo precisa lutar contra inimigos. Além disso, o riso provoca relaxamento de vários grupos musculares, melhora as funções cardíacas e respiratórias e aumenta a oxigenação dos tecidos.

    É esse arcabouço de informações que permite hoje o uso, na prática, da espiritualidade, do otimismo, da esperança e do bom humor como recursos terapêuticos dentro da medicina. Nos Estados Unidos, por exemplo, pesquisadores da Universidade do Alabama preparam-se para começar a aplicar um tratamento batizado de “terapia da esperança”. O sistema consiste em ajudar os pacientes a construir e a manter a esperança diante da doença. “O primeiro passo é auxiliá-los a encontrar um objetivo importante que dê sentido a suas vidas. Depois, aumentar a motivação para alcançá-lo e orientá-los sobre os caminhos a serem seguidos”, explicou à ISTOÉ Jennifer Cheavens, da Universidade de Ohio e participante do grupo que desenvolveu a novidade. Essa construção é feita com base em técnicas usadas na terapia cognitivo-comportamental, cujo objetivo é treinar o indivíduo a pensar e a agir de forma diferente para conseguir lidar de modo mais eficiente diante de condições adversas. O treinamento é feito com duas sessões semanais realizadas durante dois meses. A terapia será usada em portadores de deficiências visuais e nas pessoas responsáveis por seus cuidados. “Acreditamos que ela ajudará muito na redução da depressão e de outros problemas associados à perda da visão. Os pacientes ficarão mais motivados a lutar contra as dificuldades e a participar dos trabalhos de reabilitação”, explicou à ISTOÉ Laura Dreer, professora do departamento de oftalmologia da Universidade do Alabama, nos EUA.

    No Brasil, a inclusão da ferramenta na prática médica está mudando a rotina dos hospitais. No Instituto de Ortopedia, no Rio de Janeiro, por exemplo, o trabalho médico é acompanhado pelo suporte psicológico, dedicado especialmente a fortalecer uma atitude mais positiva. O trabalho, claro, não é simples. Os pacientes costumam ser vítimas de traumas medulares ocorridos em situações como acidentes ou quedas. De uma hora para outra, têm a vida totalmente limitada. “Por isso, precisamos ajudá-los a enfrentar a nova situação. Eles têm de passar por uma reabilitação física e emocional”, explica a psicóloga Fátima Alves, responsável pelo grupo. E quem faz isso usando o otimismo e a esperança como armas sai ganhando. “Mostramos principalmente aos mais descrentes que a postura positiva no enfrentamento da doença é um remédio”, afirma Tito Rocha, coordenador da unidade hospitalar do instituto. Em breve, eles abrirão um grupo para incentivar o cultivo da espiritualidade pelos doentes.

    ENSINO Santos dá cursos sobre espiritualidade a estudantes de medicina

    Na Rede Sarah, os pacientes são estimulados a participar de atividades que melhorem o humor e a disposição. Entre eles, estão o remo, a dança e os jogos. “No processo de reabilitação, esses recursos são fundamentais”, afirma Lúcia Willadino Braga, presidente da Rede Sarah e considerada uma das melhores neurocientistas do País. “A doença deixa de ser o foco. Quando isso acontece, a recuperação é acelerada. O paciente fica menos tempo internado e retorna às suas atividades mais rapidamente”, afirma. Constatações semelhantes são obtidas no InCor, em São Paulo. Lá, quem está internado recebe suporte psicológico para não entrar em depressão – já considerada fator de risco para doenças cardíacas – e manter o otimismo. “É preciso dar força para o espírito para que o corpo se recupere”, afirma o cardiologista Carlos Pastore, diretor de serviços médicos da instituição.

    Talvez o símbolo mais emblemático do fim do preconceito da medicina ocidental contra questões relativas à emoções e espiritualidade seja o que está acontecendo na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), a mais tradicional do País. Em novembro, a instituição sediará um evento para mostrar aos profissionais de saúde a importância de recursos como a espiritualidade e o bom humor na recuperação de pacientes. O curso será ministrado pelo geriatra Franklin dos Santos, professor de pós-graduação da disciplina de emergências médicas da universidade. No programa, há um bom espaço para ensinar os médicos e enfermeiros a usarem essas ferramentas. “Discutimos como isso deve ser aplicado na prática”, diz o médico, que tem dado palestras pelas escolas de medicina do País inteiro.

    Nos Estados Unidos, também há um esforço para treinar os profissionais de saúde. Só para se ter uma idéia, o Instituto Nacional de Câncer americano criou uma espécie de guia para orientar médicos, enfermeiros e psicólogos sobre como usar a espiritualidade do paciente a seu favor. Todo esse interesse é o sinal mais patente de que a revolução vai durar. Por isso, ninguém deve se surpreender se quando chegar ao consultório médico for indagado sobre suas condições de saúde, obviamente, mas também sobre sua relação com a espiritualidade ou disposição de esperança. “Questões como essas devem começar a ser cada vez mais levantadas”, defende Brick Johnstone, professor de psicologia médica da Universidade Missouri-Columbia, nos EUA.

     

    Fonte: http://www.orion.med.br/portal/index.php?view=article&catid=43:saudemedicina&id=970:tratamentos-para-a-alma&tmpl=component&print=1&layout=default&page=

     

    Consulta: 19/01/2009 às 18h05’

    Mistérios Fundamentais do Universo

    Mistérios Fundamentais do Universo

    Escrito por Lisa Randall   

    Sáb, 13 de Dezembro de 2008 19:41

    por Lisa Randall

    Professora de Física da Universidade Harvard.

    O seu livro, "Warped Passages" (tradução possível: "Passagens deformadas")

    é publicado pela editora Allen Lane

     

    Especial para Prospect, tradução de Jean-Yves de Neufville* localizado por Aureci F Martins, Porto Alegre/RS, aureci@globo.com Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , buscado na fonte nacional http://noticias.uol.com.br/midiaglobal

    /prospect/2005/09/01/ult2678u27.jhtm

     

     

    Em 2007, um acelerador de partículas de alta energia poderá ajudar a desvendar alguns mistérios do universo. A procura pelo Modelo Padrão da física das partículas ainda desconhecidos pode provar a teoria das cordas e da existência de outras dimensões no universo.

    Daqui a dois anos, nós vamos provavelmente ser obrigados a revisar radicalmente nossas idéias sobre a natureza fundamental da matéria, assim como a nossa concepção do universo.

     

    Em 2007, o grande acelerador de hádrions (em inglês large hadron collider - LHC) começará a operar no CERN (sigla em francês de Conselho Europeu de Pesquisas Nucleares), perto de Genebra, precipitando partículas em níveis de energia nunca antes produzidos na Terra. Então os físicos combinarão os resultados dessas experiências efetuadas com o LHC, com as hipóteses das suas investigações teóricas para aprofundar seus conhecimentos sobre fenômenos cujos efeitos só podem ser detectados em distâncias curtas e em elevados níveis de energia.

    A teoria conhecida pelo nome de Modelo Padrão da física das partículas descreve todas as formas de matéria conhecidas e as forças por meio das quais elas interagem. Muitas experiências já testaram em profundidade o Modelo Padrão, comprovando que os seus ingredientes fundamentais são corretos, com uma certeza quase absoluta. Mas o Modelo Padrão não pode ser a palavra final: ele deixa em aberto perguntas importantes sobre a origem das massas das partículas elementares e enigmas tais como a fraqueza relativa da gravidade.

    O LHC ajudará a solucionar esses mistérios, enquanto cientistas do mundo inteiro já estão preparando febrilmente experiências por meio das quais eles esperam obter respostas para essas perguntas. Para ampliar e complementar o Modelo Padrão, a proposta a mais interessante talvez seja a que envolve a existência de dimensões ocultas adicionais de espaço além das três dimensões que são familiares a nós todos: para cima/para baixo, esquerda/direita e para frente/para trás.

    Na minha qualidade de física teórica que trabalha na investigação da existência de dimensões adicionais, eu conto com as experiências com o LHC para guiar minhas investigações futuras. A premissa fundamental da física das partículas reza que as partículas elementares formam os blocos constitutivos da matéria. Ao remover suas camadas sucessivas, encontraremos sempre em última instância partículas elementares. Por causa da equação de Einstein, E=mc2, que estabelece que a energia (E) é igual à massa (m) multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz (c), nós precisamos de altas concentrações de energia para criar partículas dotadas de massas importantes.

    O LHC produzirá enormes quantidades de energia que poderão então ser convertidas em partículas, as quais nós nunca poderíamos obter de outra maneira. Mas a matéria não é uma linha de montagem industrial, com os mesmos elementos sendo repetidos de maneira igual em escalas menores. Em distâncias menores, não são apenas novos elementos de matéria que as experiências com o LHC deveriam revelar, mas também novas leis da física.

    Reconhecidamente, a prova experimental dos novos fenômenos que o LHC irá fornecer será de certa forma indireta. Mas isso é também o caso com praticamente todas as recentes descobertas no campo da física. À medida que a física foi evoluindo no decorrer do século 20, ela foi se afastando das coisas que podem ser observadas diretamente para aproximar-se de coisas que só podem ser "vistas" por meio de medições atreladas a algum conjunto de teorias.

    Por exemplo, os quarks --componentes do próton e do nêutron que embasam a concepção escolar secundária do átomo - nunca aparecem de maneira isolada. Nós os encontramos seguindo o rastro que evidencia a sua passagem e que eles deixam ao interagir com outras partículas. O mesmo acontece com os tipos de objetos conhecidos como energia escura e matéria escura.

    Nós não sabemos de onde vem a maior parte da energia, nem a natureza da maior parte da energia que o universo contém. Ainda assim, nós sabemos que a matéria obscura e a energia obscura existem por causa dos seus efeitos sobre a matéria que as cerca. Nós só conseguimos "ver" a energia obscura graças à taxa de aceleração da expansão do universo e por meio da influência que ela exerce sobre a irradiação de fundo do universo cosmológico.

    Nós conseguimos descobrir indiretamente esses fenômenos exóticos porque as leis da física que nós conhecemos se aplicam a uma quantidade enorme deles. O tamanho de um próton ou um nêutron no interior de um átomo é de cerca de 10-13 cm (um décimo de milésimo de um bilionésimo de centímetro). Em compensação, o tamanho do universo visível é de 1028 cm (dez mil trilhões de trilhões de centímetros).

    As teorias da física se aplicam a escalas de grandeza tão enormes porque em qualquer escala dada, os detalhes que são pequenos demais para serem medidos podem ser ignorados. Com freqüência, ao formularem suas teorias ou ao detalharem seus cálculos, os cientistas fazem "vistas grossas", limitando-se a médias gerais, ou até mesmo ignoram processos da física que ocorrem em escalas incomensuravelmente pequenas.

    Quando se explora amplas escalas, os efeitos físicos de curta distância tornam-se irrelevantes, da mesma maneira que um mapa detalhado da cidade se torna inútil quando se trata de planejar o seu percurso numa viagem pelo país afora. De fato, é uma vantagem essencial para a forma com a qual nós praticamos a física podermos desprezar efeitos imensuráveis ou que ocorrem em escalas tão pequenas que eles se tornam irrelevantes.

    A estrutura fundamental é essencialmente invisível em níveis energéticos mais baixos. A mecânica quântica e o princípio de incerteza nos dizem que nós só podemos estudar distâncias muito pequenas explorando níveis de energia muito elevados.

    É por esta razão que nós precisamos de aceleradores de partículas: só eles são capazes de criar as energias que permitem estudar as escalas pequenas nas quais novos fenômenos deveriam ser desvendados.

    Aceleradores ou percutidores de partículas

    Ao longo dos últimos 50 anos, as experiências mais importantes no sentido de comprovar a natureza fundamental da matéria se deram por meio dos aceleradores de partículas, nos quais as partículas são impulsionadas até altos níveis de energia por meio de sua aceleração dentro de um campo magnético, e então colididas com outras partículas de matéria. Tais experiências por meio de aceleradores permitiram a descoberta dos quarks, entre outras coisas.

    Um acelerador de partículas é uma construção complexa e sofisticada. Campos eletromagnéticos aceleram as partículas em volta de uma câmara de vácuo, formada por um tubo de metal dotado de uma pressão extremamente baixa, localizada dentro de um túnel a 50 metros ao menos debaixo da terra. Amplificadores fornecem ondas de rádio que são projetadas dentro de estruturas repercussivas conhecidas como cavidades de freqüência de rádio.

    À medida que as partículas circulam nessas cavidades, elas absorvem parte da energia da onda de rádio. As câmaras a vácuo (e os túneis que são ligados a elas) são circulares de modo que os raios de partículas possam passar pelas mesmas câmeras muitas vezes. Os campos magnéticos aceleram os raios de partículas à medida que estes vão viajando dentro deste anel circular.

    Quanto maiores os campos magnéticos, mais energéticas se tornam as partículas. Diante deste imperativo, um dos principais desafios tecnológicos para o LHC era conceber ímãs supercondutores que pudessem agir sobre as transferências de energias dentro do LHC (a supercondutividade ocorre em temperaturas muito frias, quando toda a resistência elétrica dos materiais condutores desaparece).

    Em março, o primeiro desses ímãs bipolares supercondutores de 35 toneladas e 15 metros de comprimento foi instalado dentro do túnel, e metade dos 1.232 ímãs que serão finalmente instalados foram entregues. Ao longo dos próximos dois anos, os ímãs que faltam também serão instalados, de modo que a máquina estará pronta para entrar em operação em 2007.

    Os aceleradores de partículas geram a maior quantidade de energia ao bombardearem dois raios de partículas diretamente um dentro do outro: os aceleradores que assim procedem são chamados de "colliders" (algo como "provocadores de colisões", ou percussores).

    Nos "colliders" de alta energia, os ímãs adicionais focalizam dois raios de partículas aceleradas dentro de uma pequena região da colisão. No momento da colisão, as partículas aniquilam-se uma a outra e se transformam numa enorme quantidade de energia. A energia que é gerada pela colisão pode ser convertida em partículas pesadas.

    Esses "colliders" são os únicos locais conhecidos nos quais surgiram as partículas as mais pesadas a terem aparecido desde o Big-Bang, quando o universo, muito mais quente, conteve todas as partículas em abundância.

    Entre as descobertas mais importantes realizadas por meio do "collider" estão incluídas a dos dois quarks mais pesados conhecidos, os quais foram descobertos no Tevatron --um "collider" baseado em Batavia, no Illinois, Estados Unidos -- em 1977 e em 1995, e as três partículas análogas transmissoras de força que transmitem a força nuclear fraca, descobertas em Genebra em 1983.

    Contudo, as mais excitantes experiências com um "collider" terão início em 2007 no LHC, onde dois raios de prótons altamente energéticos serão colididos um contra o outro, por meio de uma energia no mínimo sete vezes mais intensa do que todas as que foram produzidas anteriormente. As experiências no LHC tentarão explicar, entre outras coisas, a origem das massas das partículas elementares.

    Uma dessas explanações envolve uma partícula hipotética chamada de bóson de Higgs. A idéia é que as partículas adquirem massa por meio de interações de força reduzida com um campo de Higgs que penetra no espaço.

    Segundo esta teoria, as partículas que exercem as interações as mais importantes são as que adquirem as massas mais pesadas. Se esta teoria do campo de Higgs for certa, o LHC descobrirá a partícula da qual ela prevê a existência --o bóson de Higgs.

    Mas a teoria envolvendo o simples bóson de Higgs é apenas uma das muitas em competição. De fato, a teoria com um único bóson de Higgs é tão problemática que os físicos estão praticamente certos de que as energias geradas pelo LHC irão revelar fenômenos ainda mais exóticos.

    Entre esses fenômenos poderia estar a evidência da existência da "super-simetria" --uma extensão hipotética do Modelo Padrão e das simetrias do espaço e do tempo na qual cada uma das partículas conhecidas tem uma parceira mais pesada do que ela, e que ainda não foi observada. O objetivo principal das experiências com o LHC será de descobrir o bóson de Higgs, ou o que quer que seja que atua no seu papel.

    O grande "collider" de hádrons -- um hádron é uma partícula dotada de força nuclear forte, tal como o próton e o nêutron -- está instalado no CERN, a Organização Européia para as Pesquisas Nucleares. Fundado em 1954, o laboratório foi um dos primeiros projetos em comum dos países europeus. A sua sede principal fica na pequena cidade de Meyrin, perto de Genebra.

    O CERN é o fruto de um esforço verdadeiramente internacional, um projeto do qual participam atualmente 20 países membros, além de muitos outros presentes com o status de observador. Além disso, experiências específicas para o LHC vêm sendo desenvolvidos por todo o planeta.

    O "collider", que custará cerca de 2,2 bilhões de libras esterlinas (R$ 8,52 bilhões) para ser concluído, utilizará o túnel circular já existente no CERN, onde experiências para testar o Modelo Padrão já haviam sido realizadas.

    Os prótons são acelerados dentro do túnel circular, ou anel, que tem uma circunferência de 27 km (o anel precisa ser muito grande porque os prótons acelerados dentro de um anel menor perderiam uma quantidade excessiva de energia para a radiação).

    Uma vez que as energias geradas pelas colisões dos raios de prótons serão muito mais elevadas, como nunca antes, as colisões vão ocorrer com uma freqüência muito maior, o que resultará numa quantidade muito maior de dados. As possibilidades de se descobrir fenômenos exóticos serão maiores em função da enorme quantidade de colisões.

    Cinco experiências distintas no grande acelerador de hádrons serão desenvolvidas separadamente com o objetivo de detectar as partículas que as colisões de prótons produzem.

    As principais experiências que investigam a massa e a fraqueza da gravidade são ATLAS (iniciais de A Toroidal LHC Apparatus - um equipamento toroidal do LHC) e CMS (iniciais de Compact Muon Solenoid - Solenóide de muon compacto). Estas experiências irão envolver cerca de 2 mil físicos oriundos de 35 países.

    Os detectores de partículas, que monitoram os resultados das colisões de partículas, terão mais ou menos o tamanho de edifícios de cinco andares. Trabalhar nos detectores requer equipamentos de alpinismo tais como cordas especiais e capacetes (este equipamento chegou a ser muito útil certa vez quando fiz uma excursão até uma geleira perto do CERN).

    Esses detectores precisam ser tão grandes por causa de todos os componentes dos quais eles precisam. As partículas não aparecem com o seu nome colocado numa etiqueta: os detectores devem identificá-las por meio das suas propriedades características, tais como a sua carga elétrica ou as interações das quais elas participam.

    Um grande número de propriedades significa um grande número de componentes instalados no detector, o qual precisa capturar uma enorme quantidade de informações, por meio de um sem-número de sensores.

    Quando um detector registra um sinal, ele o transmite através de uma extensa teia de fios e de amplificadores, na qual são armazenados os dados com os resultados. Nem tudo o que é detectado merece ser registrado. As partículas interessantes são produzidas apenas raramente, quando prótons entram em colisão, e nem mesmo os cientistas do CERN podem prever precisamente quando isso irá acontecer.

    Reconstruir o resultado de uma colisão constitui uma tarefa considerável, um desafio que estimulou o talento de muitas pessoas e que vai com toda probabilidade conduzir a importantes avanços no campo do processamento de dados nos próximos anos.

    De fato, uma vez que ele estiver plenamente operacional, o LHC será o instrumento de física o mais repleto de dados já construído, produzindo mais de 1.500 megabytes de dados por segundo. Essas experiências e este grau de aquisição de informações deverão prosseguir durante no mínimo dez anos.

    A necessidade de processar e compartilhar dados obtidos em experiências como essas produziu alguma coisa que todos nós agora utilizamos de maneira intensiva: a world wide web --Internet.

    Foi Tim Berners-Lee, um antigo funcionário do CERN, quem inventou o HTML (hypertext markup language --linguagem otimizada para hipertexto), e o HTTP (hypertext transfer protocol-- protocolo de transferência de hipertexto), de modo que participantes de experiências atuando a partir de nações dispersas possam ser conectados instantaneamente entre eles e que dados possam ser compartilhados entre muitos computadores. A WEB é um exemplo notável das aplicações práticas imprevisíveis que podem resultar da pesquisa científica fundamental.

    O que o acelerador de partículas nos ensinará?

    As experiências com o LHC deverão ajudar a responder a um grande número de perguntas. Por que vemos as forças particulares que vemos, e será que existem outras por aí? Qual é a origem das massas e das propriedades de partículas que nos são familiares, e por que essas massas adquirem os valores daquela maneira? E por que a gravidade é tão fraca?

    O fato de a gravidade ser tão mais fraca do que outras forças é um dos mistérios centrais da física das partículas. Um minúsculo ímã pode atrair para cima um clipe de papel, isso apesar de toda a massa da terra a estar atraindo na direção contrária. Por que estará a gravidade tão indefesa contra a pequena atração exercida por um ímã minúsculo?

    A minha explicação predileta para esta fraqueza baseia-se numa teoria que os meus colaboradores e eu desenvolvemos, que assume que existe uma dimensão adicional no espaço.

    Avanços recentes no campo da física sugerem que outras dimensões, que ainda não foram encontradas e ainda não são compreendidas, poderia ajudar a resolver alguns dos mistérios do nosso universo.

    No campo da física, uma das razões que nos levam a considerar a existência de outras dimensões é a teoria das cordas, que postula que as partículas são as oscilações das cordas elementares (leia a este respeito acessando o seguinte endereço na Internet: Ian Stewart, Prospect, setembro de 2003).

    Essas cordas, diferentemente das cordas de um violino, por exemplo, não são feitas de átomos, os quais, por sua vez, são feitos de elétrons e de nucléons, que por sua vez são feitos de quarks. O oposto exato é verdade.

    A hipótese da teoria das cordas estipula que os modos de oscilação das cordas correspondem às partículas. Cada uma das partículas resulta das vibrações de cordas fundamentais que as embasam, e é o caráter daquela vibração que determina as propriedades de uma partícula, tais como a sua massa e a sua carga de energia.

    A teoria das cordas foi desenvolvida para lidar com uma famosa discrepância entre as físicas de grande e pequena escalas. O desenvolvimento da mecânica quântica e da relatividade geral no início do século 20 significou que nós poderíamos entender tanto as leis da física que regem o interior do átomo quanto as leis da física que descrevem a expansão do universo.

    A mecânica quântica trabalha bem em pequenas escalas e a relatividade geral em grandes escalas. Mas nenhuma dessas teorias pode ser aplicada para todas as escalas. A teoria das cordas é a candidata mais bem situada para formar uma teoria que possa incluir normalmente as duas.

    Os físicos ainda não sabem se a teoria das cordas está certa e, caso ela for, como ela se conecta com o nosso mundo. Mas muitas pesquisas utilizam idéias emprestadas da teoria das cordas para tentar solucionar questões referentes ao universo observável.

    Por exemplo, a teoria das cordas não descreve naturalmente um mundo com três dimensões de espaço. Ela sugere de maneira mais natural um mundo com muito mais dimensões, talvez nove ou dez. Os teóricos das cordas não se perguntam se outras dimensões existem; em vez disso, eles perguntam: "Onde estarão elas?" e: "Por que será que nós não as vimos?".

    Nem todo mundo está convencido com a teoria das cordas, mas pesquisas recentes forneceram um argumento convincente em favor da existência de outras dimensões: um universo dotado dessas dimensões poderia conter respostas para quebra-cabeças da física que não contam com nenhuma solução convincente sem elas.

    O meu colaborador, Raman Sundrum e eu mesma demonstramos por que, num mundo dotado de uma dimensão de espaço adicional, a gravidade seria tão fraca. A nossa idéia baseia-se na "geometria deformada", uma noção que emerge da teoria da relatividade geral de Einstein.

    Segunda esta teoria de Einstein, o espaço e o tempo estão integrados a uma única fábrica de espaço-tempo que se torna distorcida, ou deformada, pela matéria e a energia. Nós aplicamos esta teoria no contexto de uma dimensão adicional e descobrimos uma configuração na qual o espaço-tempo se deforma de maneira tão severa que mesmo se a gravidade fosse forte em uma região do espaço, ela seria fraca em todos os outros lugares.

    O universo da nossa proposta é de fato um multi-universo, no qual a gravidade está localizada em determinado universo, enquanto nós estamos vivendo num outro universo, separados daquele por uma quarta dimensão espacial.

    Outras dimensões e partículas KK

    Entre as provas que poderiam corroborar nossa teoria estão as partículas conhecidas pelo nome de partículas Kaluza-Klein (KK), buracos negros de cinco dimensões e cordas muito leves derivadas da teoria das cordas.

    As partículas KK viajam por uma outra dimensão, mas, para nós, elas têm a aparência de partículas ordinárias do espaço tridimensional. Toda partícula que viaja numa outra dimensão deveria ter parceiras KK. Isso inclui o gráviton, uma partícula hipotética que poderia ser a responsável pela gravidade.

    As partículas KK parceiras do gráviton interagem com tanta força em nossa teoria que toda e qualquer parceira KK produzida num acelerador não irá simplesmente desaparecer. Em vez disso, ela irá definhar no interior do detector, transformando-se em partículas observáveis que podem ser utilizadas para reconstruir a partícula KK da qual elas são originárias.

    As parceiras KK do gráviton, embora sejam provenientes de um espaço com dimensão mais elevada, poderiam ser distinguíveis, tornando-se partículas visíveis que irão se deteriorar até se transformar em partículas conhecidas, que serão vistas dentro do detector do LHC.

    Com isso, a receita convencional para descobrir novas partículas em experiências com o "collider" é a seguinte: estudar todos os produtos deteriorados pela colisão e deduzir as suas propriedades para determinar de onde eles vieram.

    Se aquilo que você descobrir não for algo que você já conhece, deve ser então algo novo. Se a partículas KK se deteriorarem dentro do detector, o sinal da existência de outras dimensões deverá ser muito claro.

    Se nós estivermos com sorte, além das partículas KK parceiras do gráviton, as experiências deveriam também produzir um elenco ainda mais rico de partículas KK. Nós poderíamos também ver partículas KK parceiras carregadas de quarks e de léptons e determinar o tamanho dos bósons. Em última instância, essas partículas poderiam nos fornecer uma quantidade ainda maior de informações sobre o mundo em outra dimensão.

    Além das partículas KK, deveriam surgir outros sinais da existência de outras dimensões. Embora os efeitos da gravidade tetradimensional sejam minúsculos se comparados com as energias ordinárias, a gravidade tetradimensional se tornará significativa quando o acelerador criará partículas de alta energia.

    De fato, nos níveis das energias que serão atingidos pelo LHC, os efeitos da gravidade tetradimensional poderiam ser enormes. Buracos negros tetradimensionais poderiam ser produzidos (não tenha medo - eles irão definhar imediatamente), assim como cordas tetradimensionais.

    Além disso, em níveis energéticos muito elevados, as partículas irão interagir com muita força com outras partículas. Tais interações tão fortes entre todas as partículas conhecidas e a gravidade não ocorreriam num cenário quadridimensional (três dimensões espaciais mais o tempo): elas representariam um sinal definitivo da existência de algo novo. Finalmente, as cordas da teoria das cordas poderiam comprovar se o espaço-tempo está deformado da maneira que nós sugerimos.

    Eu estou entusiasmada, sobretudo, com a possível existência de outras dimensões, mas isso não é tudo o que o LHC poderia descobrir. Se a teoria da super-simetria for correta, as experiências por meio do LHC devem permitir descobrir um monte de partículas dotadas de todas as cargas de energia e exercendo as mesmas interações que as partículas do Modelo Padrão que nós já conhecemos.

    Essas partículas de carga pesada que não fazem parte do Modelo Padrão dificilmente deixarão de ser vistas e deverão constituir uma descoberta muito significativa.

    Descobertas recentes evidenciaram muitas possibilidades notáveis. As outras dimensões poderiam ter muitas formas e muitos tamanhos diferentes. E outras dimensões poderiam abrigar fenômenos exóticos, tais como multi-universos contendo mundos paralelos, nos quais as forças e a química são totalmente diferentes do nosso.

    Junto com os meus colaboradores, eu descobri que pode haver outras dimensões que possuem extensões infinitamente distantes, ainda que elas permaneçam invisíveis. E nós estabelecemos teorias que dão conta da existência de bolsões de gravidade quadridimensional, situados num universo que parece possuir outras dimensões em todas as suas outras regiões. Tais investigações teóricas nos permitirão repensar o nosso lugar dentro da ordem das coisas.

    Nem todas essas idéias serão imediatamente testadas pelas experiências. Mas nós sabemos que algumas dentre elas o serão: independentemente do que existe por aí, as questões sobre a massa e a fraqueza da gravidade são indicações de que em breve aprenderemos mais sobre a natureza fundamental da matéria.

    Dentro de poucos anos, um bom número de enigmas do universo terá sido desvendado e os segredos do cosmo começarão a se desfazer. Eu, por minha vez, mal posso esperar.

     

    Fonte:

    http://www.orion.med.br/portal/index.php?view=article&catid=41:ciencia&id=239:misteriosfundamentais&tmpl=component&print=1&layout=default&page=

     

    Consulta: 19/01/2009 às 18h10’

    O Fórum de Ciência e Cultura da Unesco e Seus Documentos Sobre a Crise Global: As Declarações de Veneza, de Vancouver, de Belém e de Dagomys

    O Fórum de Ciência e Cultura da Unesco e Seus Documentos Sobre a Crise Global: As Declarações de Veneza, de Vancouver, de Belém e de Dagomys

     

    Neste fascículo estão coligidos alguns documentos elaborados por grupos de cientistas, filósofos artistas e humanistas reunidos pela UNESCO sob o patrocínio do FÓRUM SOBRE CIÊNCIA E CULTURA em 1986, 1989 e 1992, respectivamente, em Veneza, em Vancouver e em Belém, dos quais tive o privilégio de participar. Em cada uma dessas reuniões, produziu-se uma DECLARAÇÃO, adotada pela UNESCO como documento de base. As declarações de Vancouver e de Belém são precedidas por um sumário mais extenso das discussões havidas durante as reuniões.

    Essas reuniões do fórum foram denominadas, respectivamente, simpósios sobre "Ciência e as fronteiras do conhecimento: prólogo do nosso passado cultural", "Sobrevivência no Século XXI" e "Em Direção à Ecoética: Visões alternativas de Cultura, Ciência, Tecnologia e Natureza". A escolha dos temas e dos locais de realização dos simpósios reflete a evolução do conhecimento, em particular da ciência e da tecnologia, no Velho Mundo, onde se consolidaram os paradigmas agora questionados; no Novo Mundo, que absorveu e atingiu o nível de desenvolvimento daqueles que lançaram as bases do mundo moderno; e no Terceiro Mundo, justamente sobre a linha do Equador que, separando Norte e Sul, nos lembra metaforicamente a separação da humanidade em dois grupos distintos onde se manifestam ase a vergonhosa situação de conviverem no mesmo planeta grupos da mesma espécie uns à beira de pobreza alarmante, onde a miséria e a degradação humana são lugares comuns e outros com fartura gritante, num esbanjamento ofensivo à espécie e à natureza como um todo. iniqüidades

    Anexei a essa coletânea um outro documento muito importante, que é a Declaração de Dagomys, subscrita por cerca de duzentos cientistas de todo o mundo reunidos em Moscou, em 6 de setembro de 1988, por ocasião da 38a Reunião Anual da "Pugwash Conferences on Science an World Affairs", e da qual também tive o privilégio de ser signatário. As conferências Pugwash consistem em uma organização de cientistas de todo o mundo, criada em 1955 por Albert Einstein e Bertrand Russel com o lançamento de seu MANIFESTO, em que alertam a humanidade para o perigo de extinção no caso de um conflito nuclear. Desse manifesto, inspirador de muitas ações pacifistas e de uma denúncia direta à guerra ambiental, já deflagrada no planeta e tão destruidora quanto seria um conflito nuclear global destaco a seguinte frase,que sintetiza o apelo à responsabilidade de cada um de nós perante o futuro da civilização: "Lembrem-se de sua humanidade e esqueçam todo o resto". 

     

    Fonte: http://www.orion.med.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&catid=46%3Aunipazce&id=520%3Aforunsunesco&Itemid=207

     

    Consulta: 19/01/2009 às 17h57’

    III Fórum da Unesco Sobre Ciência e Cultura

    III Fórum da Unesco Sobre Ciência e Cultura

    EM DIREÇÃO À ECOÉTICA: VISÕES ALTERNATIVAS DE CULTURA, CIÊNCIA, TECNOLOGIA E NATUREZA

    Belém, Pará, Brasil 05 a 10 de abril de 1992

    Introdução

    Nos três anos que se seguiram à Declaração de Vancouver, resultado do II Fórum da UNESCO sobre Ciência e Cultura, a situação do mundo tem piorado consideravelmente em todas as dimensões relevantes

    ·          a pobreza cresceu em grande escala e atingiu uma nova dimensão qualitativa por exemplo, "novos pobres" têm aparecido em paises e grupos sociais que eram até ontem razoavelmente prósperos;

    ·          entre os paises prósperos, a marginalizacão daqueles menos favorecidos atingiu um nível crítico, conduzindo a uma mudança na situação sócio-psicológica, e mesmo a um sentimento generalizado de desespero,

    ·          a erosão de ideologias tradicionais conduziu a uma perda de apoio "cultural" para o reviver de esperança para o pobre e o menos favorecido, e isso traz prejuízos para o equilíbrio social já profundamente abalado em muitas áreas do mundo;

    ·           tem havido uma crescente intolerância a virtualmente todas as manifestações de diferenças humanas (sejam estas de ordem econômica e social, de origem étnica, de tradições religiosas, etc.), incluindo o florescimento de violência e de guerras locais de enorme virulência; a  criminalidade  organizada  está  em  ascensão, conduzindo não apenas a um poderio econômico mas também político de profundas repercussões internacionais.

    Soluções para os problemas globais não podem ser impostas ao mundo por força econômica política ou militar. A resolução de tais problemas deveria, antes, ser baseada em considerações de ordem social e ética. Todos devem pagar sua parcela do custo para se atingir estabilidade e sobrevivência com dignidade.

    A pobreza generalizada, que afeta cerca de 80 % da população do mundo, é imoral, e medidas urgentes são necessárias para combater essa situação, especialmente interromper o fluxo de capital do Sul para o Norte. Essas medidas são preliminares essenciais para qualquer proposta de melhora das relações do homem com a natureza, para se atingir a paz global.

    Visão integral de ciência, cultura e natureza

    A ciência tem aumentado as potencialidades da vida humana e tem aberto caminho para um florescimento completo da capacidade criativa do ser humano Mas é precisamente uma certa concepção "científica" da posição do ser humano na natureza, primeiro sugerida no século XVII, que está na origem de nossos crescentes problemas econômicos, ecológicos e éticos Nessa concepção, que remonta a trezentos anos, a ciência é encarada como um instrumento de dominação do homem sobre a natureza, e o homem se vê como um componente mecânico de um universo que é como uma máquina.

    Esse quadro "científico" do homem e da natureza tem mudado profundamente durante o século corrente. O desenvolvimento da física, da biologia e das ciências cognitivas tem mudado a idéia do homem como uma peça numa máquina gigantesca, determinística, para a idéia do homem como um componente orgânico de um todo não-determinístico, um componente que tem um papel essencial no processo criativo que dá forma e definição ao mundo que nos cerca. Essa nova imagem do homem fornece os fundamentos intelectuais de um sistema de valores mais em harmonia com os valores tradicionais e pode servir como fundamento moral de uma ordem mundial ecologicamente aceitável.

    População

    Por volta de 1850, a população do mundo atingiu um bilhão e continuou à aumentar num ritmo crescente Dobrou em 1930 e atingiu 3 bilhões em 1950, A bilhões em 1974 e 5 bilhões em 1988 Ela vai atingir 6 bilhões até 1998. Embora as razões de crescimento tenham começado a declinar, o número adicionado cada ano, correntemente cerca de 95 milhões, continuará a crescer por outros 10 a 20 anos, e a próxima duplicação, no ritmo atual, é prevista para meados do próximo século. Seria difícil exagerar a seriedade desse números. O crescimento populacional é uma das maiores causas de pobreza e uma ameaça para a sobrevivência. O mundo todo está superpovoado, e as tendências atuais devem ser reduzidas e revertidas.

    A situação exige medidas imediatas para se alcançar a plenitude de direitos para a mulher, assim como sua conscientização e educação,reduzindo-se assim a fertilidade   Embora o desenvolvimento econômico e a educação possam conduzir a uma maior redução do nível de natalidade, é necessário notar que o tempo é curto. A eliminação da miséria e da pobreza não solucionará todos os problemas, mas nenhum problema poderá ser resolvido se não enfrentarmos o fator pobreza.

    Tecnologia

    Muitas inovações tecnológicas do passado tiveram como resultado danos não planejados e não previstos ao homem e ao meio ambiente. O futuro deverá requerer uma reorientação maciça que nos possibilitará emergir das presentes dificuldades, e nessa situação a ciência deverá ter um papel preponderante. Atualmente, pelo uso excessivo dos recursos da Terra e pelo desenvolvimento da tecnologia, estamos tomando emprestado das gerações futuras, e, ao exaurirmos recursos renováveis (por exemplo, solo e água), estamos reduzindo as possibilidades de inúmeros seres ainda não nascidos. As relações entre a tecnologia e o sistema econômico deveriam ser estruturadas de modo que servissem ás possibilidades e ao bem-estar de todos A partir de tecnologias não violentas e menos danosas, deveríamos dar um passo em direção a práticas ambientalmente amigáveis A distensão da Guerra Fria certamente demanda uma transferência de tecnologia militar para usos civis.

    As duas novas tecnologias genéricas, biotecnologia e informática, estão agora indicando que terão um impacto maior e mais abrangente que todas as tecnologias industriais anteriores, e possivelmente um maior impacto que aquele resultante da revolução neolítica que nos deu a agricultura.

    Essas duas novas tecnologias são caracterizadas por menor uso de matéria-prima e de energia Sua esperada penetração exponencial na economia poderia muito bem resultar na redução das pressões populacionais sobre os recursos do planeta Contudo, como se relacionam tão diretamente com biologia e cultura, elas também levantarão inúmeras questões éticas

    O impacto de ambas as tecnologias será sentido diferencialmente através da divisória Norte-Sul Para fazer uso suficiente dessas potencialidades, é essencial manter a expansão do treinamento científico e o suporte financeiro de pesquisa original em todos os níveis Sem o florescimento de uma tal base, novas tecnologias continuarão a criar dependência. Um elo deve ser estabelecido entre biotecnologia e conservação da diversidade biológica para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.

     

    Natureza e Culturas

    Há necessidade de reconhecer a integridade da natureza e do homem como uma parte integral dela. Apesar de as tecnologias avançarem permanentemente, devemos reconhecer que há valiosos aspectos das culturas tradicionais que oferecem uma importante mensagem para hoje e para o futuro Tais culturas podem parecer simples no ambiente científico de hoje, mas muitas são o resultado de um equilíbrio com o ecossistema que vem de longa data, e detêm uma lição de ecoética para a sociedade. A preservação da biodiversidade nas florestas tropicais úmidas depende da autonomia cultural dos povos indígenas que valorizam, usam e protegem essas florestas.

    A diversidade cultural constitui a reserva que a humanidade possui de respostas ao ambiente apreendidas ao longo dos tempos e que tornam possíveis a coexistência e o auto-reconhecimento. A diversidade cultural deve ser respeitada e preservada, não apenas para a dignidade de seus membros, mas também para a sobrevivência da herança comum da humanidade. A coexistência cultural implica respeito mútuo e deve evitar a dominação de uma cultura sobre outras.

    Crescentemente tem sido reconhecida a existência de maneiras válidas de conhecer outras culturas. Isso inclui o conhecimento de medicinas e plantas utilizadas pêlos povos das florestas úmidas e por grupos semelhantes em outras partes. Além disso, há vastos depositórios de conhecimento em filosofia, psicologia e medicina em civilizações não ocidentais. Alguns desses modos de conhecer poderiam muito bem conduzir a uma relação simbiótica com a ciência moderna, enriquecendo ambas.

    A preservação de ecossistemas está ligada à exploração e coletânea museológica, jardins botânicos e zoológicos, arquivos e bibliotecas. A canalização de recursos para a tecnologia tem deixado baixa prioridade para inventários e coleções de materiais biológicos dos países em desenvolvimento. Fundos adequados são essenciais, nesse caso, para a pesquisa científica e a educação.

    Mulheres

    As capacidades das mulheres para enfrentar situações de desastre ecológico que ameaçam sua sobrevivência e as de seus filhos têm sido preservadas por séculos em contextos culturais distintos Essas capacidades devem ser mantidas para a utilização de sociedades futuras Mulheres são forcadas pelas circunstâncias a reconhecer desastres ecológicos, pois elas são muitas vezes as primeiras a sofrer pêlos seus efeitos.

    Elas são também capazes de mobilizar ações comunitárias menos violentas e a longo prazo. A educação das mulheres é uma prioridade para se diminuir e reverter o crescimento populacional.

    Globalização e localização

    As fontes de conhecimento não ocidentais estão diminuindo rapidamente, enquanto uma cultura hegemônica envolve todo o globo. Essa tendência à globalização está sendo muito favorecida pelr telecomunicação e pelas redes de computadores que circundam o mundo e que podem fazer com que uma decisão financeira em um país tenha um efeito imediato sobre e sorte de um pobre fazendeiro num outro.

    Essa tendência ocorre num tempo de revoltas étnicas dispersas que vão em direção contrária. Muitas vezes essas revoltas levam ao confronto entre vizinhos que por séculos têm tido suas culturas permeáveis A violência sem sentido contra civis, que é uma marca desses conflitos, dificulta o fluxo horizontal de culturas e ao mesmo tempo deixa uma brecha para a globalização A importância das culturas locais è perversamente diminuída à medida que a revolta e a sua supressão se tornam mais violentas.

    Há necessidade urgente de permanecer alerta aos efeitos de culturas locais e de globalização.

    Conclusão

    Não estamos exagerando quanto à magnitude da crise que a humanidade enfrenta hoje. Por outro lado, ainda temos capacidade de criar um espaço sustentável na natureza Para isso é necessária a mudança para uma nova moralidade extraída de muitas fontes que se complementam. Essas fontes incluem os achados objetivos da Ciência, assim como os sentimentos mais profundos em direção à natureza, que se exprimem em vários grupos culturais. Essa nova moralidade, uma ECOÉTICA, pode ser não só a essência de uma nova visão de um futuro sustentável para a nossa espécie, mas também um guia para ação efetiva.

     

    Fonte:

    http://www.orion.med.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&catid=46%3Aunipazce&id=523%3Adeclaracaobelem&Itemid=207

     

    Consulta: 19/01/2009 às 17h48’

    II Fórum da Unesco Sobre Ciência e Cultura

    II Fórum da Unesco Sobre Ciência e Cultura

    A SOBREVIVÊNCIA no século XXI

     

    Vancouver, BC, Canadá, 10 a 15 de setembro de 1989

    A partir do Simpósio sobre "Ciência e as Fronteiras do Conhecimento", realizado em Veneza em 1986 notou-se a atual da crise que ameaça a sobrevivência da civilização e da própria espécie no planeta   Decidiu-se convocar o II Fórum como um simpósio com uma agenda que permitisse: necessidade de focalizar a análise das relações entre as ciências e as tradições no contexto

      

    1. uma tomada de consciência do problema e de sua extrema urgência em nível mundial;                                    

    2. o lançamento de um apelo a todos os responsáveis científicos, culturais, espirituais, econômicos e políticos para se traduzir essa tomada de consciência em ação efetiva;

    3. o exame das causas, de todos os tipos, que nos conduziram ao desastre planetário e das novas vias por contemplar para que essa sobrevivência ainda seja possível a médio prazo. 

     

    Além dos objetivos específicos, o Simpósio conduziu a um grande número de considerações, sintetizadas a seguir.

    A iminência de uma explosão demográfica que levará a população do planeta a seis bilhões de habitantes no ano 2000, num momento em que, como conseqüência da poluição e da desertificação, os recursos planetários vão se reduzindo em proporções consideráveis, está entre as principais causas. Além disso, enumera-se o esquentamento do planeta e o risco de que um terço das terras atuais seja submergido num futuro relativamente próximo, a destruição da biosfera e os gastos inimagináveis de recursos financeiros e humanos com finalidades bélicas.

    A origem do problema pode ser encontrada numa concepção cientifica que. no seu aspecto reducionista e explorar os recursos com um espírito de poder e de posse suicida Esse comportamento contra a natureza e a vida conduziu o homem a privilegiar um único modelo de desenvolvimento, ignorando a complexidade cultural, econômica, espiritual e social, que constitui a verdadeira essência da espécie. atomista, conduziu o homem a considerar a natureza e o universo como um poço de riquezas sem fim e a

    Essas reflexões põem em causa o conjunto dos conceitos e modelos atuais, na medida em que sobreviver j depende de uma visão global ou holística da realidade, visão esta que emana, por sua vez, das grandes | tradições e das conclusões mais recentes da física. Isso exige uma mudança radical, que se aplica a todos os níveis do saber e do fazer.

    Claramente, a interação viva de todas as coisas no universo implica o nosso ambiente e a tradução de nossos conhecimentos em um processo de integração que abranja os aspectos mais sutis da realidade. Essencialmente, busca-se uma unidade total de vida entre o homem, a natureza e o corpo cósmico.

    Devemos,  portanto,  procurar uma transformação radical de nossos modelos de desenvolvimento,  de educação e de civilização, baseada no reconhecimento de uma pluralidade de modelos de culturas, de espiritualidade  e  de diversificações sócio-econômicas, e no respeito a cada uma das inúmeras modalidades.

    Uma redefinição de prioridades da ciência e da tecnologia para que os caminhos para o seu desenvolvimento respeitem o meio vivo e sejam acompanhados de um autocontrole que evite todas as aplicações que possam ameaçar a vida e o meio ambiente, e o desrespeito às tradições, que pode. como conseqüência, corromper a textura sócio-cultural.

    O preço da sobrevivência é o resultado de uma revolução fundamental e da emergência de valores qualitativos em oposição às estruturas quantitativas e destrutivas que existem hoje.

    Resumindo, é necessário facilitar o aparecimento de uma nova consciência mediante a qual o homem poderá encontrar a plenitude de seus direitos ligados à sua dignidade de ser vivo, num quadro de solidariedade e responsabilidade que comprometem cada Estado, cada grupo social e cada indivíduo.

    A Declaração de Vancouver se refere a essas considerações e sintetiza as discussões que tivemos por ocasião do Simpósio que mencionei acima


    DECLARAÇÃO DE VANCOUVER

    A sobrevivência do planeta tornou-se uma preocupação central e imediata A situação atual exige medidas urgentes em todos os setores: científico cultural, económico e político.e uma maior sensibilização de toda a humanidade Devemos abraçar a causa comum com todos os povos da Terra contra o inimigo comum, que é qualquer ação que ameace o equilíbrio do nosso ambiente ou reduza a herança para gerações futuras Esse é o objetivo da Declaração de Vancouver sobre Sobrevivência.

     

    l - A HUMANIDADE EM FACE DA SOBREVIVÊNCIA

    Nosso planeta é instável, uma máquina térmica em permanentes transformações.

    Na sua superfície, há cerca de quatro bilhões de anos a vida se desenvolveu em equilíbrio com o ambiente, onde mudanças repentinas e imprevisíveis eram a norma. A descoberta, há cerca de duzentos anos, da energia livre armazenada em combustíveis fósseis deu à humanidade o poder de dominar toda a superfície do planeta, e, num período de tempo incrivelmente curto, sem planejamento e quase sem reflexão sobre as conseqüências, nossa espécie tornou-se, sem qualquer comparação, o maior fator para a transformação do planeta.

    As consequências têm sido drásticas e únicas na história da nossa espécie:

    ·          crescimento exponencial da população nos últimos 150 anos. de um bilhão para mais de cinco bilhões e, atualmente, dobrando a cada 30 - 40 anos.
         um aumento comparável no uso de combustíveis fósseis, conduzindo à poluição global da atmosfera e à alteração no clima e no nível das águas marítimas:

    ·          destruição acelerada do habitat de vida, iniciando assim um episódio irreversível de extinção em massa na biosfera, que é a base do ecossistema da Terra;

    ·          gastos inimagináveis de recursos materiais e de criatividade em guerras e em preparação para a guerra.

    E tudo isso se faz crendo-se na inexauribilidade de recursos do planeta, sob o encorajamento de sistemas políticos e económicos que enfatizam o lucro imediato como um beneficio e ignoram o custo real da produção.

    A situação que a humanidade enfrenta envolve o colapso de qualquer equilíbrio entre nossa espécie e o resto de vida no planeta. Paradoxalmente, num momento em que estamos no limiar da degeneração do ecossistema e da degradação da qualidade de vida humana, o conhecimento e as ciências estão agora numa posição de fornecer a criatividade humana e a tecnologia necessárias para se tomarem ações remediadoras e se redescobrir a harmonia entre natureza e humanidade. Está faltando apenas a vontade social e política.

     

    II - AS ORIGENS DO PROBLEMA

    A origem dessa situação tão angustiosa e de nossa perplexidade repousa fundamentalmente em certos desenvolvimentos científicos que essencialmente se completaram no início do século Esses desenvolvimentos, os quais foram codificados matematicamente numa visão do universo baseada na mecânica clássica, deram aos seres humanos um poder sobre a natureza que tem, até recentemente, produzido um sempre crescente e aparentemente suprimento de bens materiais.

    Mergulhada na exploração desse poder, a humanidade tendeu a mudar seus valores para valores que promovem uma realização máxima das possibilidades materiais que esse poder possibilita Foram assim suprimidos valores associados com as dimensões do potencial humano, que haviam constituído os fundamentos de culturas anteriores.

    O empobrecimento da própria concepção de ser humano causado por essa omissão das outras dimensões está absolutamente coerente com a concepção "cientifica" do universo como uma máquina, na qual o ser humano não é mais que uma pequena engrenagem.

    A concepção que o homem tem de si mesmo é um determinante principal dos seus valores. Ele fixa a concepção do "eu" a partir da avaliação ao seu interesse pessoal.

    Assim o empobrecimento ideológico associado com a visão do homem como uma pequena engrenagem em uma máquina, conduz ao estreitamento de seus valores.

    Contudo, os avanços científicos do século atual têm mostrado que uma visão mecanicista do universo e insustentável em termos puramente científicos Assim, a base racionai para uma concepção mecanicista do homem tem sido invalidada.

     

    III - VISÕES ALTERNATIVAS

    Na ciência contemporânea, a velha e rígida visão mecânica do universo é substituída por conceitos que permitem um universo que é o produto de impulsos criativos contínuos, não condicionados rigidamente a qualquer lei mecânica. O próprio ser humano se torna um aspecto desse impulso criativo, que está ligado ao universo numa relação que não se expressa nos velhos marcos referenciais mecanicistas. Ser se torna assim, não mais uma engrenagem mecanicamente controlada dentro de uma máquina gigantesca, mas sim a manifestação de um impulso livre e criativo que está intrínseca e imediatamente ligado ao universo como um todo.                    

     Portanto, os valores humanos se tornam, nessa nova visão cientifica, expandidos para valores muito mais em consonância com aqueles que prevaleceram em culturas anteriores. Nesse complexo de imagens convergentes do ser humano, que os recentes desenvolvimentos científicos e culturais nos proporcionam, é onde procuramos visões de um futuro que permitirá ao ser humano sobreviver com dignidade e em harmonia com seu ambiente.                                                                                            

    A humanidade atingiu, não somente suas limitações externas, mas também suas limitações internas de ambiente sócio-cultural em transformação. Ao mesmo tempo, a evolução da ciência parece permitir a aceitação de outras formas de conhecimento que dariam ao ser humano a capacidade de recuperar a riqueza das crenças e a variedade de experiências espirituais. No contexto dessas considerações e da presente situação crítica, a maneira como a humanidade tem ocupado o planeta exige novas visões, ancoradas em uma variedade de culturas, para contemplar o futuro: compreender as complexidades resultantes de seus próprios atos, bem como sua capacidade de viver num

    ·          a percepção de um macrocosmo orgânico que recaptura os ritmos da vida permitirá ao ser humano reintegrar-se na natureza e restaurar seu relacionamento no espaço e no tempo com a vida como um todo e com o mundo físico;

    ·          o reconhecimento pelo ser humano de que ele é parte do mesmo padrão que define o universo j amplia sua auto-imagem e permite-lhe transcender o egoísmo, que é a principal causa de desarmonia entre indivíduos e entre a humanidade e a natureza;

    ·          a superação da fragmentação da unidade corpo-mente-espírito. resultado de uma ênfase desequilibrada de algumas partes, em detrimento de outras e do todo, lhe permitirá redescobrir em seu próprio íntimo o.reflexo do cosmo e seu princípio unificador supremo.

    Tais visões pedem uma transformação radical dos modelos de desenvolvimento: a eliminação da pobreza, ignorância e miséria; o fim da corrida armamentista; novos processos de aprendizagem, sistemas educacionais e atitudes mentais; melhores formas de redistribuição para se assegurar equidade social um novo estilo de vida baseado na redução do desperdício, no respeito pela biodiversidade, numa diversificação de sistemas sócio-econômicos e na diversidade cultural, transcendendo os conceitos desatualizados de soberania.

    Ciência e tecnologia são indispensáveis para se atingirem essas metas, mas somente poderão ter resultados positivos mediante uma reintegração da ciência e da cultura de modo a assegurarem um sentido de finalidade, bem como um enfoque integrativo com o objetivo de se superarem as fragmentações que conduziram a uma interrupção nas comunicações culturais.                                       

    Se falharmos no redirecionamento da ciência e da tecnologia para as necessidades fundamentais os avanços na informática (repositório de conhecimento), biotecnologia (patenteamento de formas de vida) e engenharia genética (traçado do genoma humano) conduzirão a conseqüências irreversíveis em detrimento do futuro da vida humana.

    O tempo é escasso e pede rapidamente a conclusão de uma paz ecocultural com a ajuda da ciência e da causara um maior custo para a sobrevivência.

    Devemos conhecer a realidade de um mundo multirreligioso e a necessidade do tipo de tolerância que permitirá a cooperação mútua das religiões, quaisquer que sejam suas diferenças. Isso contribuirá para satisfazer o que se requer para a sobrevivência humana e para se manter o núcleo comum dos valores de solidariedade, direitos e dignidade humanos. Isso é uma herança comum de toda a humanidade e deriva de nossa percepção do significado transcendental da existência humana e de uma nova consciência global.

    Vancouver, Canadá, 15 de setembro de 1989

     Daniel A Akyeampong (Físico; Ghana), Ubiratan D'Ambrósio (Matemático; Brasü), André Chouraqui (Biblicista. Israel), Nicolo Dallaporta (Físico; Itália), Pierre Danserau (Ecólogo; Canadá), Mahdi Elmandjra (Economista, President Association Internacionali Futuribles; Marrocos), Santiago Genovés (Antropólogo; México), CarIGoran Hedén (Biólogo, President, World Academy of Arts And Sciences; Suécia), Alexander King (President, Club de Roma), Eleonora Masini (Socióloga, President, World Future Studies Federation; Itália), Digby Mciaren (Geólogo, President, Royal Society of Canadá), Yujiro Nakamura (Filosofia; Japão), Lisandro Otero (Novelista; Cuba), Josef Riman (Genética Molecular, President, Czechoslovak Academy of Sciences, Checoslováquia), Soedjatmoko (Ex-Reitor da Universidade das Nações Unidas, Indonésia), Henry Stapp (Física; USA).

    Fonte:

    http://www.orion.med.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&catid=46%3Aunipazce&id=522%3Adeclaracaovancouver&Itemid=207

     

    Consulta: 19/01/2009 às 17h52’

    I Fórum da Unesco sobre Ciência e Cultura

    I Fórum da Unesco sobre Ciência e Cultura

    Ciência e as Fronteiras do Conhecimento: Prólogo do Nosso Passado Cultural

    Veneza, Itália, 3 a 7 de março de 1986

     

    Em cooperação com a Fondazione Giorgi Cini, a UNESCO promoveu em Veneza Itália, de 3 a 7 de março de 1986, um Simpósio sobre "Ciência e as fronteiras do conhecimento: prólogo do nosso passado cultural". O Simpósio, que reuniu 19 participantes de todas as partes do mundo e de distintas especialidades, culminou com um documento que sintetiza as discussões havidas e que passou a ser conhecido como a

     

    DECLARAÇÃO DE VENEZA

     

    1. Estamos testemunhando uma importante evolução no campo das ciências, resultante das reflexões sobre ciência básica ( em particular pelos desenvolvimentos recentes em física e em biologia), pelas mudanças rápidas que elas ocasionaram na lógica, na epistemologia e na vida diária mediante suas aplicações tecnológicas. Contudo, notamos ao mesmo tempo um grande abismo entre uma nova visão do mundo que emerge do estudo de sistemas naturais e os valores que continuam a prevalecer em filosofia, nas ciências sociais e humanas e na vida da sociedade moderna, valores amplamente baseados num determinismo mecanicista, positivismo ou hilismo. Acreditamos que essa discrepância é danosa e, na verdade, perigosa para a sobrevivência de nossa espécie.

     2. O conhecimento científico, no seu próprio ímpeto, atingiu o ponto em que ele pode começar um diálogo com outras formas de conhecimento. Nesse sentido, e mesmo admitindo as diferenças fundamentais entre Ciência e Tradição, reconhecemos ambas em complementaridade e não, em contradição. Esse novo e enriquecedor intercâmbio entre ciência e as diferentes tradições do mundo abre as portas para uma nova visão da humanidade e, até, para um novo racionalismo, o que poderia induzir a uma nova perspectiva metafísica.

     3. Mesmo não desejando tentar um enfoque global, nem estabelecer um sistema fechado de pensamento, nem inventar uma nova utopia, reconhecemos a necessidade premente de pesquisa autenticamente transdisciplinar mediante uma dinâmica de intercâmbio entre as ciências naturais, sociais, arte e tradição. Poderia ser dito que esse modo transdisciplinar é inerente ao nosso cérebro pela dinâmica de interação entre os seus dois hemisférios. Pesquisas conjuntas da natureza e da imaginação, do universo e do homem, poderiam conduzir-nos mais próximo à realidade e permitir-nos um melhor enfrentamento dos desafios do nosso tempo.

     4. A maneira convencional de ensinar ciência mediante uma apresentação linear do conhecimento não permite que se perceba o divórcio entre a ciência moderna e visões do mundo que são hoje superadas. Enfatizamos a necessidade de novos métodos educacionais que tomem em consideração o progresso científico atual, que agora entra em harmonia com as grandes tradições culturais, cuja preservação e estudo profundo são essenciais. A UNESCO deve ser a organização apropriada para procurar essa idéias.

     5. Os desafios de nosso tempo o risco de destruição de nossa espécie, o impacto do processamento de dados, as implicações da genética, etc. jogam uma nova luz nas responsabilidades sociais da comunidade científica, tanto na iniciação quanto na aplicação de pesquisa. Embora os cientistas possam não ter controle sobre as aplicações das suas próprias descobertas, eles não poderão permanecer passivos quando se confrontando com os usos impensados daquilo que eles descobriram. É nosso ponto de vista que a magnitude dos desafios de hoje exige, por um lado, um fluxo de informações para o público que seja confiável e contínuo e, por outro lado, o estabelecimento de mecanismos multi e transdisciplinares para conduzirem e mesmo executarem os processos decisórios.

     6. Esperamos que a UNESCO considere este encontro como um ponto de partida e encoraje mais reflexões do gênero num clima de transdisciplinaridade e universidade.

     

    Signatários: A.D. Akeampong (Ghana; físico-matemático); Ubiratan D’Ambrósio (Brasil; educador matemático); René Berger (Suíça, crítico de arte); Nicoló Dallaporta (Itália; físico); Jean Dausset (França; Prêmio Nobel de Medicina); Maitraye Devi (Índia;poetisa); Gilbert Durand (França; filósofo); Santiago Genovês (México; antropólogo); Akshai Margalit (Israel; filósofo); Yujiro Nakamura (Japão; filósofo); David Ottoson (Suécia;Presidente do Comitê Nobel de Filosofia); Abdus Salam (Paquistão; Prêmio Nobel de Física); L.K. Shayo (Nigéria; matemático); Ruppert Sheldrake (Inglaterra; bioquímica); Henry Stapp (USA; físico); David Suzuki (Canadá; geneticista); Susantha Goonatilake (Sri Lanka; antropologia cultural); Besarab Nicolescu (França; físico); Michel Random (França; escritor); Jacques Richardson (USA; escritor); Eiji Hattori (UNESCO; Chefe do Setor de Informações); V.T. Zharov (UNESCO; Diretor da Divisão de Ciências).

    Fonte:

    http://www.orion.med.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&catid=46%3Aunipazce&id=521%3Adeclaracaoveneza&Itemid=207

    Consulta: 19/01/2009 às 17h55’ 

     

    O Poder do Perdão

    15 nov. 2008
    > > O texto que a Margareth escreveu que descreve 3 coisas que podem
    > > destruir uma pessoa me fez lembrar de um assunto que vale muito a pena
    > > dividirmos:
    > >
    > > "Pesquisas e estudos vêm comprovando os benefícios, tanto mentais
    > > quanto físicos, do ato de perdoar.
    > >
    > > Porém, não é justo dizer que somente agora o mundo está se dando conta
    > > do poder do perdão. No aspecto científico, talvez, mas crença e
    > > religiões já pregam a importância do perdão há muitos e muitos anos,
    > > principalmente como um ato importante para a saúde do espírito.
    > >
    > > A questão principal, porém, é que o ato de perdoar não é uma das
    > > tarefas mais fáceis para nós, seres humanos. Tribos, sociedades,
    > > países, famílias e amigos já travaram e ainda travam batalhas, e
    > > verdadeiras guerras, por causa de diferenças entre as pessoas, ou
    > > devido a algum ato que desagradasse ou prejudicasse, espalhando pelo
    > > mundo ainda mais rancor e nem um pouco de paz. Mas o perdão não é
    > > impossível, nem mesmo nos casos mais graves, como vem tentando
    > > comprovar o Dr. Fred Luskin, autor de O Poder do Perdão e doutor em
    > > aconselhamento clínico e psicologia da saúde pela universidade de
    > > Stanford.
    > >
    > > Em 1999, ele criou um projeto na Universidade para o Perdão, tendo
    > > combinado em sua pesquisa dissertativa uma técnica psicoterapêutica,
    > > focando e emotividade racional, com alguns estudos sobre o impacto das
    > > emoções negativas, como raiva, magoa e ressentimento no sistema
    > > cardíaco.
    > >
    > > Suas técnicas foram aplicadas em várias experiências, sendo uma delas
    > > com dois grupos de pessoas que foram atingidas pelos conflitos entre
    > > protestantes e católicos, na Irlanda: um grupo, de mães que tiveram
    > > seus filhos mortos; outro, de homens e mulheres que perderam algum
    > > parente. Para esse projeto, Luskin contou com a cooperação de Carl
    > > Thoreses, PhD em Psicologia, e contou com o apoio de uma militante
    > > irlandesa que há trinta anos trabalha pela paz em seu país.
    > >
    > > Os participantes foram separados em grupos experimentais e
    > > supervisionados, e passaram seis semanas tendo aulas sobre as técnicas
    > > de perdão de Luskin. Os primeiros resultados, segundo Thoresen,
    > > indicaram que os participantes apresentavam redução do nível de
    > > estresse, viam-se menos irados e mais confiantes de que, no futuro,
    > > eles perdoariam mais e mais facilmente. Além disso, o estudo mostrou
    > > que o perdão pode promover uma melhora na saúde física, pois esse
    > > grupo de pessoas apresentou uma diminuição significante em sintomas
    > > como dores no peito, na coluna, náuseas, dores de cabeça, insônia e
    > > perda de apetite.
    > >
    > > Luskin descreve o perdão como sendo uma forma de se atingir a calma e
    > > a paz, tanto com o outro quanto consigo mesmo. A terapia que ele
    > > propõe encoraja as pessoas a terem maior responsabilidade sobre suas
    > > emoções e ações, e serem mais realistas sobre os desafios e quedas de
    > > suas vidas.
    > >
    > > OS NOVE PASSOS DO PERDÃO - Segundo o Dr. Fred Luskin
    > >
    > > 1. Saiba exatamente como você se sente sobre o que ocorreu e seja
    > > capaz de expressar o que há de errado na situação. Então, relate a sua
    > > experiência a umas duas pessoas de confiança.
    > >
    > > 2. Compromete-se consigo mesmo a fazer o que for preciso para se
    > > sentir melhor. O ato de perdoar é para você e ninguém mais. Ninguém
    > > mais precisa saber sua decisão.
    > >
    > > 3. Entenda seu objetivo. Perdoar não significa necessariamente
    > > reconciliar-se com a pessoa que o perturbou, nem se tornar cúmplice
    > > dela. O que você procura é paz.
    > >
    > > 4. Tenha uma perspectiva correta dos acontecimentos. Reconheça que o
    > > seu aborrecimento vem dos sentimentos negativos e desconforto físico
    > > de que você sofra agora, e não daquilo que o ofendeu ou agrediu dois
    > > minutos - ou dez anos - atrás.
    > >
    > > 5. No momento em que você se sentir aflito, pratique técnicas de
    > > controle de estresse para atenuar os mecanismo de seu corpo.
    > >
    > > 6. Desista de espera, de outras pessoas ou de sua vida, coisa que elas
    > > não escolheram dar a você. Reconheça as “regras não cobráveis” que
    > > você tem para sua saúde ou para o comportamento seu e dos outros.
    > > Lembre a si mesmo que você pode esperar saúde, amizade e prosperidade
    > > e se esforçar para consegui-los. Porém você sofrerá se exigir que essa
    > > coisa aconteçam quando você não tem o pode de fazê-las acontecer.
    > >
    > > 7. Coloque sua energia em tenta alcançar seus objetivos positivos por
    > > um meio que não seja através de experiência que o feriu. Em vez de
    > > reprisar mentalmente sua mágoa, procure outros caminhos para seus
    > > fins.
    > >
    > > 8. Lembre-se de que uma vida bem vivida é a sua melhor vingança. Em
    > > vez de se concentrar nas suas mágoas – o que daria poder sobre você à
    > > pessoa que o magoou – aprenda a busca o amor, a beleza e a bondade ao
    > > seu redor.
    > >
    > > 9. Modifique a sua história de ressentimento de forma que ela o lembre
    > > da escolha heróicas que é perdoar. Passe de vítima a herói na história
    > > que você contar."
    > >
    > > Fonte:
    www.learningtoforgive.com

    Consequências do trabalho na saúde

    Recomeço profissional: uma tarefa muito difícil

    http://tribunadonorte.com.br/93184.html

    Elisa Elsie EXEMPLO - Ricardo Savalli era guia turístico e depois de uma síndrome teve que passar por uma reabilitação
    16/11/2008 - Tribuna do Norte

    Elisa Elsie - Repórter
    Nem sempre recomeçar profissionalmente é uma escolha, às vezes, é a única opção. Escolha ou não, a mudança é um desafio. Para quem passa pela experiência de acidente de trabalho ou qualquer doença provocada pelas atividades desenvolvidas no trabalho, compreende a dificuldade em começar tudo novamente. Exaustão, depressão, amputações, lesão por esforço repetitivo (LER) e outros fatores podem prejudicar a capacidade laboral dos trabalhadores.

     Empresas, como a Caixa Econômica Federal, já desenvolvem programas de readaptação profissional, porém, é o Ministério da Previdência Social, através de serviços prestados pelo INSS (Instituto Nacional do Segura Social), que proporciona a reabilitação na maioria dos casos. Todo trabalhador com carteira assinada ou que contribua com o INSS se torna segurado da Previdência. Não há tempo mínimo de carência para que o segurado tenha direito ao serviço.

    A técnica responsável pela Reabilitação Profissional da Previdência Social em Natal, Marisa Dantas Guedes de Moura, afirma que muitos trabalhadores nem sabem da existência do programa, e muito menos que podem ser beneficiários. Os trabalhadores são encaminhados ao serviço quando há necessidade. “Se o trabalhador adoece, os 15 primeiros dias são pela empresa e a partir do 160 dia é pela Previdência Social”, explica Marisa Dantas.

    Somente em 2008, foram registrados 790 casos entre auxílio doença e auxílio acidentário. Destes, 505 segurados foram encaminhados para o Programa de Reabilitação Profissional. Entre janeiro e outubro de 2008, 340 clientes voltaram ao trabalho. Dos quais, 184 retornaram à empresa de origem com uma nova função e 112 retornaram para a mesma função, porém com atribuições distintas.  Apenas 44 segurados voltaram à empresa desempenhando as mesmas atividades.

    A partir do momento em que o trabalhador está na Previdência ele é submetido à perícia médica. “O perito acompanha o segurado e dá um prazo. Se na época da alta, o perito ver que ele (o trabalhador) não tem condições de voltar para a função ou está com alguma seqüela daquilo que aconteceu, ou acidente ou doença profissional, o perito encaminha para a reabilitação”, esclarece Marisa.

    O trabalhador é avaliado num contexto global para determinar qual encaminhamento será dado ao segurado. Desta forma, as seqüelas deixadas no trabalhador irão determinar se ele mudará de função dentro da empresa ou permanecerá na mesma função, porém, com atividades diferenciadas. Célida Socorro Freire Martins, fisioterapeuta da Previdência Social, diz que uma equipe multidisciplinar trabalha em todo o processo de reabilitação do profissional.

    A fisioterapeuta relata que há certa incompreensão por parte dos profissionais em relação à redução, limitação ou mesmo incapacidade de voltar ao trabalho. Alguns segurados esperam ser aposentados por invalidez. Entretanto, o grande objetivo do programa é requalificar o profissional. A classe dos motoristas profissionais é a mais resistente à mudança de função, devido ao salário diferenciado que recebem.

    Marcos Guimarães Kleming, médico chefe do Gerenciamento de Benefício por Incapacidade, esclarece que a perícia avalia a incapacidade de trabalho dos segurados da Previdência. “O princípio da perícia médica é afastar as pessoas que estão necessitando ser afastadas. E quando ela restabelece a condição de trabalho, a capacidade laborativa será avaliada”, diz Marcos Kleming.

    O médico explica que algumas doenças não interferem no desempenho profissional e por isso a importância do acompanhamento durante a reabilitação. “É levado em conta o perfil profissiográfico do trabalhador”, afirma o médico. Às vezes, as pessoas precisam aprender outra profissão.

    Porém, ele enfatiza que nem todas as pessoas que passam pela perícia médica entram no programa de reabilitação, somente quando há impossibilidade em trabalhar. Mesmo participando do programa de reabilitação, alguns fatores podem dificultar a reinserção no mercado de trabalho, como a baixa instrução do profissional ou idade superior a 40 anos.

    Guia turístico deixa o trabalho após exaustão

    O paulista, Ricardo Savalli, tinha uma rotina diária de mais de 20 horas de trabalho. Ele nem pensava em finais de semana para descanso.  O guia de turismo trabalhava com grupos estrangeiros que vinham passear pelo litoral norte-rio-grandense. Em junho de 2002, o telefone tocou, Ricardo tentou se levantar para atender, mas, não conseguiu. Todos os músculos do corpo  “travaram” de uma só vez. O diagnóstico veio em seguida: Síndrome de Burnout.

    A síndrome se caracteriza por um estado de exaustão prolongada e um quadro depressivo avançado. Após os primeiros 15 dias afastado da empresa, Ricardo entrou no auxílio doença da Previdência Social. Durante seis anos ele esteve sob o auxílio recebendo acompanhamento de psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais e fisioterapeutas, além do benefício financeiro.

    Em setembro deste ano, a equipe médica avaliou o quadro de Ricardo e determinou que o segurado estava pronto para ingressar no programa de reabilitação profissional. Hoje, aos 42 anos, Ricardo está animado com a possibilidade de ser novamente inserido no mercado de trabalho. Atualmente, ele busca qualidade de vida acima de tudo. E, embora continue com vínculo empregatício com a empresa Luck, seguirá um novo rumo profissional.

    “Hoje eu faço bacharelado em fisioterapia na FARN (Faculdade Natalense para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte) e o programa de reabilitação me encaminhou para um curso de Técnico de Segurança, no Senac, até como uma resposta à minha doença. A ausência de um técnico de segurança na empresa foi um dos motivos para eu ter uma carga de trabalho excessiva”, afirma Ricardo.

    O paulista comenta que é fácil criticar o governo, mas, num momento como este, vivenciado por Ricardo, ele ressalta como a Previdência Social é fundamental para a vida do trabalhador. Além disso, ele elogia o trabalho desenvolvido pela equipe que o acompanhou. “O que eterniza uma pessoa é a diferença que ela faz na vida de outra pessoa”, conclui emocionado Ricardo Savalli, se referindo ao médico psiquiatra que o acompanhou no programa, Cézar Augusto de Autran Nunes, já falecido, a quem ele dedica sua recuperação.

    O industriário Carlos Eduardo dos Santos, 49 anos, está desde julho de 2007 no programa de Reabilitação Profissional. O estresse causado pelo intenso trabalho em uma prestadora de serviço da Petrobrás, desencadeou algumas doenças no trabalhador. Inclusive, algumas crises de convulsão assustaram  Carlos, que estrou num estado depressivo.

    “Por duas vezes tentei suicídio nesta fase inicial do programa. É muito difícil encarar uma nova fase de trabalho na minha idade. Já estou com quase 50 anos e não é fácil mudar de profissão”, afirma Carlos Eduardo. Ele acredita que esta dificuldade em aceitar o novo atrasou sua entrada num curso de capacitação.

    Há dois meses, o industriário está inscrito no curso de Montagem e Manutenção de microcomputadores do Senac. “Não imaginava que me identificaria tanto com o curso”, relata Carlos Eduardo. Ele se diz 75% satisfeito com a Previdência Social e está mais animado com a mudança.

    SAÚDE FABRICADA PARA SER CARA

    Visite este grupo em http://groups.google.com.br/group/genesis-br?hl=pt-BR

    Para postar neste grupo, envie um e-mail para genesis-br@googlegroups.com, ficaremos mais felizes com a sua participação.

    Ed Cortez ed@genesisbr.com  13 de outubro de 2008

    Não devemos pensar em alopatia com radicalismo, não sendo sempre contra o uso de medicamentos. Muito menos ainda sempre a favor, usando-os diante de qualquer sintoma anormal. Uma vez instalada uma doença, absolutamente comprovada através de exames, devemos ouvir opiniões médicas, de profissionais da saúde e então ponderar sobre a real necessidade do seu uso. Pode parecer impróprio dizer isso às pessoas leigas na área, mas a saúde de cada um é responsabilidade de cada um. Ninguém deve entregar sua saúde nas mãos de alguém. Deve sim ir atrás de opiniões, exames, resultados e tomar as decisões junto com quem se confia. Diante do grande comercio indiscriminado que a  indústria farmacêutica conseguiu instalar a seu favor, devemos mais do que nunca, nos preocuparmos com a verdadeira necessidade de fazer uso dos medicamentos.

    Os vendedores de doenças

    As estratégias da indústria farmacêutica para multiplicar lucros espalhando o medo e transformando qualquer problema banal de saúde numa “síndrome” que exija tratamento.

    Ray Moynihan, Alan Cassels

    Há cerca de trinta anos, o dirigente de uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo fez declarações muito claras. Na época, perto da aposentadoria, o dinâmico diretor da Merck, Henry Gadsden, revelou à revista Fortune seu desespero por ver o mercado potencial de sua empresa confinado somente às doenças. Explicando, preferiria ver a Merck transformada numa espécie de Wringley’s – fabricante e distribuidor de gomas de mascar –. Gadsden declarou que sonhava, havia muito tempo, produzir medicamentos destinados às pessoas saudáveis. Porque, assim, a Merck teria a possibilidade de “vender para todo mundo”. Três décadas depois, o sonho entusiasta de Gadsden tornou-se realidade.

    As estratégias de marketing das maiores empresas farmacêuticas almejam agora, e de maneira agressiva, as pessoas saudáveis. Os altos e baixos da vida diária tornaram-se problemas mentais. Queixas totalmente comuns são transformadas em síndromes de pânico. Pessoas normais são, cada vez mais pessoas, transformadas em doentes. Em meio a campanhas de promoção, a indústria farmacêutica, que movimenta cerca de 500 bilhões de dólares por ano, explora os nossos mais profundos medos da morte, da decadência física e da doença – mudando assim literalmente o que significa ser humano. Recompensados com toda razão quando salvam vidas humanas e reduzem os sofrimentos, os gigantes farmacêuticos não se contentam mais em vender para aqueles que precisam. Pela pura e simples razão que, como bem sabe Wall Street, dá muito lucro dizer às pessoas saudáveis que estão doentes.
     

    A fabricação das “síndromes”

    A maioria de habitantes dos países desenvolvidos desfruta de vidas mais longas, mais saudáveis e mais dinâmicas que as de seus ancestrais. Mas o rolo compressor das campanhas publicitárias, e das campanhas de sensibilização diretamente conduzidas, transforma as pessoas saudáveis preocupadas com a saúde em doentes preocupados. Problemas menores são descritos como muitas síndromes graves, de tal modo que a timidez torna-se um “problema de ansiedade social”, e a tensão pré-menstrual, uma doença mental denominada “problema disfórico pré-menstrual”. O simples fato de ser um sujeito “predisposto” a desenvolver uma patologia torna-se uma doença em si.

    O epicentro desse tipo de vendas situa-se nos Estados Unidos, abrigo de inúmeras multinacionais farmacêuticas. Com menos de 5% da população mundial, esse país já representa cerca de 50% do mercado de medicamentos. As despesas com a saúde continuam a subir mais do que em qualquer outro lugar do mundo. Cresceram quase 100% em seis anos – e isso não só porque os preços dos medicamentos registram altas drásticas, mas também porque os médicos começaram a prescrever cada vez mais.

    De seu escritório situado no centro de Manhattan, Vince Parry representa o que há de melhor no marketing mundial. Especialista em publicidade, ele se dedica agora à mais sofisticada forma de venda de medicamentos: dedica-se, junto com as empresas farmacêuticas, a criar novas doenças. Em um artigo impressionante intitulado “A arte de catalogar um estado de saúde”, Parry revelou recentemente os artifícios utilizados por essas empresas para “favorecer a criação” dos problemas médicos (1). Às vezes, trata-se de um estado de saúde pouco conhecido que ganha uma atenção renovada; às vezes, redefine-se uma doença conhecida há muito tempo, dando-lhe um novo nome; e outras vezes cria-se, do nada, uma nova “disfunção”. Entre as preferidas de Parry encontram-se a disfunção erétil, o problema da falta de atenção entre os adultos e a síndrome disfórica pré-menstrual – uma síndrome tão controvertida, que os pesquisadores avaliam que nem existe.
     

    Médicos orientados por marqueteiros

    Com uma rara franqueza, Perry explica a maneira como as empresas farmacêuticas não só catalogam e definem seus produtos com sucesso, tais como o Prozac ou o Viagra, mas definem e catalogam também as condições que criam o mercado para esses medicamentos.

    Sob a liderança de marqueteiros da indústria farmacêutica, médicos especialistas e gurus como Perry sentam-se em volta de uma mesa para “criar novas idéias sobre doenças e estados de saúde”. O objetivo, diz ele, é fazer com que os clientes das empresas disponham, no mundo inteiro, “de uma nova maneira de pensar nessas coisas”. O objetivo é, sempre, estabelecer uma ligação entre o estado de saúde e o medicamento, de maneira a otimizar as vendas.

    Para muitos, a idéia segundo a qual as multinacionais do setor ajudam a criar novas doenças parecerá estranha, mas ela é moeda corrente no meio da indústria. Destinado a seus diretores, um relatório recente de Business Insight mostrou que a capacidade de “criar mercados de novas doenças” traduz-se em vendas que chegam a bilhões de dólares. Uma das estratégias de melhor resultado, segundo esse relatório, consiste em mudar a maneira como as pessoas vêem suas disfunções sem gravidade. Elas devem ser “convencidas” de que “problemas até hoje aceitos no máximo como uma indisposição” são “dignos de uma intervenção médica”. Comemorando o sucesso do desenvolvimento de mercados lucrativos ligados a novos problemas da saúde, o relatório revelou grande otimismo em relação ao futuro financeiro da indústria farmacêutica: “Os próximos anos evidenciarão, de maneira privilegiada, a criação de doenças patrocinadas pela empresa”.

    Dado o grande leque de disfunções possíveis, certamente é difícil traçar uma linha claramente definida entre as pessoas saudáveis e as doentes. As fronteiras que separam o “normal” do “anormal” são freqüentemente muito elásticas; elas podem variar drasticamente de um país para outro e evoluir ao longo do tempo. Mas o que se vê nitidamente é que, quanto mais se amplia o campo da definição de uma patologia, mais essa última atinge doentes em potencial, e mais vasto é o mercado para os fabricantes de pílulas e de cápsulas.

    Em certas circunstâncias, os especialistas que dão as receitas são retribuídos pela indústria farmacêutica, cujo enriquecimento está ligado à forma como as prescrições de tratamentos forem feitas. Segundo esses especialistas, 90% dos norte-americanos idosos sofrem de um problema denominado “hipertensão arterial”; praticamente quase metade das norte-americanas são afetadas por uma disfunção sexual batizada FSD (disfunção sexual feminina); e mais de 40 milhões de norte-americanos deveriam ser acompanhados devido à sua taxa de colesterol alta. Com a ajuda dos meios de comunicação em busca de grandes manchetes, a última disfunção é constantemente anunciada como presente em grande parte da população: grave, mas sobretudo tratável, graças aos medicamentos. As vias alternativas para compreender e tratar dos problemas de saúde, ou para reduzir o número estimado de doentes, são sempre relegadas ao último plano, para satisfazer uma promoção frenética de medicamentos.
     

    Quanto mais alienados, mais consumistas

    A remuneração dos especialistas pela indústria não significa necessariamente tráfico de influências. Mas, aos olhos de um grande número de observadores, médicos e indústria farmacêutica mantêm laços extremamente estreitos.

    As definições das doenças são ampliadas, mas as causas dessas pretensas disfunções são, ao contrário, descritas da forma mais sumária possível. No universo desse tipo de marketing, um problema maior de saúde, tal como as doenças cardiovasculares, pode ser considerado pelo foco estreito da taxa de colesterol ou da tensão arterial de uma pessoa. A prevenção das fraturas do quadril (bacia) em idosos confunde-se com a obsessão pela densidade óssea das mulheres de meia-idade com boa saúde. A tristeza pessoal resulta de um desequilíbrio químico da serotonina no cérebro.

    O fato de se concentrar em uma parte faz perder de vista as questões mais importantes, às vezes em prejuízo dos indivíduos e da comunidade. Por exemplo: se o objetivo é a melhora da saúde, alguns dos milhões investidos em caros medicamentos para baixar o colesterol em pessoas saudáveis, podem ser utilizados, de modo mais eficaz, em campanhas contra o tabagismo, ou para promover a atividade física e melhorar o equilíbrio alimentar.

    A venda de doenças é feita de acordo com várias técnicas de marketing, mas a mais difundida é a do medo. Para vender às mulheres o hormônio de reposição no período da menopausa, brande-se o medo da crise cardíaca. Para vender aos pais a idéia segundo a qual a menor depressão requer um tratamento pesado, alardeia-se o suicídio de jovens. Para vender os medicamentos para baixar o colesterol, fala-se da morte prematura. E, no entanto, ironicamente, os próprios medicamentos que são objeto de publicidade exacerbada às vezes causam os problemas que deveriam evitar.

    O tratamento de reposição hormonal (THS) aumenta o risco de crise cardíaca entre as mulheres; os antidepressivos aparentemente aumentam o risco de pensamento suicida entre os jovens. Pelo menos, um dos famosos medicamentos para baixar o colesterol foi retirado do mercado porque havia causado a morte de “pacientes”. Em um dos casos mais graves, o medicamento considerado bom para tratar problemas intestinais banais causou tamanha constipação que os pacientes morreram. No entanto, neste e em outros casos, as autoridades nacionais de regulação parecem mais interessadas em proteger os lucros das empresas farmacêuticas do que a saúde pública.
     

    A “medicalização” interesseira da vida

    A flexibilização da regulação da publicidade no final dos anos 1990, nos Estados Unidos, traduziu-se em um avanço sem precedentes do marketing farmacêutico dirigido a “toda e qualquer pessoa do mundo”. O público foi submetido, a partir de então, a uma média de dez ou mais mensagens publicitárias por dia. O lobby farmacêutico gostaria de impor o mesmo tipo de desregulamentação em outros lugares.

    Há mais de trinta anos, um livre pensador de nome Ivan Illich deu o sinal de alerta, afirmando que a expansão do establishment médico estava prestes a “medicalizar” a própria vida, minando a capacidade das pessoas enfrentarem a realidade do sofrimento e da morte, e transformando um enorme número de cidadãos comuns em doentes. Ele criticava o sistema médico, “que pretende ter autoridade sobre as pessoas que ainda não estão doentes, sobre as pessoas de quem não se pode racionalmente esperar a cura, sobre as pessoas para quem os remédios receitados pelos médicos se revelam no mínimo tão eficazes quanto os oferecidos pelos tios e tias (2) ”.

    Mais recentemente, Lynn Payer, uma redatora médica, descreveu um processo que denominou “a venda de doenças”: ou seja, o modo como os médicos e as empresas farmacêuticas ampliam sem necessidade as definições das doenças, de modo a receber mais pacientes e comercializar mais medicamentos (3). Esses textos tornaram-se cada vez mais pertinentes, à medida que aumenta o rugido do marketing e que se consolidas as garras das multinacionais sobre o sistema de saúde.

     grande abraço


    Referências bibliográficas:

     

    (1) Ler, de Vince Parry, “The art of branding a condition ”, Medical Marketing & Media, Londres, maio de 2003.
    (
    2) Ler, de Ivan
    Illich, Némésis médicale, Paris, Seuil, 1975.
    (
    3) Ler, de Lynn Payer, Disease-Mongers: How Doctors, Drug Companies, and Insurers are Making You Feel Sick, Nova York, John Wiley & Sons, 2002.
     Bibliografia complementar:
     
    * A revista médica PLoS Medecine traz, em seu número de abril de 2006, um importante dossiê sobre “A produção de doenças” – http://medicine.plosjournals.org/

    * Na França, as revistas Pratiques (dirigida ao grande público) e Prescrire (destinada aos médicos) avaliam os medicamentos e trazem um olhar crítico sobre a definição das doenças.

    *Jörg Blech, Les inventeurs de maladies. Manœuvres et manipulations de l’industrie pharmaceutique, Arles, Actes Sud, 2005.

    * Philippe Pignarre, Comment la dépression est devenue une épidémie, Paris, Hachette-Littérature, col. Pluriel, 2003.

     

    Notícias

    http://eticaglobal.blogspot.com/2008/10/morre-pierre-weil.html

    Ética Global - 11/10/2008 16:31 Atualização: 11/10/2008 16:34

    Domingo, 12 de Outubro de 2008

    MORRE PIERRE WEIL, DEFENSOR E PROPAGADOR DA PAZ

     

    O Brasil e o mundo perderam um grande defensor da paz. O educador Pierre Weil morreu em casa, no Lago Sul, na noite desta sexta-feira (10/10) de parada respiratória.

    Weil era diabético e tinha problemas pulmonares e de visão. Aos 84 anos Weil ganhou o respeito mundial com sua luta pela paz. Conhecido educador e psicólogo, nasceu na França em 1924, mas escolheu o Brasil como casa em 1948.

    "Morreu uma pessoa que estava à frente do seu tempo, uma pessoa que ensinou o ser humano a ver a luz dentro de si. Um arauto da paz". lamentou Regina Fittipaldi, pró-reitora do meio ambiente da Universidade Holística Internacional (Unipaz).

    Indicado para o Prêmio Nobel da Paz, em 2003, Weil foi reitor da Unipaz desde 1987. Universidade por ele criada a pedido do ex-governador do DF, José Aparecido de Oliveira, com o objetivo de difundir a cultura da paz.

    O corpo do estudioso será velado até domingo na Unipaz, no Parkway, na Área Especial Granja do Ipê. Na segunda-feira o corpo será cremado e as cinzas jogadas no Brasil e na França, terra natal do educador.

    Além do Distrito Federal, a universidade tem câmpus na Bahia, no Ceará, no Paraná, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Santa Catarina e do Rio Grande Sul. E em outros países: França, Argentina, Israel, Bélgica e Inglaterra.

    Original em:

    http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_13/2008/10/11/noticia_interna,id_sessao=13&id_noticia=39798/noticia_interna.shtml

    Postado por Carlos Roberto às 21:06

     

    Passagem de Pierre Weil

    HOMENAGEM A PIERRE WEIL REITOR DA UNIPAZ
    Grandes figuras,
    Grandes sábios(as),
    Grandes Seres,
    Grandes Seres Humanos...
    Ficam na história
    Tornam-se exemplos para revermos a nossa jornada
    Orientam caminho e nos possibilitam avaliar e seguir em frente.
     
    Grandes Escritores(as) tornam-se imortais através da escrita,
    Grandes iluminadores(as) tornam-se seres ascencionados(as),
    Pequenos seres humanos tornam-se gigantes diante do absurdo e da graça.
    Pequenas pegadas contribuem para muitas pegadas realizarem suas pegadas.
    Pequenos gestos de paz fazem a diferença na Arte de Viver a PAZ.
     
    A criatividade a serviço da imaginação e da humanidade trazem novos modelos de pensar o cotidiano, da teoria e da prática, da sombra a luz, da luz a sombra, sem medo de Ser...
    A criatividade a serviço de si, amor para consigo mesmo, realiza milagres de encontro com o outro e a outra, com o Nós...
    Gestos pequenos, pensamentos diários, questionamentos criativos geram alicerces de Vida, para a Vida, com a Vida, a partir da Vida...
     
    Quando seres iluminados(as) passam por nós com a sua simplicidade.
    Questionamos a nossa prepotencia, o nosso orgulho, a nosa luta por poder, as nossas miserias e qualidades...
    Quando seres iluminados(as) passam por nós e na nossa vida... Eles permitem um sentimento de querer ser melhor, de dar o melhor que temos e de amar o que somos apesar de tudo, mesmo que esse tudo naquele momento seja nada...
    Quando pessoas humanas transformam a sua vida e nos falam: Vocês também podem transformar a vida de vocês!
    Quando pessoas humanas cheias de virtudes e defeitos, mas que fizeram de tudo para viver a Paz em Si, a Paz com o Próximo e não importa se esse próximo e outro humano ou natureza ou grão ou cosmo...
    Dá um misto de saudade e de esperança: Eu posso!
     
    Não conheci pessoalmente o Pierre Weil. Conheci ele através do que falaram dele, dos livros dele, da prática e da teoria da UNIPAZ...
    Para mim a passagem dele está corroada de vitórias, de muitas flores, de muitos Bem-te-vis espalhados pelo mundo todo...
     
    Alguém que aprendeu a viver... Simplesmente alguém que aprendeu a viver e soube fazer a sua parte... permitindo emergir um tesouro para todos e todas...
    Temos mais um mentor do outro lado para nos orientar... Precisaremos pois ainda temos muito o que fazer...
     
    Meus sentimentos a rede Unipaz!!!
    Meus sentimentos ao movimento espiritualista, do dialogo inter-religioso, do movimento da PAZ... Tivemos conosco encarnado um ser que deu o seu melhor e que continua vivo agora em outro plano continuando a dar o seu melhor.
    PAZ, PAZ, PAZ, PAZ, PAZ, PAZ, PAZ PAZ, PAZ, PAZ, PAZ, PAZ, PAZ...
     
    Atenciosamente,
    Genivalda Araujo Cravo dos Santos
    Simplesmente um ser.

    Corte de Ponto na Educação de Goiás

    Olá Neusa,
    Li o seu desabafo.
    Parabéns por ter tido a coragem de desabafar.
    Parabéns pela coragem de lutar, movimentar, agir, ter ação, expor-se, sair da acomodação...
    Parabéns por chorar, deixar o sentimento vir, mas gerenciar as finanças, gerenciar as emoções, os sentimentos e o estresse.
    Parabéns pela coragem em assumir ser gente, gente que pensa, gente que age, gente que enfrenta as consequências, mas não esmorece, mantém o testemunho da coerência consigo mesma.
     
    Infelizmente esse governo está em Burnout e perderam a sensibilidade, endureceram, coisificaram, desumanizaram...
     
    Infelizmente ou felizmente somos muitos em poucos que ainda tem coragem de lutar, de fazer a diferença e o diferente.
     
    Infelizmente esse governo pegou naquilo que mata e aniquila a alma humana: o seu direito de sobreviver. Isso já fizeram com os petroleiros na época do Fernando Henrique. Aqui em Goiàs é o segundo governo que faz isso...
     
    Sinta-se vitóriosa.
    Sinta-se uma guerreira.
    Sinta-se motivada, animada, alegre, determinada...
     
    O governo quer ver os trabalhadores em educação curvados e curvadas.
    A decisão é sua é nossa se vamos aceitar tal canga.
    Quando uma instituição entra em Burnout nada a move... ela fica apática, negativa, intolerante, irritada e violenta...
     
    A escolha será sua e de todos e todas que estão sentindo na pele o contra-cheque zerado...
    Vai entrar no jogo do governo em querer aniquilar as nossas esperanças, a nossa capacidade de luta, de organização, de mobilização, de fé na vida, de capacidade de trazer o novo e levar o novo...
     
    Dignidade é algo raro.
    Esperança é algo raro.
    Amor incondicional é algo raro.
    Fé na vida é algo raro.
    Paz é algo raro.
    Essas virtudes só deixarão de ser algo raro, para ser algo natural, expontâneo e do dia -a-dia se nós fizermos a nossa parte individual e coletiva.
     
    Nesse momento fico a pensar em tantas pessoas que lutaram e denunciaram injustiças e transformaram o amanhã no hoje, como por exemplo: Chico Mendes, Madre Tereza, Gandhi, Zumbi, Che Guevara, Jesus Cristo, Paulo, Mãe Menininha do Canduá, Martin Luter King... tantos anonimos e anonimas espalhados e espalhadas por esse planeta...
     
    Irei vibrar muito por todos e todas da educação para que dêem conta de gerenciar esse momento e que tirem lições positivas.
     
    Irei torcer para que esse momento sirva de esperança para nós demonstrarmos para os nossos estudantes que vale apena lutar, vale apena a gente fazer a nossa parte e acreditar na transformação e nas mudanças em nossa sociedade, na nossa economia, na nossa cultura, na nossa ecologia... Eu acredito que "um outro mundo é possível" e necessário e tudo começa por mim, por ti, por nós... do interno para o externo... do individual para o coletivo... da mudança do nosso padrão mental e das nossa crenças negativas... do nosso querer fazer a diferença e acreditar com alegria e entusiasmo "Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz".
     
    Boa sorte!
    Cuide-se e não permita que esse governo fira a sua alma, as suas esperanças, a sua capacidade de gerenciar os conflitos, o estresse, as finanças...
     
    Beijos,
    Genivalda Araujo Cravo dos Santos.

    Síndrome de Burnout

    http://www.eldiadeciudadreal.com/noticia.php/10148

    SALUD -

    Según Margarita Velascoín, vocal de la Junta de Gobierno del Colegio Oficial de Psicólogos de C-LM

    Las afecciones relativas al trabajo han aumentado en los últimos años

    08-SEPTIEMBRE-2008. CIUDAD REAL

    Burn out (síndrome de “estar quemado), estrés laboral, adicción al trabajo o el célebre síndrome postvacacional son algunas de las afecciones psicológicas relativas al contexto profesional que en los últimos años han aumentado progresivamente en Ciudad Real, tal como explica Margarita Velascoín, vocal de la Junta de Gobierno del Colegio Oficial de Psicólogos de Castilla-La Mancha. Como es bien sabido, la sintomatología característica en este tipo de desajustes se manifiesta a través de  irritabilidad, malestar, insomnio, cansancio, astenia...

    Sea como fuere, Velascoín llama la atención sobre la doble lectura que produce el exceso de documentación --fundamentalmente en Internet-- al que asistimos: “A la gente le encanta autodiagnosticarse [...] No es infrecuente que tanto en medicina como en psicología la persona llegue a la consulta anunciando él mismo lo que tiene”, por lo que una de las consecuencias es el que el “paciente empiece a reconocerse una serie de síntomas, a darles más atención y a magnificarlos”.

    Síndrome postvacacional

    A propósito del síndrome postvacacional, Velascoín empieza aclarando que “no se le puede llamar síndrome en la medida que no figura dentro de las enfermedades”. Profesores, trabajadores sociales, médicos, educadores y cargos de alta responsabilidad son los más propensos a padecer la “sensación de angustia vital, sentimiento de tristeza, problemas estomacales...” con los que se manifiesta esta dolencia.

    Suele asociarse este problema a una errónea planificación de los últimos días del periodo vacacional y al cambio brusco de hábitos (“no es tan común entre la gente de más de 40 o 45 años porque cometen menos excesos”). Del mismo modo, inconscientemente es interpretado como un aprovechamiento óptimo de las vacaciones: “Si no apurásemos al máximo las vacaciones y no sintiésemos nostalgia y rechazo hacia el trabajo supondría no haber empleado bien ese periodo”.

    Al margen de las dietas saludables y el periodo de habituación a los horarios laborales, poner fin al síndrome es, a juicio de Velascoín, una cuestión de actitud; “de intentar no centrarse en los perjuicios.”

    Así las cosas, los periodos de transición acostumbran a ser causantes de afecciones psicológicas: “En verano se habla de mayores rupturas y afecciones, pero todo depende de la organización. Por ejemplo, hay gente que no es capaz de desconectar del trabajo, y por tanto en verano siente la necesidad de mantener el mismo ritmo de vida que en invierno”. Y si bien es cierto que hay casos que concluyen como cuadros se ansiedad y estrés (los burn out son los más propensos a degenerar el síndrome en algo de mayor calado), lo más probable es que el sujeto no tarde en superar la situación. En palabras de la psicóloga: “Antes de venir a la clínica la persona medita su caso durante ocho o diez días, que son los que tarda en desaparecer, como mucho, el síndrome postvacacional”.

    Niños

    Otro de los espectros de la población que se sospecha más vulnerable al reencuentro con septiembre es el de los niños, a quienes de veras influye la dinámica acelerada y el estrés de los padres. Por otro lado, la novedad del curso escolar, con todo lo que ello implica --materiales, libros...--, resulta un importante estímulo.

    Para concluir, la vocal del Colegio recaba que comparativamente hablando con otras ciudades, en Ciudad Real “aún no podemos hablar de elevados niveles de ansiedad.”

    informa
    A. J. RODRIGUEZ

    Síndrome de Burnout

    http://www.elmundo.es/elmundosalud/2008/09/22/medicina/1222069339.html

    ANÁLISIS DE 27 ESTUDIOS

    Jefes que 'matan'

    §                     Los trabajadores a las órdenes de un buen jefe cogen menos bajas laborales

    §                     En Europa 41 millones de personas sufren estrés por culpa del ambiente en el trabajo

    Ilustración: (Luis Parejo)

    Actualizado lunes 22/09/2008 09:47 (CE

    PATRICIA MATEY

    MADRID.- Hay jefes que, literalmente, te pueden poner enfermo. Son los que no tienen en consideración a sus empleados, los que no los motivan y no los estimulan intelectualmente. Nada que ver con los buenos líderes que, tal y como acaba de reconocer un nuevo estudio, logran aumentar la satisfacción de sus subordinados en el trabajo y contribuyen a que se sientan mejor en general y no se pongan malos.

    Jaana Kuoppala, del Instituto Finlandés de Salud Laboral, en Helsinki, y su equipo han llevado a cabo una revisión de un total de 27 estudios de los 109 seleccionados, publicados entre 1970 y 2005, en los que se ha analizado cómo influyen los jefes en la salud y en el bienestar de los trabajadores.

    "En la literatura científica encontramos tres definiciones distintas de lo que es ser un jefe benévolo", afirma a elmundo.es la doctora Anne Lamminpää, una de las autoras del estudio. "El jefe compasivo, que proporciona apoyo social cuando es necesario; el considerado, que trata con respeto a los empleados y el transformador, que inspira, motiva y estimula a nivel intelectual", añade.

    La investigación, que ha visto la luz recientemente en la revista 'Journal of Occupational and Enviromental Medicine', constata que los trabajadores a las órdenes de un buen jefe están menos días enfermos y requieren de menos bajas laborales. Concretamente, estos empleados 'afortunados' tiene un 27% menos de riesgo de enfermar y un 46% menos de posibilidades de solicitar una baja por discapacidad .

    "Estos datos confirman la teoría de que los superiores bien preparados, que promueven un buen ambiente laboral, así como unas óptimas condiciones de trabajo, reducen los problemas de salud" de los compañeros que están bajo su dirección. Por este motivo "las compañías deberían seguir de forma rutinaria la trayectoria de sus empleados y realizar un esfuerzo por mejorar las condiciones en las que trabajan", agrega Lamminpää.

    El oficio de tomar decisiones

    Un ambiente laboral "irrespirable es algo que se nota a distancia y que, lógicamente, repercute negativamente en la salud de los trabajadores. Lo mismo sucede cuando una persona no se siente realizada en su trabajo, se le encomiendan labores que están por debajo de sus capacidades o se le acosa", comenta Santiago Alvarez de Mon, profesor del IESE (Escuela de Dirección de Empresas de la Universidad de Navarra) en el Departamento de Dirección de Personas en la Organización.

    Iñaki Piñuel Zabala, profesor titular de Organización y Recursos Humanos de la Universidad de Alcalá de Henares (Madrid) y socio de la consultora Mobbing Research, aclara que detrás de este mal clima laboral se esconden los que denominados "jefes tóxicos".

    Este pionero en la investigación y difusión del acoso laboral en España declara que los datos del último informe Cisneros establecen "que el 36% de los trabajadores haría examinar a su jefe por un psicólogo. En nuestro país está muy extendido el concepto de que ser jefe es un arte que se tiene o no se tiene, pero en realidad es una tecnología que se aprende. Los jefes tóxicos son los que generan precisamente eso, un clima tóxico. No toman decisiones, lo que favorece que muchos empleados se aprovechen de esta situación y se genere por ello un caldo de cultivo que deteriora la salud de los otros empleados".

    Tal vez por este motivo las conclusiones del nuevo estudio determinan "que es extremadamente importante que la función de los superiores sea evaluada y que se promocione a aquéllos con una conducta más ejemplar en todos los ambientes laborales", añade el trabajo.

    Más salud y más productividad

    El psicólogo estadounidense Kenneth Nowack, presidente del Consorcio Envisia, que lleva 20 años desarrollando sistemas para la evaluación de los empleados, y uno de los mayores expertos mundiales en inteligencia emocional, también se muestra de acuerdo con los datos del nuevo estudio. "Este metaánalisis proporciona la confirmación de que los líderes intervienen en los niveles de estrés, en el síndrome de Burnout (profesional quemado), la ansiedad, la salud psicológica y el bienestar físico que padecen sus trabajadores", afirma a elmundo.es.

    Todos estos factores negativos tienen "un coste para las compañías en gastos médicos, accidentes, problemas de seguridad, estado de ánimo de los empleados o, incluso, desperdicio de talento", subraya el doctor Nowack.

    Este especialista recuerda que sus estudios han constatado que "los trabajadores a las órdenes de los líderes más inteligentes emocionalmente son más productivos, efectivos y gozan de mejor salud que aquéllos cuyos supervisores son mediocres. Estos últimos líderes pueden provocar desde estrés laboral en sus empleados hasta aumentar su riesgo de hipertensión y ataques al corazón", puntualiza.

    El estrés laboral se ha convertido en un factor de riesgo psicosocial que sólo en la Unión Europea afecta a 41 millones de empleados. Al otro lado del Atlántico, los expertos en salud mental aseguran que se ha producido un incremento de los casos de esta dolencia este año, según señala 'The Wall Street Journal'. De hecho, la Asociación de Asistencia Profesional al Empleado de EEUU afirma que las peticiones de los trabajadores para participar en programas de ayuda para problemas mentales o personales han aumentado un 10%.

    Un reciente estudio llevado a cabo por la Organización Gallup, que lleva más de 70 años investigando el comportamiento humano y es una de las firmas más reconocidas en sondeos de opinión y consultoría, determina que los grupos de trabajo mal dirigidos son un 50% menos productivos y un 44% menos rentables para sus empresas. Además, esta entidad subraya que los "malos" jefes hacen perder talentos para las compañías.

    No sólo eso. Hacia ellos apunta además la mayor parte de la responsabilidad de otro factor de riesgo psicosocial reconocido en los últimos 25 años: El "mobbing" o acoso psicológico en el trabajo. Según datos de la Asociación Nacional de Entidades Preventivas Acreditadas (ANEPA), afecta ya al 10% de los trabajadores y trabajadoras nacionales.

    Síndrome de Burnout

    http://blogs.periodistadigital.com/dinero.php/2008/09/13/pinuel-trabajo-sindrome-postvacional-bur-4567     

    ¿Síndrome postvacacional o trabajo tóxico?

    13.09.08 | 13:08. Archivado en Trabajo

    (Iñaki Piñuel).- Acuñado por primera vez a finales del verano de 2000 por el especialista en salud laboral Angel Cárcova, el síndrome postvacacional es un concepto relativamente nuevo con muy poca entidad aún en la investigación académica.

    Describe en realidad una dificultad de adaptación al trabajo tras la finalización de las vacaciones que afecta a un número creciente de trabajadores. Esta inadaptación conlleva una serie de cuadros en forma de síntomas físico-psíquicos, que suelen remitir normalmente al cabo de pocas semanas.

    Puede definirse como una reacción adversa de inadaptación como resultado de la vuelta después de un período vacacional a un tipo de trabajo cuyas negativas condiciones psicosociales producen un auténtico rechazo del organismo del trabajador afectado.

    Hay 6 grupos de síntomas que suelen presentarse como más característicos de este síndrome:

    1. El cansancio o agotamiento emocional, caracterizado por pérdida de energía, apatía, abulia, desmotivación, lasitud. Se trata de una especie de agotamiento o fatiga más psicológica que física. No puede con el trabajo. Le superan las tareas más nimias. Es más un bloqueo psicológico que físico.

    2. Retirada e introversión social en el ámbito del trabajo. El trabajador no tiene ganas de relacionarse con los demás en el trabajo. Puede adoptar una actitud pasiva, distante o mantener el mutismo. Disminuye su participación, y sus relaciones e intercambios con los demás pueden verse reducidos de manera significativa.

    3. Sentimientos negativos hacia el trabajo y sensación de horizonte profesional cerrado o agotado. Pesimismo profesional. No percibe que el propio desempeño en el trabajo pueda ser gratificante. Las recompensas o niveles de realización que puede esperar en el próximo período del trabajo son escasas o nulas.

    4. Desarrollo de una variada gama de síntomas psicosomáticos de estrés. Se suelen presentar cuadros de angustia, ansiedad, dolor precordial, taquicardias, dolores musculares o articulares, cefaleas, sofocos, ahogos, temblores, inquietud, nerviosismo, etcétera.

    5. Aparición repentina de cambios bruscos en la personalidad. Se producen cambios en la forma de ser del trabajador. Se incrementa la irritabilidad, la persona aparece triste, desarreglada en su aspecto externo, con llantos o ganas de llorar, con frecuentes discusiones o broncas con su familia. Presenta pesimismo existencial. Manifiesta ideas negativas hacia sí mismo, su capacidad o su talento profesional, ideas negativas hacia su trabajo, sus compañeros, jefes, el entorno laboral, y mira al futuro con desconfianza o incluso desesperación, anticipando cosas malas que le van a ocurrir en su trabajo.

    6. Alteración de los patrones de sueño. Se producen problemas para dormir. Puede presentar problemas para conciliar el sueño o despertar temprano y no poder ya dormirse. En cualquier caso la persona no descansa con el sueño.

    Cada vez somos más los investigadores que relacionamos la emergencia de este nuevo síndrome con la existencia de otros fenómenos que pueden estar causándolo, como son los denomidados riesgos laborales psicosociales. En concreto el 'mobbing', el estrés o el 'burnout'.

    Son muy a menudo los trabajadores que padecen a lo largo del año condiciones de trabajo psicosocialmente tóxicas los que al volver al trabajo presentan este tipo de cuadros. El síndrome postvacacional no sería entonces más que un epifenómeno propio del organismo de un trabajador dañado a lo largo del año, que simplemente se revuelve y se resiste a regresar a un lugar de trabajo en el que sufre enormemente.

    La presión de la organización, las apreturas económicas y familiares, la situación del mercado laboral y algunos otros factores incrementarían la disonancia cognitiva de los trabajadores que, a pesar de estar expuestos a un riesgo laboral psicosocial creciente, se someten sin remedio a condiciones laborales lesivas por su toxicidad. Así, por ejemplo, el estrés es algo a lo que estamos tan aclimatados que sólo nos damos cuenta de que lo sufrimos tras un período como el vacacional en el que nos hemos visto libres de él por un tiempo.

    Muchos trabajadores están asimismo 'quemados' por el 'burnout' o síndrome del trabajador quemado, y no lo saben. Sólo notan con inquietud que cada vez sufren más intensamente problemas psicosomáticos a la vuelta del verano. Otros son víctimas de un proceso de persecución laboral conocido como 'mobbing' o acoso psicológico en el trabajo, que muchos todavía, y a pesar de la divulgación del fenómeno, trivializan y banalizan.

    El retorno postvacacional al 'acoso nuestro de cada día' cursa con crisis de ansiedad, ataques de pánico o reacciones psicosomáticas diversas.

    Ante todas estas situaciones de castigo laboral el organismo se rebela y finalmente transmite el conflicto a través de las señales de alarma, que son siempre las somatizaciones típicas. El síndrome postvacacional no manifiesta más que la repugnancia, el miedo o el terror de nuestro organismo a regresar, a la vuelta de las vacaciones, a un lugar de trabajo que se ha convertido hace tiempo en un 'gulag' o un 'lager' laboral.

    A pesar de que es un imperativo de la Ley de Riesgos laborales, son pioneras y aún relativamente pocas las empresas y administraciones que incorporan la evaluación del riesgo laboral psicosocial en el que pueden estar inmersos sus trabajadores por efecto del 'mobbing', del estrés o del 'burnout'.

    Por todo ello, ante la realidad del síndrome postvacacional es necesario cuestionarnos acerca del riesgo psicosocial a que nos expone nuestro trabajo o simplemente preguntarnos, tal y como señala el sociólogo español Enrique Arrojo, si no habrá llegado ya el momento para muchos de nosotros de abandonar un trabajo que resulta crecientemente tóxico por inhumano.

    Síndrome de Burnout na Argentina

     

    http://www.infocielo.com/IC/Home/index.php?ver_nota=1867

    SUMARIO | 2008-09-11 20:26:00 | Advierten vacio en Ley de Riesgos de Trabajo

    Sindrome del Quemado: crece el deterioro de la salud psíquica de los docentes

    Debido al contexto de violencia actual, la profesión docente se volvió una ocupación de riesgo. En el año 2004, se creó a nivel nacional el Observatorio de Violencia en las Escuelas, producto de la tragedia de Carmen de Patagones, con el objetivo de medir los niveles y la distribución de la violencia a nivel nacional. Este Observatorio realizó en 2005 un relevamiento entre 60 mil estudiantes, pero los resultados no fueron difundidos.
    Dos años después, un periódico nacional daba cuenta que en las escuelas bonaerenses, durante el primer cuatrimestre de 2005 se hicieron más de 14 mil denuncias por agresiones físicas.
    En tanto, respecto de la ciudad de Ciudad de Buenos Aires, un informe de la Defensoría del Pueblo afirmaba que esa dependencia recibió 170 denuncias entre 2000 y 2005, provenientes de colegios de Capital Federal relacionadas con agresiones físicas, verbales y psicológicas.
    A mediados de este año, la Federación de Educadores Bonaerenses (FEB) publicó un informe que arrojaba que “unos 21.000 docentes de la provincia de Buenos Aires hicieron consultas por estrés y fatiga”.
    Según el trabajo, “los motivos de consulta más frecuentes recepcionados en el Departamento de Salud Laboral del gremio, entre septiembre de 2006 y abril de 2008 tienen que ver con los llamados riesgos psicosociales”. Durante dicho periodo, se recibieron 7.188 consultas, de las cuales 2.515 estaban relacionadas a patologías con afectación de la esfera psíquica.
    Además se detectó que el grupo etáreo más afectado fueron los docentes de entre 40 a 55 años, (un 46% de los pacientes), lo que se relaciona con el mayor tiempo de exposición a un ambiente escolar difícil.
    Ante esta situación, en la última edición de la revista de la FEB, “Docentes para el cambio”, el Dr. Daniel Tineo, especialista en Medicina del Trabajo y responsable del área de Salud Laboral, analizó la problemática.
    Tineo destaca la relevancia de las enfermedades psicosociales de los docentes, particularmente el Síndrome de Burnout y el Mobbing.
    Para el especialista, “estas dos patologías muchas veces son subestimadas, pero según cálculos del gremio, para 2010 la mitad de las licencias solicitadas por los docentes corresponderían a este tipo de enfermedades”.
    “Hoy, el 35% de las consultas que llegan al Departamento de Salud Ocupacional de la FEB están relacionadas con este tipo de patologías, igualando o superando a las consultas por dolencias físicas más frecuentes, como la disfonía”, prosiguió Tineo.
    Pero el asesor médico-laboral de la FEB advierte un vació en la Ley de Riesgos de Trabajo (24.557): “En el listado de enfermedades profesionales de la ley de riesgos del trabajo que corresponden a la actividad docente, no se encuentran ni el Burnout ni el Mobbing, que hoy son los principales problemas de salud que posee realmente el perfil de enfermedad del trabajador de la Educación”.

    Cabe destacar, que la salud mental de los maestros es una preocupación internacional.
    Los últimos estudios del Observatorio Permanente de Riesgos Psicosociales de la central de sindicatos españoles sostienen, que algunas condiciones de trabajo tienen mayor índice de probabilidad de operar como causantes de riesgos, específicamente los sectores relacionados con servicios, como educación, salud u hotelería.
    Con respecto al estrés alto por sectores: “Del total de trabajadores encuestados, el 73% de los maestros tienen un alto nivel de estrés; los trabajadores de Hostelería y Textil, un 65% y un 64%, respectivamente; mientras que el rubro de Sanidad afecta a un 27% y en el de Seguridad privada a un 13%”. Con respecto al Burnout o Síndrome del Quemado, el índice más alto también se encuentra en los maestros, donde alcanza al 76 % de encuestados.
    AL

    Em Busca de Parcerias e Oportunidades

                                CARTA DE APRESENTAÇÃO

     

    Genivalda Araujo Cravo dos Santos, professora da rede pública do Estado de Goiás e do município de Goiânia, com Graduação em História pela UFG/GO, Doutoranda e Mestre em Ciências da Religião pela UCG/GO, Terapeuta em Reike nível III, Aprendiz da Formação Holística de Base – UNIPAZ/GO, associada à ISMA - International Stress Management Association - do Brasil e, facilitadora em eventos, como por exemplo, conferências, palestras, oficinas, workshop, cursos, mini-cursos e vivências contendo as seguintes temáticas:

    • Gerenciamento do Stress;
    • As conseqüências do stress e da síndrome de burnout na Qualidade de Vida no Trabalho – QVT;
    • Espiritualidade nos ambientes de trabalho;
    • A saúde do trabalhador em educação;
    • Religião, Espiritualidade e Qualidade de Vida;
    • Síndrome de burnout a doença que acomete os/as cuidadores/as;
    • Síndrome de burnout a doença silenciosa: sintomas e conseqüências
    • “Amar o próximo com a ti mesmo” uma vivência anti-stress;
    • Visualização: os quatros elementos da natureza - uma vivência anti-stress;
    • Cuidar dos relacionamentos humanos uma prevenção anti-stress/burnout;
    • África-Brasil: imaginário e representações simbólicas;
    • Multiculturalismo e dialogo inter-religioso.

    Domina também outros temas, sob consulta. Contatos para agendamentos de atividades, eventos, consultoria, pesquisa diagnóstica e/ou parcerias:

    Dados curriculares on-line na Plataforma Lattes do CNPq, no seguinte endereço: http://lattes.cnpq.br/5930342285944905.