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Esgotamento emocional, estresse e irritabilidade são alguns sintomas da Síndrome de Burnout |
Todo mundo já teve um dia estressante no trabalho. Mas quando esse quadro vira rotina e os sintomas tornam-se crônicos, é preciso ficar em alerta. Se o trabalho se transforma em um tormento, você pode estar sofrendo a Síndrome de Burnout, um distúrbio psíquico causado por esgotamento físico e mental intenso associado ao trabalho.
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O termo "Burnout" vem do inglês: burn, de queimar, e out, de exterior. Isso sugere que quem tem esse tipo de estresse sente-se consumido física e emocionalmente, e começa a apresentar comportamento agressivo e irritadiço. A síndrome foi batizada pelo psicanalista norte-americano Freudenberger, no início dos anos 70, porém nunca foram registrados tantos casos como nos últimos anos. Ela foi tema central do 8º Congresso da Isma-Br (International Stress Management Association), associação que desenvolve pesquisas voltadas para o estresse, realizado no ano passado em Porto Alegre (RS). Neste encontro, descobriu-se que cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros são portadores da doença.
Segundo a psicóloga Fernanda Elpes Nakao, os principais sintomas da Síndrome de Burnout são: esgotamento emocional, sintomas físicos de estresse (cansaço e mal estar em geral), irritabilidade frequente, inquietude, dificuldade de concentração, fadiga crônica e baixa auto-estima, dentre outros. "Em um primeiro momento é preciso observar fatores como falta de vontade de ir trabalhar e sintomas físicos como dores nas costas, pescoço e coluna, sem causas específicas. Em um segundo momento, começa-se a deteriorar o relacionamento com outras pessoas. Daí surgem doenças psicossomáticas, como alergias e picos de hipertensão", disse a psicóloga afirmando que detectados esses sintomas é bom procurar imediatamente um médico. "No estado mais grave da doença, pode levar ao suicídio."
Para a especialista em Comportamento Humano e Organizacional Luciana Botelho, os profissionais mais vulneráveis à síndrome são aqueles extremamente exigentes e perfeccionistas, e que não medem esforços para atingir bons resultados. "Esse tipo de comportamento faz com que muitos acabem não respeitando seus próprios limites e deixando essa interferência ocorrer nas relações sociais e com seus familiares."
Por se tratar de um esgotamento emocional intenso, essa síndrome em alguns casos pode se confundir com estresse ou depressão. Porém, sua característica mais marcante é a dedicação exagerada a atividade profissional. "A pessoa sente desejo de ser o melhor funcionário, demonstrar alto desempenho. Quando ele não é reconhecido, a satisfação acaba se transformando em compulsão. Isso leva ao esgotamento, depressão ou transtornos ansiosos.", afirma Fernanda.
O tratamento mais indicado é o acompanhamento psicológico contínuo. "A pessoa aprende a interpretar suas emoções e seu comportamento de modo adequado, assim lida de uma maneira melhor com sua vida", disse Fernanda. Ela relata como exemplo de recuperação um paciente que tratou com a doença. "Estabelecemos algumas regras para seu trabalho, como fazer um check list das prioridades do dia e estabelecer horários para ler e responder e-mails. Durante sua semana, passou a dedicar dois dias para a prática de esportes, três para lazer com os filhos e a esposa, um para sair com os amigos e o final de semana livre para descansar. Após seis meses de terapia sua ansiedade e depressão foram controladas."
Ambiente de trabalho A Síndrome de Burnout é considerada uma doença ocupacional prevista nas leis trabalhistas que assegura ao funcionário o direito de se afastar de sua atividade para se recuperar dos sintomas. "O ambiente de trabalho é um dos fatores causadores da doença. As empresas exigem dos funcionários grande dedicação e alto rendimento que aumentem a produtividade. Assim, muitos abdicam de suas vidas para se envolverem nas tarefas das empresas, e acabam deixando de lado o convívio social", disse a psicóloga.
Como ela está diretamente ligada ao ambiente de trabalho, as empresas podem criar ações para favorecer um bom clima corporativo e aliviar o estresse. "As empresas podem desenvolver medidas simples, como propiciar condições adequadas ao desenvolvimento das atividades, estarem atentos ao clima organizacional, investir em treinamento, ter clareza nas avaliações de desempenho, e principalmente respeitar o cumprimento das férias", disse Luciana Botellho. "As empresas precisam tratar isso como um problema coletivo e organizacional e não individual", disse Fernanda.
Prevenção Existem meios de prevenir a Síndrome de Burnout, aliviar o estresse no ambiente de trabalho e melhorar a qualidade de vida. "Nossa vida tem que estar equilibrada com prazer e obrigações. Essa é a chave para o sucesso profissional e pessoal, enfim de uma vida saudável", disse a psicóloga. Ela dá algumas dicas:
- Peça ajuda para resolver seus problemas - Não tenha medo ou receio de expor suas fragilidades - Se você é perfeccionista, repense. Não é possível ser perfeito em tudo e ter controle de todas as situações - Delegue funções para não se sobrecarregar - Organize sua rotina de trabalho - Invista em lazer, vida social e atividade física |