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    Precisamos de Paz - Que façamos a nossa parte

    INICIATIVA DAS RELIGIÕES UNIDAS – URI BRASÍLIA
     
    Brasília,  09 de Fevereiro de 2009.
    Circular 13/2009
     
    Caros Irmãos e Irmãs,
    Estamos encaminhando abaixo, “Carta Aberta pelos Direitos Humanos”, produzida por um grupo de intelectuais e ativistas dos direitos humanos e enviada à Comunidade Bahá’i internacional, carta esta a qual tomamos conhecimento através do nosso irmão Caros Alberto, e agora repassamos a todos.
    Aproveitando o ensejo, lembramos que em dezembro passado, através da Circular 95/2008,  que abaixo reproduzimos, mais uma vez solicitamos o apoio de todos no sentido de colaborarem com o envio de correspondências oficiais em nome de suas respectivas organizações, para as autoridades nacionais da área de Relações Exteriores, às Nações Unidas e à Embaixada do Irã no Brasil,  no sentido de denunciarem o desrespeito aos direitos humanos com relação aos Bahá’is no Irã, como forma de nos solidarizarmos com toda a Comunidadae Bahá’i e defendermos a Justiça.
    Anexamos a presente mensagem dois dos ofícios que enquanto coordenação da URI Brasília enviamos a fim de servir como exemplo aos que puderem colaborar, pois face as  festividades de fim de ano e férias sabemos das dificuldades.
    Assim, reitero o pedido a todos, de forma que possamos fortalecer o nosso compromisso com todos os que estão necessitando de ajuda, e em especial numa questão como esta onde a violação de direitos tem por base uma incoerente motivação religiosa.
    Seguem abaixo o texto da circular citada e a Carta Aberta.
    Atenciosamente,
     
    URI BRASÍLIA
     
    Circular 95/2008
    No mês de maio último, informamos e ao mesmo tempo, solicitamos a colaboração de todos, para que se manifestassem de forma solidária,  junto a organismos internacionais, órgãos dos Direitos Humanos, governo brasileiro e Embaixada do Irã, contra a prisão de lideres da Comunidade Bahá’i Iraniana que haviam sido arbitrariamente presos, o que causava preocupação face  outros casos acontecidos na década de oitenta, quando outras lideranças  foram também aprisionadas e executadas.
    Infelizmente, desde maio a prisão das lideranças continua, inclusive com o agravante de não terem tido até o presente o devido direito à defesa, pois sequer seus advogados puderam visita-los ou mesmo terem acesso ao processo.
    Assim, aproveitando o ensejo da realização do Seminário sobre o Centenário da Umbanda, promovido pelo CONUB no Congresso Nacional, com uma ampla participação de parlamentares  membros das Comissões de Direitos Humanos  da Câmara e Senado,  apresentamos moção para integrar ao documento do evento, entre outros pontos a denúncia desta situação, bem como solicitação de informações sobre a questão, alem da libertação dos prisioneiros, já que configura-se uma violação aos Direitos Humanos.
    Desta forma, reproduzimos abaixo os itens correspondentes ao documento, de pronto solicitando a todos que puderem, enviarem aos organismos indicados na seqüência, documento oficial abordando todo o problema e trabalhando os itens abaixo:
    - Oferecer apoio à Comunidade Bahá’í do Brasil no sentido de divulgar amplamente a negativa de acesso ao devido processo legal, relembrando que, decorridos quase sete meses desde a prisão, os advogados encarregados do caso (inclusive a Prêmio Nobel da Paz iraniana Shirin Ebadi) não obtiveram acesso aos detidos ou a seus processos.
    - Solicitar esclarecimentos à Embaixada Iraniana acerca das condições sob as quais estão sendo mantidas estas lideranças bahá’ís, cujos nomes não constam das listas oficiais de prisioneiros da prisão de Evin, em Teerã, na qual se encontram;
    - Solicitar ao Ministério das Relações Exteriores que se pronuncie publicamente acerca destas prisões, solicitando sua imediata libertação;
    Acreditamos  que possamos enquanto defensores dos direitos humanos e da liberdade religiosa, mais uma vez colaborarmos com a divulgação deste fato a todos os organismos e mecanismos possíveis, com o intuito de sensibilizar a todos por esta questão.
    Na medida que possamos agir em ações como esta, estaremos fortalecendo o compromisso  de solidariedade com os que sofrem injustiças, e estas são ações mínimas que estão ao alcance de todos promoverem.
    Para maiores informações, podem contatar:
    Departamento de Secretariado para Assuntos Externos
    Comunidade Bahá'í do Brasil – Mary Caetana
    Tels: 61- 3364 3594 (216) / fax: 3364 3470
    E-Mail: secext@bahai.org.br
     
    Endereços de organismos institucionais para que se possível, também possam colaborar demonstrando aos mesmos a preocupação e insatisfação com mais esta situação.
     
    Endereços:
    Embaixada da República Islâmica do IrãEmbaixador da República Islâmica do Irã - Mohsen Shaterzadeh
    SES Av. das Nações, QD 809 Lote 31CEP: 70421-900, Brasília-DFTel: (61) 3242 6733, fax: (61) 3244 9640E-mail: webiran@webiran.org.brSecretária do Embaixador - georgia@webiran.org.brbeth@webiran.org.brhttp://www.webiran.org.br/  Ministério das Relações ExterioresMinistro Celso AmorimPalácio do Itamaraty - Esplanada dos Ministérios - Bloco HCEP: 70170-900,
     Brasília-DFE-mail: clamorim@mre.gov.br    ONUSrª Asma Jahandir  Relatora da ONU sobre a Liberdade de Religião.E-Mail: civilsocietyunit@ohchr.org (Pode enviar em Português) 
    Por fim, particularmente, não poderia deixar de também refletir a preocupação que hoje é da comunidade internacional, acerca dos últimos acontecimentos no Oriente Médio, especialmente o ataque maciço e extremamente desproporcional à Gaza, que já ultrapassou mais de trezentas mortes de civis palestinos, um verdadeiro massacre.
    Embora estejamos geograficamente distantes, temos a certeza de que não estamos isentos das conseqüências destas tensões, que há décadas são mantidas e fomentadas por diversos grupos, demonstrando muitas vezes que os personagens diretos tornaram-se marionetes de um grande jogo de interesses que envolvem poder e dinheiro, de uma forma tal que sequer decisões das Nações Unidas relativas à região jamais foram cumpridas.
    Assim, diante de nossa pequenez em face um problema tão grave e tão distante de solução, creio que poderíamos fazer eco aos anseios de paz através de nossas orações, ato este que podemos conclamar a todos.
    Atenciosamente,
    URI BRASÍLIA .
     
    Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009
    Temos Vergonha!
    O que se segue é uma carta aberta dirigida à Comunidade Bahá’í por parte de um grupo de intelectuais, escritores, artistas, jornalistas e activistas iranianos espalhados pelo mundo. O original desta carta encontra-se aqui.
    ---------------------------------------------------------
    Temos vergonha!
    Um século e meio de opressão e silêncio já chega!
    Em nome da bondade e da beleza, e em nome da humanidade e da liberdade!
    Enquanto seres humanos iranianos temos vergonha pelo que foi perpetrado contra os Bahá’ís no último século e meio no Irão.
    Acreditamos firmemente que cada iraniano, “sem qualquer tipo de distinção, seja raça, cor, sexo, língua, religião, política ou outra opinião”, e também independentemente da sua origem étnica, “origem social, bens, nascimento ou outra condição”, tem todos os direitos e liberdades proclamados na Declaração Universal dos Direitos Humanos. No entanto, desde o surgimento da Fé Bahá’í, os seguidores desta religião no Irão têm sido privados de muitos destes direitos apenas devido às suas convicções religiosas.
    Segundo documentos e provas históricas, desde o início do Movimento Babi, seguido pelo aparecimento da Fé Bahá’í, milhares dos nossos compatriotas foram chacinados pela espada do fanatismo e da intolerância apenas devido às suas convicções religiosas. Só nas primeiras décadas após o seu estabelecimento, cerca de vinte mil daqueles que se identificaram com esta comunidade religiosa foram selvaticamente assassinados em várias regiões do Irão.
    Temos vergonha que durante esse período, nenhuma voz de protesto se tenha ouvido contra assassinatos bárbaros;
    Temos vergonha que até hoje a voz do protesto contra estes crimes hediondos foi pouco frequente e ténue;
    Temos vergonha porque além da intensa supressão dos Bahá’ís durante as suas décadas formativas, o último século também testemunhou episódios periódicos de perseguição deste grupo dos nossos compatriotas, onde os seus lares e negócios foram incendiados, as suas vidas, propriedades e famílias sujeitos a perseguição brutal – e tudo isto enquanto a comunidade intelectual do Irão permanecia silenciosa;
    Temos vergonha que durante os últimos trinta anos, a morte de Bahá’ís apenas devido às sua crenças religiosas tenha ganho um estatuto legal, e mais de duzentos Bahá’ís tenham sido massacrados sob este pretexto;
    Temos vergonha que um grupo de intelectuais justifique a coerção contra a Comunidade Bahá’í do Irão;
    Temos vergonha do nosso silêncio relativamente ao facto de, após muitas décadas de serviço ao Irão, reformados Bahá’ís viram-se privados do seu direito a uma pensão de reforma;
    Temos vergonha do nosso silêncio perante o facto de milhares de jovens Bahá’ís, por fidelidade à sua religião e honestidade no momento de afirmar as suas convicções, tenham sido excluídos do acesso à universidade e a outras instituições de ensino superior;
    Temos vergonha que devido às crenças religiosas dos seus pais, as crianças bahá’ís sejam sujeitas a humilhações nas escolas e em público;
    Temos vergonha do nosso silêncio sobre esta realidade dolorosa da nossa nação, onde os Bahá’ís são sistematicamente oprimidos e hostilizados, um número deles encontra-se detido devido às suas convicções religiosas, as suas casas e negócios são atacados e destruídos e periodicamente os seus cemitérios são profanados;
    Temos vergonha do nosso silêncio quando confrontados com o longo, tenebroso e atroz historial de leis e sistema legal que marginalizaram e privaram os Bahá’ís dos seus direitos, e da injustiça e hostilidade dos organismos oficiais e não-oficiais do Governo face a este grupo dos nosso compatriotas;
    Temos vergonha por todas estas transgressões e injustiças, e temos vergonha pelo nosso silêncio sobre estes factos;
    Nós, abaixo-assinados, pedimo-vos, aos Bahá’ís, que nos perdoem pelos mal feito contra a Comunidade Bahá’í do Irão.
    Não continuaremos em silêncio quando a injustiça vos visitar.
    Estaremos ao vosso lado até que obtenham todos os direitos consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
    Vamos unir as mãos para substituir o ódio e a ignorância pelo amor e a tolerância.
    3 de Fevereiro de 2009
    1. Abdolalian Morteza, Journalist, CJFE Board of Directors - Canada, Oakville
    2. Abghari Shahla, Professor, Life University – USA, Atlanta
    3. Abghari Siavash, Professor, University of Georgia – USA, Atlanta
    4. Ahmadi Ramin, Professor, Yale University – USA, Yale
    5. Almasi Nasrin, Managing editor of Shahrvand- Canada, Toronto
    6. Bagherpour Khosro, Poet /Journalist – Germany
    7. Baradaran Monireh, Writer/Human rights activist - Germany
    8. Beyzaie Niloofar, Play writer/Theatre Director – Germany, Frankfurt
    9. Boroumand Ladan, Researcher, Boroumand Foundation - USA, Washington
    10. Boroumand, Roya, Executive Director, Boroumand Foundation – USA, Washington
    11. Choubine Bahram, Researcher/Writer – Germany, Köln
    12. Daneshvar Hamid, Actor/Theatre Director – France, Paris
    13. Darvishpour Mehrdad, Professor, Stockholm University - Sweden, Stockholm
    14. Djalali Chimeh Mohammad (M.sahar), Poet - France, Paris
    15. Djanati Atai Behi, Actor/ Writer/Theatre Director – France, Paris
    16. Ebrahimi Hadi, Editor-in-chief of Shahrgon, Canada, Vancouver
    17. Fani Yazdi Reza, Political analyst - USA
    18. Farhoudi Vida, Poet/Translator- France, Paris
    19. Forouhar Parastoo, Artist/Human rights activist – Germany, Frankfurt
    20. Ghaemi Hadi Coordinator Int. Campaign for HR in Iran - USA
    21. Ghahraman Saghi, Poet /Journalist – Canada, Toronto
    22. Ghahraman, Sasan, Publisher/Writer/Journalist – Canada, Toronto
    23. Javid Jahanshah, Publisher, Iranian [dot] com – Mexico, Chihuahua
    24. Kakhsaz Naser, Political analyst – Germany, Bochum
    25. Kalbasi Sheema, Poet – USA, Washington
    26. Kassraei Farhang, Writer/Actor – Germany, Wiesbaden
    27. Khorsandi Hadi, Satirist – Great Britain, London
    28. Mahbaz Efat, Women rights activist /Journalist– England, London
    29. Malakooty Sirus, Classical Guitar Player/ Composer/ Lecturer - England, London
    30. Moshkin Ghalam Shahrokh, Actor/Dancer – France, Paris
    31. Mossaed Jila, Poet/Writer - Sweden, Göteborg.
    32. Mossallanejad Ezat, Writer/Human right Activist, CCVT – Canada, Toronto
    33. Parsa Soheil, Theatre Director - Canada Toronto
    34. Sahimi, Muhammad Professor, University of Southern California – USA, California
    35. Shafigh Shahla, Writer/Researcher – France, Paris
    36. Shemiranie Khosro, Journalist - Canada, Montreal
    37. Sheyda Behrooz, Literary Critic/Theorist- Sweden, Stockholm
    38. Taghipoor Masoomeh, Actor/Theatre Director - Sweden, Göteborg.
    39. Tahavori Mohammad, Journalist, USA, MA Cambridge
    40. Vahdati Soheila, Human Rights Activist – USA, California
    41. Zahedi Mitra, Theatre Director – Germany, Berlin
    42. Zerehi Hassan, Editor-in-chief of Shahrvand, Canada, Toronto

    Silêncio e Omissão armas da guerras

    Brasília, 21 de Dezembro de 2008.

    Ofício  89/2008

    Exmº. Sr. Ministro

    Celso Amorim

    Ministério das Relações Exteriores - Governo do Brasil

     

    A Iniciativa das Religiões Unidas (United Religions Iniciative – URI), é uma organização  cuja idealização se deu a partir do cinqüentenário da ONU e hoje  possui cerca de quatrocentas grupos em  mais de sessenta países, possuindo como um de seus principais objetivos trabalhar pelo fim das violências por motivação religiosa, tendo entre suas áreas de atuação a defesa dos direitos humanos.

    Feita esta breve apresentação, vimos a Vossa Excelência  trazer informações sobre fatos que estão provocando nos defensores dos direitos humanos e em especial  a lideranças religiosas grande preocupação, pelo que pedimos vossa atenção.

    A questão a qual nos referimos é relativa à prisão de membros da Comunidadde Bahá’, ocorrida em maio último, sem qualquer real motivação legal e que ainda permanece, com o agravante de que passado todo este período, os advogados  do Centro de Defensores dos Direitos Humanos, que tem a Srª  Shirin Ebadi, Nobel da Paz como membro, sequer puderam ter acesso aos prisioneiros nem ao processo.

    Também nos entristece o fato de que, certamente por haver buscado defender os direitos dos mencionados prisioneiros Bahá’is, o escritório da Srª Shrin Ebadi ter sido fechado, sob argumentos insustentáveis, o que demonstra ter sido um ato de represália que toda a comunidade internacional tem conhecimento.

    Diante destes fatos, não poderíamos deixar de vir solicitar a este Ministério das Relações Exteriores, que venha se pronunciar publicamente  sobre estas prisões, prontamente fazendo ver ao Governo da República Islâmica do Irã, o equivoco e ilegalidade destes atos que devem ser reparados inicialmente com a libertação dos prisioneiros

    Salientamos que em assim agindo, este Ministério estará atuando plenamente afinado com as ações que  outros órgãos do Governo Brasileiro estão desenvolvendo, em especial nas questões vinculadas aos Direitos Humanos e a Liberdade Religiosa, que hoje são modelo  de referência para outros países, além de refletir o próprio anseio de diálogo e cooperação que norteia os contatos e ações conjuntas que envolvem lideranças de diversos segmentos religiosos com representação no Brasil.

    Atenciosamente,

     

    Elianildo da Silva Nascimento

    Coordenador URI Brasília

    www.uri.org (inglês) – www.uri.org/americalatina (Espanhol/Português)

    Tels: 55 61 3340.4095 – 9633.8420

    E-Mail: elianildonascimento@yahoo.com.br

     

     

    Que Haja Paz - Que as pessoas tenham o direito de expressar a sua religião

    Brasília, 21 de Dezembro de 2008.

    Ofício  88/2008

    Exmo. Sr.

    Mohsen Shaterzadeh

    Embaixador da República Islâmica do Irã

     

    A Iniciativa das Religiões Unidas (United Religions Iniciative – URI), é uma organização  cuja idealização se deu a partir do cinqüentenário da ONU e hoje  possui mais de quatrocentos grupos em  mais de sessenta países, possuindo como um de seus principais objetivos trabalhar pelo fim das violências por motivação religiosa, tendo entre suas áreas de atuação a defesa dos direitos humanos.

    Feita esta breve apresentação, vimos a Vossa Excelência  trazer informações sobre fatos que estão provocando nos defensores dos direitos humanos e em especial  a lideranças religiosas grande preocupação, pelo que pedimos vossa atenção.

    Primeiramente quero expressar agora à Vossa Excelência, que  enquanto membro da Coordenação  do Círculo de Cooperação da Iniciativa das Religiões Unidas em Brasília, há muito que temos um profundo contato com nossos irmãos  Islâmicos  de vários estados do país,  os quais sempre convidamos para participarem  de eventos de grande porte  que ocorrem no país e fora dele,  possibilitando um maior conhecimento público do Islamismo.

    Temos a plena convicção e consciência dos problemas que globalmente afetam as comunidades Islâmicas e em especial as questões vinculadas a interesses políticos e econômicos que se utilizam de campanhas  que muitas vezes buscam a imagem dos muçulmanos, associando-os  à violência, e nestas questões  sabemos reconhecer e ao esmo tempo denunciar tais injustiças.

    Através do diálogo e da cooperação buscamos aprofundar os laços  de interação, respeito e amizade entre lideranças religiosas de diversos segmentos, para que através desta ação possamos demonstrar  que a convivência pacífica  e com base na justiça é possível de se concretizar, e sendo assim,  casou-nos preocupação as informações que durante este ano chegaram vindas do Irã, neste momento em especial a prisão de membros da Comunidadde Bahá’, ocorrida em maio último, sem qualquer real motivação legal e que ainda permanece, com o agravante de que passado todo este período, os advogados  do Centro de Defensores dos Direitos Humanos, que tem a Srª  Shirin Ebadi, Nobel da Paz como membro, sequer puderam ter acesso aos prisioneiros e ao processo.

    Também nos entristece o fato de que, certamente por haver buscado defender os direitos dos mencionados prisioneiros Bahá’is, o escritório da Srª Shrin Ebadi ter sido fechado, sob argumentos insustentáveis, o que demonstra ter sido um ato de represália que toda a comunidade inernacional tem conhecimento.

    No Alcorão Sagrado, a Justiça  e a  Misericórdia são valores sempre lembrados a todos os crentes  e sendo assim,  mesmo considerando  a total independência que o Estado do Irã tem, não podemos compreender tasi atitudes e nem muito menos aceitá-las, pelo que respeitosamente vimos através da presente, expressar enquanto defensores dos Direitos Humanos e da Liberdade Religiosa, e ao mesmo tempo  solicitar esclarecimentos desta Embaixada Iraniana no Brasil, acerca das condições sob as quais estão sendo mantidas estas lideranças bahá’ís, cujos nomes não constam das sequer nas listas oficiais de prisioneiros da prisão de Evin, em Teerã, na qual se encontram.

    Como não poderia deixar de ser, tambem solicitamos que haja por parte dos responsáveis por estas violações aos direitos humanos, e em especial do Governo Iranano, o bomsenso e a real prática da justiça, através da determinação da libertação destes prisioneiros e o pleno restabelecimento de seus direitos, já que embora hajam Cristãos e Judeus entre os cidadãos iranianos, estes não sofrem como ão deveriam sofrer, quaisquer tipos de violações desta natureza, fato este que também não justificam estes atos ora narrados.

    Excelentíssimo Embaixador, por fim, queria expressar que entendo que  na eventualidade da continuidade desta situação, veremos que será um retrocesso na visão que mundialmente temos do respeito aos direitos humanos no Irã, bem como a própria imagem do país,  o que certamente dará margem a que aqueles arautos  das inverdades contra o Islamismo tenham argumentos concretos para com mais força trabalharem sua propaganda.

    Também indiscutivelmente, se esta situação que ora repudiamos se concretizar, todos nós que trabalhamos pela conscientização da sociedade e das organizações sobre a riqueza teológica e cultural, jurídica e científica  que  o Islamismo trouxe a toda a humanidade no decorrer dos séculos, ficaremos  em difícil situação para argumentarmos  uma questão como esta.

    Agradecemos pela vossa preciosa atenção,

     

    Elianildo da Silva Nascimento

    Coordenador URI Brasília

    www.uri.org (inglês) – www.uri.org/americalatina (Espanhol/Português)

    Tels: 55 61 3340.4095 – 9633.8420

    E-Mail: elianildonascimento@yahoo.com.br

    Síndrome de Burnout - Divulgação da pesquisa no mestrado


    Goiânia, 20.02.2009

    Na sala de aula, o abismo emocional

    Cerca de 6 mil professores em Goiás sofrem com efeitos e desinformação sobre a ‘Síndrome de burnout’

    Carla Borges (*)

             A ‘Síndrome de burnout’, doença ocupacional grave que se caracteriza pelo esgotamento do profissional, atinge 15,7% dos professores da Região Centro-Oeste. É o que mostra uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), feita com 8 mil professores de educação básica da rede pública. Em Goiás, aplicando o porcentual apurado no estudo, conclui-se que a doença atinge quase 6 mil docentes, considerando os 30.968 professores efetivos da rede estadual e cerca de 8 mil contratos temporários. Na rede municipal de Goiânia, o número chega a 1,1 mil profissionais.

             Também chamada por estudiosos de “Síndrome da desistência”, a ‘Síndrome de burnout’ manifesta-se como intenso sofrimento causado por estresse laboral crônico. Ela atinge diversas categorias profissionais, especialmente os que dependem de constante contato interpessoal. Embora seja pesquisada no mundo todo desde a década de 1970, a doença ainda é desconhecida e frequentemente confundida com outros problemas, como estresse e depressão. Os professores estão entre os que concentram a maior quantidade de estudos.

             “A sensação é de que as baterias arriaram, é de ficar completamente sem energia”, compara a professora Genivalda Araujo Cravo dos Santos, de 42 anos, 17 deles como professora de História das redes estadual e municipal. Ela conhece a doença de perto tanto como profissional quanto como pesquisadora. Depois de concluir, em 2004, o mestrado em Ciência da Religião pela Universidade Católica de Goiás (UCG), defendeu dissertação intitulada “Educação, profissão perigo: Burnout, depressão e o tratamento espiritual no espiritismo”, ela voltou para a sala de aula.

             “Percebi que estava exausta, chegando ao meu limite. Atribuí o problema à escola onde eu estava. Pensava que quando mudasse de escola conseguiria ter de volta o antigo pique”, conta.

     

    Peregrinação

    Começava a peregrinação da professora, mas, ao contrário do que ela imaginava, o problema estava em seu íntimo. “Percebi que a questão não era de mudar de ares. O problema estava presente em todas as escolas pelas quais passei”, diz. Foi então que Genivalda aceitou o desafio de conhecer mais de perto o mal que levou tanto sofrimento para sua vida e também para as das várias pessoas que ela entrevistou em sua pesquisa de mestrado. Além do desconhecimento e do preconceito em relação à síndrome, ela percebia, durante as entrevistas e em palestras que realizava, o lado visível para olhares sensíveis do burnout. “Olhava para meus colegas e enxergava a morte no olhar deles.”

             Hoje, Genivalda conta que gerencia a ‘Síndrome de burnout’. “Tenho consciência do que estou passando, por isso busco alternativas para minimizar os sintomas”, conta. Além de cuidar dos cinco cachorros de estimação, Genivalda há dois anos faz shiatsu – um tipo oriental de massagem terapêutica – e encontrou alívio também na meditação, na visualização e em caminhadas, de preferência em contato com a natureza.

     

    Estrutura

    Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Goiás (Sintego), Iêda Leal afirmou ao jornal “O Popular” que a falta de estrutura das escolas da rede pública tem relação direta com os problemas ocupacionais de uma maneira geral. “Não há material adequado e é grande o número de alunos por docente. Essas são questões que vêm enfraquecendo a saúde do trabalhador”, pondera.

             Iêda destaca que os trabalhadores em educação estão adoecendo no exercício da função e não por outras causas. “É muito grande o número de licenças médicas e isso tem de ser melhor estudado”, alerta. Embora tenha sido oficialmente reconhecida como doença ocupacional pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) há cerca de um ano, a ‘Síndrome de burnout’ ainda é frequentemente confundida com outras doenças nas juntas médicas. “Muita gente acha que o professor não quer trabalhar, mas não é isso”, diz a sindicalista.

             A Presidente do Sintego enfatiza que é preciso que os gestores criem equipes para dar o atendimento necessário para os trabalhadores atingidos por essas doenças. “Não são propositais. O esgotamento físico e emocional é visível.”

             Uma prova do preconceito que cerca a “Síndrome de burnout” é o medo que os pacientes têm de serem reconhecidos e discriminados. O jornal “O Popular” abordou cinco profissionais com a síndrome, mas todos se esquivaram de contar seus dramas, mesmo na condição do anonimato.

                   

    Esforço excessivo pode levar à síndrome

             A ‘Síndrome de burnout’ é um estado de exaustão total decorrente de esforço excessivo e contínuo. Os três sintomas que a caracterizam são exaustão emocional, baixa realização profissional e despersonalização. A psicóloga Nádia Maria Beserra Leite, autora da pesquisa que apontou a prevalência da ‘Síndrome de burnout’ em 15,7% dos professores da Região Centro-Oeste, explica que a exaustão emocional é o primeiro sintoma.

             “O docente percebe o esgotamento da energia e dos recursos emocionais; não consegue mais se doar”, explica Nádia. Diante do incômodo e da incapacidade em lidar com a sensação, a pessoa desenvolve mecanismos de defesa, dos quais o principal é o distanciamento de sua atividade. Mesmo que continue presente fisicamente em sala de aula, por exemplo, é como se não estivesse lá.

     

    Companheirismo

    Para Nádia, a despersonalização é o lado mais problemático da síndrome, pois recai diretamente no aluno. Ela tem particular preocupação pela presença da doença em professores analisados de educação básica. “Esse período escolar acompanha uma fase essencial da formação do indivíduo. É quando a relação aluno-professor é mais necessária para a aprendizagem e o desenvolvimento integral do aluno”, observa.

             A pesquisa também apontou como medidas para reduzir os efeitos da síndrome o companheirismo e a cooperação no ambiente de trabalho. Nádia Leite analisa que o grande mérito do trabalho é mostrar, de forma científica, que é mais difícil enfrentar sozinho o problema.

     

    Entenda a ‘Síndrome de burnout

    O que é

    Uma das consequências mais marcantes do estresse profissional, a ‘Síndrome de burnout’ se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional). O termo ‘burnout’ é uma composição de ‘burn’ (queima) e ‘out’ (exterior), indicando que a pessoa com esse tipo de estresse consome-se física e emocionalmente, passando a apresentar um comportamento agressivo e irritadiço. A representação gráfica internacional é de um palito de fósforo todo queimado. A síndrome é frequente em profissionais que mantém uma relação constante e direta com outras pessoas.

     

    Sintomas

    Físicos

    ·        Fadiga constante e progressiva

    ·        Distúrbios do sono

    ·        Dores musculares ou osteomusculares

    ·        Dores de cabeça, enxaquecas

    ·        Perturbações gastrointestinais

    ·        Imunodeficiência

    ·        Transtornos cardiovasculares

    ·        Distúrbios do sistema respiratório

    ·        Disfunções sexuais

    ·        Alterações menstruais nas mulheres

    Psíquicos

    ·        Falta de atenção e concentração

    ·        Alterações de memória

    ·        Lentificação do pensamento

    ·        Sentimento de alienação

    ·        Sentimento de solidão

    ·        Impaciência

    ·        Sentimento de insuficiência

    ·        Baixa autoestima

    Comportamentais

    ·        Negligência ou excesso de escrúpulos

    ·        Irritabilidade

    ·        Incapacidade para relaxar

    ·        Dificuldade de aceitação de mudanças

    ·        Perda da iniciativa

    ·        Comportamento de alto risco

    ·        Aumento de consumo de substâncias

    ·        Suicídio

    Defensivos

    ·        Tendência ao isolamento

    ·        Sentimento de onipotência

    ·        Perda do interesse pelo trabalho e até pelo lazer

    ·        Absentismo

    ·        Ironia, cinismo

     

    Fonte: Genivalda Araújo Cravo dos Santos

     

    Gestores sugerem ações em grupo e terapia

             A secretária estadual de Educação, Milca Severino Pereira, reconhece a grande incidência da ‘Síndrome de burnout’ entre professores e aponta a relação estreita desse quadro com as condições adversas da educação, não só em Goiás, mas no Brasil e na América Latina. “São condições sociais adversas”, diz. A síndrome, pondera Milca, atinge profissionais que lidam diretamente com as mazelas sociais, por isso sua incidência tão grande em professores, médicos e policiais. Outros profissionais também estão sujeitos, como os promotores públicos. É o caso de uma profissional de 37 anos, que teve de ser readaptada de função por um ano porque simplesmente não conseguia mais desempenhar com tranquilidade e eficiência a sua função.

     

             “A imagem de forte é inerente ao promotor público. Mas a doença me ajudou a perceber que não deixo de ser forte por ser sensível aos dramas com os quais lido no trabalho. Meu caso é o primeiro com diagnóstico no MP. Vários colegas se identificam e se manifestam. É preciso trabalhar a prevenção.”

    Promotora de justiça, 37 anos, readaptada de função por um ano em cargo administrativo por causa da doença

     

             “Um operador da bolsa de valores tem um alto nível de estresse, mas não vai apresentar essa síndrome e sim outros transtornos, porque não lida com mazelas sociais”, compara a secretária. “O professor atua em uma área em que busca, com criatividade, alimentar sonhos. Todo professor sonha em melhorar a qualidade de vida das pessoas por meio da educação”, afirma.

             A Secretaria Estadual da Educação (SEE) não tem um programa específico para prevenção ou tratamento de doenças como a ‘Síndrome de burnout’, embora reconheça o aumento de sua incidência. Milca diz que tem buscado estabelecer possibilidades para criar um clima de socialização nas escolas, com ênfase para programas especiais de interação com a comunidade e trabalho em grupo. “As ações preventivas na escola, que estimulam o trabalho coletivo, são um antídoto eficiente”, acredita a secretária.

             A Secretaria Municipal de Educação de Goiânia indicou a Secretaria de Administração e Recursos Humanos, que é onde são concedidas as licenças médicas, para falar sobre o assunto.

             A diretora de Assistência ao Servidor da Secretaria de Administração, Rejane Mesquita Carvalho, conta que o departamento oferece tanto ações de prevenção como de tratamento não só para ‘burnout’ como para outras doenças ocupacionais. O centro oferece acompanhamento psicológico, de terapia, fisioterapia e fonoaudiologia. “Muitas vezes é essencial o apoio de um psicólogo e aqui o servidor encontra.”

     

    NA HISTÓRIA

    Questionário polêmico

     

             No final de 2004, a aplicação de questionários para o ‘Diagnóstico Integrado do Trabalho (DIT)’ de servidores da Secretaria Estadual da Educação (SEE) provocou tanta polêmica que a pesquisa acabou não tendo resultado. Entre as doenças ocupacionais que se procurava quantificar, segundo a SEE, estava a ‘Síndrome de burnout’.

             Questões como “vejo sérios problemas com minha sexualidade”, “gostaria de nunca sentir necessidade de sexo”, “sinto vergonha de meus desejos sexuais” e “frequentemente, quando estou fazendo amor, me pergunto o que estou fazendo ali” figuravam no rol das que deveriam ser respondidas. Professores chegaram a ingressar com ações judiciais contra o questionário, que consideraram uma invasão de privacidade.

             O Ministério Público (MP) estadual também questionou o levantamento da SEE. Além das questões, consideradas invasivas, também pesou o fato de os professores terem de se identificar, dando o número do CPF.

             O DIT também foi elaborado pelo Laboratório de Psicologia do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB), sob coordenação do psicólogo e pesquisador Wanderley Codo.

     

    Fonte: Jornal “O Popular”, de Goiânia, edição de 09.02.2009, Pág. 3 /Cidades Texto da jornalista Carla Borges

    De: JALES RODRIGUES NAVES
    Enviada: sex 20/02/2009 09:56
    Assunto: Matéria discute mal que atinge professores (Síndrome de burnout) e cita trabalho de Mestrado da UCG

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