Genivalda's profileGENIVALDA CRAVO DOS SANT...PhotosBlogListsMore Tools Help

Blog


    Estresse dentro e fora da sala de aula

     

    Edição: 635     Data:18/05/2008

    Estresse dentro e fora da sala de aula

    Ma­no­el Mes­si­as

    Ape­sar de não ha­ver uma pes­qui­sa com­ple­ta e de­ta­lha­da so­bre o as­sun­to, sa­be-se que um per­cen­tu­al sig­ni­fi­ca­ti­vo dos pro­fes­so­res so­fre com es­tres­se, de­pres­são e ou­tros dis­túr­bi­os psi­co­ló­gi­cos. Da­dos da Or­ga­ni­za­ção In­ter­na­ci­o­nal do Tra­ba­lho in­di­cam que pro­fis­sões co­mo mé­di­co e pro­fes­sor es­tão en­tre as mais des­gas­tan­tes, co­lo­can­do es­ses pro­fis­si­o­nais em um gru­po em que é mai­or a in­ci­dên­cia de afas­ta­men­to por re­co­men­da­ção mé­di­ca. Uma pes­qui­sa fei­ta no ano pas­sa­do pe­lo Ibo­pe a pe­di­do da re­vis­ta No­va Es­co­la com 500 pro­fes­so­res de re­des pú­bli­cas das ca­pi­tais re­ve­lou que mais da me­ta­de dos en­tre­vis­ta­dos so­fre de es­tres­se. En­tre as quei­xas fre­qüen­tes es­tão do­res mus­cu­la­res e al­gum ti­po de mal-es­tar, ci­ta­das por 40% de­les. Na re­de mu­ni­ci­pal de Go­i­â­nia e na re­de es­ta­du­al, em Go­i­ás, não há es­tu­do ou es­ta­tís­ti­ca so­bre os ma­les que afli­gem os pro­fes­so­res. Tam­bém não há pro­gra­mas pre­ven­ti­vos pa­ra iden­ti­fi­car e evi­tar os dis­túr­bi­os an­tes que a si­tu­a­ção pi­o­re e o pro­fes­sor se­ja afas­ta­do da sa­la. Há ape­nas al­gu­mas pes­qui­sas aca­dê­mi­cas que in­di­cam a gra­vi­da­de do pro­ble­ma
    “A edu­ca­ção es­tá em pe­ri­go, o im­pac­to do tra­ba­lho na sa­ú­de do tra­ba­lha­dor em edu­ca­ção já es­tá ex­plo­din­do na sa­ú­de men­tal, fí­si­ca, emo­cio­nal e es­pi­ri­tual das pes­so­as e nas ins­ti­tu­i­ções edu­ca­cio­nais. As re­la­ções de­su­ma­ni­za­das, coi­si­fi­ca­das tra­zem per­da de ener­gia, exaus­tão emo­cio­nal. Tu­do is­so es­tá cor­ro­en­do len­ta e gra­du­al­men­te os pi­la­res hu­ma­nos e edu­ca­cio­nais. A pes­soa de­sis­te es­tan­do tra­ba­lhan­do, as re­la­ções e a pro­fis­são se trans­for­mam num faz de con­ta”, diz Ge­ni­val­da Araú­jo Cra­vo dos San­tos, pro­fes­so­ra de His­tó­ria da Edu­ca­ção Bá­si­ca das re­des es­ta­du­al e mu­ni­ci­pal de Edu­ca­ção.
    O au­men­to de ca­sos de afas­ta­men­to de pro­fes­so­res por pro­ble­mas psi­co­ló­gi­cos é uma ques­tão com­ple­xa, es­tu­da­da por Ge­ni­val­da, dou­to­ran­da e mes­tre em Ci­ên­cias da Re­li­gi­ão pe­la Uni­ver­si­da­de Ca­tó­li­ca de Go­i­ás (UCG). As cau­sas apon­ta­das são uma sé­rie de si­tu­a­ções e com­por­ta­men­tos que vão além dos mu­ros das es­co­las. Ex­ces­so de tra­ba­lho, re­fle­xo da re­mu­ne­ra­ção in­su­fi­ci­en­te, con­di­ções pre­cá­rias de tra­ba­lho, sa­las de au­la su­per­lo­ta­das, alu­nos in­dis­ci­pli­na­dos e vi­o­len­tos são al­guns fa­to­res in­di­ca­dos co­mo cau­sa do pro­ble­ma.
    A di­fi­cul­da­de de re­la­ci­o­na­men­to com cri­an­ças e jo­vens em clas­se é uma das prin­ci­pa­is quei­xas dos pro­fes­so­res. Na pes­qui­sa No­va Es­co­la Ibo­pe, a in­dis­ci­pli­na foi ci­ta­da co­mo o prin­ci­pal pro­ble­ma em sa­la de au­la por 46% dos en­tre­vis­ta­dos.
    Pa­ra en­fren­tar a si­tu­a­ção, o re­mé­dio é co­nhe­ci­do, po­rém sua apli­ca­ção não é fá­cil, já que sig­ni­fi­ca­ria uma ver­da­dei­ra mu­dan­ça no mo­de­lo edu­ca­cio­nal. Es­co­la e pro­fes­so­res de­vem de­fi­nir cla­ra­men­te a prá­ti­ca edu­ca­cio­nal e pe­da­gó­gi­ca a ser ado­ta­da. Os pro­fes­so­res de­vem ser qua­li­fi­ca­dos e ter re­co­nhe­ci­men­to so­ci­al e fi­nan­cei­ro.
    O con­jun­to dos pro­ble­mas psi­co­ló­gi­cos de­cor­ren­tes do tra­ba­lho de pro­fes­sor é des­cri­to pe­los es­tu­di­o­sos co­mo sín­dro­me de Bur­nout, do­en­ça que aco­me­te qual­quer pro­fis­si­o­nal que tra­ba­lha com afe­tos, com ou­tros se­res hu­ma­nos, com o cui­da­do. Atin­ge pre­fe­ren­ci­al­men­te, por­tan­to, tra­ba­lha­do­res de áre­as co­mo edu­ca­ção, sa­ú­de, se­gu­ran­ça pú­bli­ca, exe­cu­ti­vos e ge­ren­tes, re­cur­sos hu­ma­nos.
    “Com re­la­ção à edu­ca­ção, os ín­di­ces são alar­man­tes. Con­for­me pes­qui­sas de­sen­vol­vi­das, já é uma epi­de­mia no Bra­sil, em fun­ção do pro­fis­si­o­nal ser um ide­a­lis­ta e as com­pe­tên­cias exi­gi­das, con­di­ções de tra­ba­lho, as co­bran­ças, frus­tra­ções, de­cep­ções pro­fis­si­o­nais, os pro­ble­mas en­fren­ta­dos nos lo­ca­is de tra­ba­lho, a bu­ro­cra­ti­za­ção, a per­da de sen­ti­do no tra­ba­lho; en­re­da o pro­fis­si­o­nal nu­ma ci­la­da exaus­ti­va, des­per­so­na­lis­ta e sem pra­zer de atu­ar pro­fis­si­o­nal­men­te”, ex­pli­ca Ge­ni­val­da Araú­jo.
    “As con­se­qüên­cias sin­to­ma­to­ló­gi­cas in­ci­dem tan­to no fí­si­co, men­tal, emo­cio­nal, es­pi­ri­tual.
    O pro­fis­si­o­nal é aco­me­ti­do por do­en­ças psi­cos­so­má­ti­cas e não sa­be o por­quê; es­sa é uma do­en­ça que con­ta­mi­na o meio com ne­ga­ti­vi­da­de, pes­si­mis­mo, ir­ri­ta­ção, in­to­le­rân­cia, tu­do vai mal. A pes­soa per­de o sen­ti­do e o sig­ni­fi­ca­do de vi­da no tra­ba­lho”, diz a pro­fes­so­ra, que de­sen­vol­veu te­se de mes­tra­do so­bre a sín­dro­me e que em bre­ve se­rá pu­bli­ca­da em li­vro.
    De acor­do com a pro­fes­so­ra, no Bra­sil fal­ta re­co­nhe­ci­men­to da sín­dro­me de Bur­nout pe­los ór­gã­os ofi­ci­ais (co­mu­ni­da­de mé­di­ca e ges­to­res pú­bli­cos), o que im­pe­de a pre­ven­ção, via po­lí­ti­cas pú­bli­cas que pri­vi­le­gi­em a qua­li­da­de de vi­da dos tra­ba­lha­do­res em edu­ca­ção.
    “Se con­ti­nu­ar­mos ne­gan­do a exis­tên­cia des­sa do­en­ça e as su­as con­se­qüên­cias em to­dos os âm­bi­tos pro­fis­si­o­nais e pes­so­al es­ta­re­mos con­tri­buin­do pa­ra a fa­lên­cia da edu­ca­ção e mais gas­tos com a sa­ú­de, li­cen­ças mé­di­cas e pro­ces­sos ju­rí­di­cos”, aler­ta.

    Indisciplina e revolta

    O dra­ma de se sen­tir im­pro­du­ti­vo e re­jei­ta­do é en­fren­ta­do por mui­tos pro­fes­so­res e po­de es­tar re­la­ci­o­na­do com fa­tos que vão des­de a in­dis­ci­pli­na dos alu­nos, con­di­ções pre­cá­rias de tra­ba­lho, má re­mu­ne­ra­ção e até mes­mo a fal­ta de qua­li­fi­ca­ção pro­fis­si­o­nal. Em Go­i­â­nia, uma pro­fes­so­ra da re­de mu­ni­ci­pal, há mais de 20 anos na sa­la de au­la, cor­re o ris­co de ser afas­ta­da do tra­ba­lho de­vi­do a pro­ble­mas de re­la­ci­o­na­men­to com seus alu­nos, cri­an­ças em fa­se de al­fa­be­ti­za­ção. Ela pro­cu­rou a re­por­ta­gem do HO­JE e, em tom de de­sa­ba­fo, se diz dis­cri­mi­na­da e des­va­lo­ri­za­da e re­cla­ma da fal­ta de um pro­gra­ma pa­ra aten­der alu­nos que ex­tra­po­lam os li­mi­tes acei­tá­veis de in­dis­ci­pli­na.
    No ca­so con­cre­to de­la, a acu­sa­ção ain­da não lhe foi for­mal­men­te fei­ta, já que não te­ve aces­so ao pro­ces­so in­ter­no, mas se de­ve a uma su­pos­ta agres­são a um alu­no quan­do es­te se re­cu­sou a obe­de­cer or­dem pa­ra pa­rar um ato de in­dis­ci­pli­na. A pro­fes­so­ra te­ria se­gu­ra­do o bra­ço do alu­no com for­ça pa­ra con­tê-lo. A mãe da cri­an­ça re­cla­mou e foi aber­to um pro­ce­di­men­to in­ter­no que po­de cul­mi­nar com o afas­ta­men­to da pro­fes­so­ra da sa­la de au­la.
    “Es­tou re­vol­ta­da por­que a di­re­ção da es­co­la tem ple­no co­nhe­ci­men­to que se tra­ta de um alu­no pro­ble­má­ti­co, que agri­de os co­le­gas e pro­fes­so­res, e ele não foi en­ca­mi­nha­do pa­ra aju­da psi­co­ló­gi­ca. No fim da his­tó­ria, eu es­tou sen­do pu­ni­da”, de­sa­ba­fa a pro­fes­so­ra, que pas­sa­rá por ava­li­a­ção psi­qui­á­tri­ca pe­la jun­ta mé­di­ca da Pre­fei­tu­ra e po­de­rá ser afas­ta­da de su­as fun­ções em sa­la de au­la.

     

    http://www.hojenoticia.com.br/editoria_materia.php?id=16858

     

    Acessado dia 31/08/2008 às 19h35’

    A viagem na América Latina

    Viagens...
    Passeios, momentos vividos, compartilhados em relacionamentos
    Com a natureza, com as pessoas, com os intercâmbios científicos, durante a peregrinação espiritual
    Momentos experiênciados no corpo, nas emoções, na mente, no espírito
     
    Viagens...
    Que trazem lembranças e despertam saudades
    Saudades da mística, do estudo, da partilha, da tomada de atitude, da mudança
    Da transformação...
    Momentos registrados nas fotografias, no diário de campo, no coração...
     
    Viagens...
    Falar o que, dizer o que?
    Lembranças registradas na memória, no DNA...
     
    Aprendi, como aprendi nessas viagens...
     
    Pois é " Viver e não ter a vergonha de ser feliz!"
     
    Obrigado! Sou grata por tal oportunidade!
    Agradeço a todos e a todas que vibraram, torceram para que tudo desse certo...
     
    Agradeço ao amparo e orientação espiritual recebida, tantos amigos que eu só sentia
    as presenças, as energias, os fluidos, a mágia...
     
    Viagens...
    Outras virão... mas a experiência dessa ficará...
     
    Realizei um sonho! E as merkabas deixaram-se fotografar...
     
    118_0241

    Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos (NEPER)

    CARTA AO EDITOR

    REVISTA PSIQUIATRIA DE CLÍNICA

    Núcleo de estudos de problemas

    espirituais e religiosos (Neper)

    Alexander Moreira de Almeida1, Hyong Jin Cho2,
    Jorge W. F. Amaro3, Francisco Lotufo Neto4


    As dimensões espirituais e religiosas da cultura estão entre os fatores mais importantes que estruturam a experiência humana, as crenças, os valores, o comportamento e os padrões de adoecimento (Lukoff, 1992; Sims, 1994; Amaro, 1996; Weaver, 1998). Apesar disso, a psiquiatria, em seus sistemas diagnósticos, bem como em sua teoria, pesquisa e prática, tende a ignorar ou a considerar patológicas as dimensões religiosas e espirituais da vida (Lukoff, 1992; King, 1998). Assim como a religiosidade é tradicionalmente vista de modo negativo pela psiquiatria, as experiências místicas e espirituais são tidas como evidências de psicopatologia (Lukoff, 1992).

    Fato relevante é que essas visões negativas da religião e da espiritualidade não se mantêm à luz de recentes estudos que não encontram associação entre esses fatores e a psicopatologia (Lotufo Neto, 1997). Para a maioria das pessoas, religião e espiritualidade são mais fonte de suporte e bem-estar que evidência de psicopatologia (Lukoff, 1995). Trabalhos têm relatado que pessoas que vivenciam experiências místicas pontuam menos em escalas de psicopatologia e mais em medidas de bem-estar psicológico que controles (Lukoff, 1992). Levantamentos da última década têm mostrado que experiências extra-sensoriais dissociativas são comuns na população geral (Ross, 1990; Ross, 1992; Levin, 1993) e, freqüentemente, não estão associadas a transtornos psiquiátricos em populações não-clínicas (Heber, 1989).

    A despeito dessas sinalizações que apontam para uma mudança de postura diante dos fenômenos religiosos e espirituais, revisões sistemáticas em quatro das mais importantes revistas de psiquiatria do mundo expuseram um quadro preocupante. Larson (1986) detectou que apenas 2,5% dos artigos dessas revistas, entre 1978 e 1982, utilizaram alguma variável religiosa. Uma repetição da mesma pesquisa, abrangendo de 1991 a 1995, apontou uma queda para 1,2% (Weaver, 1998). E mesmo essa minoria de artigos que utilizou alguma variável religiosa geralmente o fez por meio de um único item, ao invés dos métodos multidimensionais, que são os mais indicados para pesquisas em religião (Larson, 1986; Lotufo Neto, 1997; Weaver, 1998).

    A Associação Psiquiátrica Americana deu um passo importante na revisão dessa insensibilidade cultural da psiquiatria ao incluir no DSM-IV uma nova categoria diagnóstica: Problemas Espirituais e Religiosos, que foi incluída no eixo I, no item "Outras condições que podem ser um foco de atenção clínica" (APA, 1994; Turner, 1995). Essa nova categoria foi incluída porque "continuar a negligenciar as questões espirituais e religiosas perpetuaria as falhas que a psiquiatria tem cometido nesse campo: falhas de diagnóstico e tratamento, pesquisa e teoria inadequadas e uma limitação no desenvolvimento pessoal dos próprios psiquiatras" (Lu, 1994). Pela primeira vez, no DSM, há o reconhecimento de que problemas religiosos e espirituais podem ser o foco de uma consulta e do tratamento psiquiátrico e que muitos desses problemas não são atribuíveis a um transtorno mental (Lukoff, 1995). Os problemas religiosos são: conversão para uma nova religião, intensificação na aderência a crenças e práticas, perda ou questionamento da fé e novos cultos e movimentos religiosos. Dentre os tipos de problemas espirituais, temos: experiências místicas, experiências de quase morte, emergência espiritual e meditação (Turner, 1995). Como Gabbard (1982) afirmou: "É incumbência dos psiquiatras estarem familiarizados com o amplo leque de experiências humanas, saudáveis ou patológicas. Precisamos respeitar e diferenciar as experiências incomuns, mas integrativas, das que são (...) desorganizadoras". Os benefícios almejados com a adoção dessa nova categoria são: aumentar a acurácia diagnóstica e reduzir a iatrogenia decorrente do diagnóstico equivocado dos problemas espirituais e religiosos, melhorar o tratamento ao estimular pesquisas clínicas e ao encorajar a inclusão das dimensões religiosas e espirituais da experiência humana no tratamento psiquiátrico (Lu, 1994).

    O Brasil, devido à sua grande diversidade religiosa, encontra-se numa posição privilegiada para fazer avançar o nosso conhecimento sobre o tema. O estudo desses tópicos em nosso meio pode colaborar muito na melhor compreensão dos fenômenos tão disseminados e enraizados em nossa cultura, que é o que se espera da pesquisa nacional (Ramadam, 1996). Considerados como experiências subjetivas, os fenômenos religiosos e espirituais podem ser investigados com confiabilidade do mesmo modo que a ansiedade, a depressão ou qualquer outro grupo de vivências. Para estudar cientificamente essas questões, não é necessário tomar qualquer decisão sobre sua realidade objetiva. Elas podem ser pesquisadas em suas correlações clínicas com qualquer outro conjunto de dados (Ross, 1992; Hufford, 1992; King, 1998).

    Problemas religiosos e espirituais necessitam ser objeto de mais pesquisas para melhor compreender sua prevalência, características clínicas, fatores predisponentes interpsíquicos e intrapsíquicos, evolução, relação com o ciclo vital e fatores étnicos. Duas áreas de particular importância para futuros estudos são o diagnóstico diferencial e o tratamento. Uma maior elaboração do diagnóstico diferencial entre os problemas espirituais e religiosos e os transtornos mentais com conteúdos espirituais e religiosos. Diretrizes de tratamento deverão ser estabelecidas para aliviar tais pacientes e evitar iatrogenias decorrentes do uso de terapêutica inadequada (Turner, 1995).

    Baseando-se nessa nova classe do DSM-IV, tendo em vista a diversidade religiosa do Brasil e a carência de estudos na área, foi fundado no Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP o Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos (Neper). Seu objetivo é o estudo, a pesquisa e a assistência de questões religiosas e espirituais segundo o enfoque científico da moderna psiquiatria, não vinculado a nenhuma corrente filosófica ou religiosa. Seus integrantes já desenvolveram tese sobre psiquiatria e religião (Neto, 1997), livro e artigos sobre psicoterapia e religião (Amaro, 1994, 1995a, 1995b, 1995c, 1995d, 1996a, 1996b, 1996c), bem como pesquisa de campo sobre "cirurgia espiritual" (Almeida, 1999). Foi realizado um seminário sobre "Terapia Familiar e a Comunidade Religiosa" com a Dra. Martha Robbins, professora do Psychology Western Institute of Psychiatry em Pittsburg, EUA. Periodicamente, são realizados seminários de discussão de artigos e projetos abertos a todos os profissionais da área de saúde. Pesquisas estão sendo planejadas, assim como um programa de prevenção em saúde mental a ser desenvolvido nas comunidades religiosas. Almejamos que o Neper colabore na reversão da insensibilidade cultural da psiquiatria, na produção e difusão do saber ligado aos problemas espirituais e religiosos.


    Referências Bibliográficas

    Almeida, A. M.; Almeida, T. M. & Gollner, A. M. _ Cirurgia espiritual: uma investigação _ Rev Ass Med Brasil (aprovado, aguardando publicação).

    Amaro, J.W.F. _ Filosofia e religião _ Rev Psiq Clin 20: 19-22, 1994.

    Amaro, J.W.F. _ Psicologia e religião, segundo C. G. Jung _ Rev Psiq Clin 22: 1-10, 1995a.

    Amaro, J.W.F. _ Mito e religião _ Rev Psiq Clin 22: 31-7, 1995b.

    Amaro, J.W.F. _ Psicanálise e religião _ Rev Psiq Clin: 22: 75-81, 1995c.

    Amaro, J.W.F. _ Psicologia e religião segundo Freud, Fromm e Durkheim _ Rev Psiq Clin 22: 107-114, 1995d.

    Amaro, J.W.F. _ Maturidade e religião _ Rev Psiq Clin 23: 7-10, 1996a.

    Amaro, J.W.F. _ Psicoterapia e religião. Lemos Editorial, São Paulo, 1996b.

    Amaro, J.W.F. _ Psicoterapia e religião _ Rev Psiq Clin 23: 47-50, 1996c.

    American Psychiatric Association _ Diagnostic and statistical manual of mental disorders, 4th ed., American Psychiatric Press, Washington DC, 1994.

    Gabbard, G.O.; Twemlow, S.W. & Jones, F.C. _ Differential diagnosis of altered mind/body perception _ Psychiatry 45: 361-369, 1982.

    Heber, A.S.; Fleisher, W.P.; Ross, C.A. & Stanwick, R.S. _ Dissociation in alternative healers and traditional therapists: A comparative study _ Am J Psychotherapy 43: 562-574, 1989.

    Hufford, D.J. _ Commentary _ Paranormal experiences in the general population _ J Nerv Ment Dis 180: 362-68, 1992.

    King, M. B. & Dein, S. _ The spiritual variable in psychiatric research _ Psychological Medicine 28: 1259-1262, 1998.

    Larson, D.B.; Pattison, E.M.; Blazer, D.G. et al. _ Systematic analysis of research variables in four major psychiatric journals _ Am J Psychiatry 143: 329-334, 1986.

    Levin, J.S. _ Age differences in mystical experience _ The Gerontologist 33: 507-13,1993.

    Lotufo Neto, F. _ Psiquiatria e religião: a prevalência de transtornos mentais entre ministros religiosos _ Tese (livre-docência), Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1997.

    Lu, F.G.; Lukoff, D. & Turner, R. _ Religious or spiritual problems. In: DSM-IV Sourcebook, Washington DC, American Psychiatric Press, 1994.

    Lukoff, D.; Lu, F. & Tuner, R. _ Toward a more culturally sensitive DSM-IV: psychoreligious and psychospiritual problems _ J Nerv Ment Dis 180: 673-682, 1992.

    Lukoff, D.; Lu, F.G. & Turner, R. _ Cultural considerations in the assessment and treatment of religious problems _ Psych Clin N Am 18: 467-485, 1995.

    Ramadam, Z.B.A. _ Pós-graduação: um investimento estratégico _ Rev Psiq Clin 23/24: 46-50, 1996/7.

    Ross, G.A.; Heber, S.; Norton, G.R. et al. _ The dissociative disorders interview schedule: a structured interview _ Dissociation 2: 169-89, 1989.

    Ross, C.A.; Joshi, S. & Currie, R _ Dissociative experiences in the general population _ Am J Psychiatry 147: 1547-1552, 1990.

    Ross, C.A. & Joshi, S. _ Paranormal experiences in the general population _ J Nerv Ment Dis 180: 357-61, 1992.

    Sims, A. _ "Psyche" _ Spirit as well mind? _ Br J Psychiatry 165: 441-6, 1994.

    Turner, R.P.; Lukoff, D.; Barnhouse, R. T. & Lu, F.G. _ Religious or spiritual problem _ J Nerv Ment Dis 183: 435-444, 1995.

    Weaver, A.J.; Samford, J.A.; Larson, D.B. et al. _ A systematic review of research on religion in four major psychiatric journals: 1991-1995 _ J Nerv Ment Dis 186: 187-189, 1998.

     Residente

    2 Residente

    3 Professor Associado

    4 Prof. Dr. Coordenador do Amban
    Departamento de Psiquiatria da FMUSP

    Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas _ FMUSP

    Rua Dr. Ovídio Pires de Campos s/no _ CEP 05403-010 _ São Paulo, SP